Mostrando postagens com marcador Cinema. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cinema. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Música para ver, cinema para ouvir

27/05/2011

Por José Geraldo Couto, editor do Blog do Zé Geraldo

Um dos mais influentes músicos do século 20, Miles Davis, que estaria completando hoje [26/05/11] 85 anos, tem mais a ver com o cinema do que geralmente se imagina.

O timbre inconfundível de seu trompete aparece em 48 longas-metragens, fora aqueles em que não foi creditado. Mas ele compôs relativamente pouco para cinema: levam a sua assinatura um punhado de documentários e apenas três longas de ficção: Ascensor para o cadafalso (1957), de Louis Malle, Siesta – Marcas de uma paixão (1987), de Mary Lambert, e Dingo (1991), de Rolf de Heer.

Desses, o mais importante, de longe, é o primeiro. O thriller de Louis Malle deve muito de sua elegância e densidade emocional ao cool jazz de Miles Davis. A trilha, repleta de improvisos do próprio trompetista, marcou época e influenciou boa parte da música dos policiais psicológicos/existenciais europeus e americanos feitos desde então.

Segue aqui um registro precioso: Miles Davis improvisando para a gravação da trilha sonora diante das imagens projetadas do filme. Poucas vezes houve uma comunhão tão perfeita entre música e cinema. O próprio Malle fala sobre isso ao final do vídeo.



Como curiosidade, vai também um trecho de Dingo em que Miles aparece como ator, no papel do trompetista Billy Cross, ídolo do jovem branquelo John “Dingo” Anderson (Colin Friels), que sai do interior da Austrália para tentar a sorte como músico nos clubes de jazz de Paris. Até onde eu sei, o filme não foi exibido comercialmente no Brasil (só em festivais) e ainda não está disponível em DVD.

O filme pode não ser grande coisa, mas a música… Ouça só:



E, só para completar a fatura, um trecho de Siesta, com Ellen Barkin, Isabella Rosselini e a música do homem:



José Gerado Couto é crítico de cinema e tradutor, foi durante anos colunista na Folha, escreve suas criticas hoje em seu próprio blog e na revista Carta Capital


Fonte: Site Outras Palavras em 27.05.2011

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Catálogo reúne 450 filmes desde ditadura até democracia argentina

Organizações humanitárias argentinas apresentarão na próxima semana um catálogo de 450 filmes para a "reflexão e análise" da cinematografia desde os tempos da ditadura (1976-1983) até a democracia atual.

Entre outras "pérolas", o catálogo inclui um filme de propaganda só divulgado em quartéis enquanto paramilitares matavam e sequestravam ativistas políticos, disse à Agência Efe a pesquisadora Marcela Visconti, da ONG Memória Aberta, que coordenou a recopilação com seu colega Esteban Garelli.

Também se destaca um filme sueco que arranhou a imagem do regime em um festival de cinema em 1979, um ano após a Argentina sagrar-se campeã da Copa do Mundo em casa durante um período em que milhares de pessoas tinham desaparecido ou estavam em prisões clandestinas submetidas a torturas, apontou.

Sob a lógica da estreita censura e repressão política, a ditadura militar reduziu a cinematografia argentina a uma generalidade de temas banais, com elogios às forças de segurança e aos valores conservadores, comentou Marcela.

Toda a filmografia argentina de "denúncia" dos crimes da ditadura foi rodada no exílio, como é o caso de "Las AAA son las tres armas" (Perú, 1977), dirigida por Jorge Denti e que narra os vínculos do regime com o grupo de extrema-direita Aliança Anticomunista Argentina, a "Triplo A".

Os filmes estão catalogados por cronologia e ordem alfabética, assim como por cerca de 20 temas que vão desde "a favor do regime" até "filmes da transição democrática", passando pelas categorias "busca por verdade e justiça", "artistas, perseguição e censura" e "vitimados".

Marcela assinala que entre os filmes a favor do regime há vários cujos diretores se desconhecem por terem usado pseudônimos, enquanto outros tiveram coragem de desafiar a censura mediante referências "ocultas ou nem tanto".

Na pesquisa para criar o catálogo, foi "um grande achado" o filme "Estoy herido...ataque!" (1977), só divulgado nos quartéis, obra de "Federico Alegre", "cineasta" que dirigiu um grupo de atores desconhecidos para narrar um "heroico" combate com a guerrilha no norte da Argentina, indicou.

Como contrapartida, aparece o filme sueco "Murallas de la libertad" (Frihetens murar), de 1978, dirigido por Marianne Ahrne, que narra a vida de uma artista argentino no exílio e cuja existência era desconhecida no seu país de origem.

"Este filme foi projetado na abertura do 11º Festival Internacional de Cinema de Moscou, em 1979, e provocou um grande desgosto à delegação argentina, que o considerou ofensivo para o país e pressionou para que fosse retirado do festival. Nunca pôde ser visto na Argentina e agora faz parte do arquivo da Memória Ativa".

Entre os filmes com temas "tabu" que escaparam à censura, aparecem "Últimos días de la víctima", de 1980, sobre associações de um grupo parapolicial, e "Tiempo de revancha", de 1981, que narra um conflito sindical em uma mineradora multinacional, ambos dirigidos por Adolfo Aristarain e protagonizados por Federico Luppi.

Por meio de alegorias, com o filme "Los miedos" (1980), sobre uma epidemia que arrasa uma cidade, Alejandro Doria foi outro dos poucos cineastas argentinos que tentaram vencer a censura.

Com a restauração da democracia, no fim de 1983, houve o ressurgimento do cinema nacional, um dos mais pujantes da América Latina, e se multiplicaram os filmes sobre os crimes da ditadura e suas sequelas políticas e sociais, como relata "A história oficial", de Luis Puenzo, vencedora do Oscar de 1985.

O catálogo, que vai desde 1976 até este ano, será apresentado na próxima quinta-feira no Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires pelas Mães da Praça de Maio, a Assembleia pelos Direitos Humanos e o Serviço de Justiça e Paz, organizações ligadas à Memória Ativa.

Fonte: EFE


Fonte: Portal Vermelho em 30.05.2011.

domingo, 22 de maio de 2011

Filme: "Bróder" impressiona com retrato complexo da periferia

A câmara persegue desesperadamente três garotos que correm por entre as vielas e corredores estreitos do Capão Redondo. No entanto, aqui, eles não estão fugindo da polícia ou de traficantes. Trata-se de uma brincadeira, uma disputa para ver quem chega primeiro ao local combinado. É com essa visão lúdica da periferia que Jeferson De faz sua ótima estreia com Bróder. O longa se diferencia dos demais filmes de favela do cinema brasileiro.

Por Leonardo Vinicius Jorge

Após premiação da crítica no festival de Paulínia e de ganhar quase tudo em Gramado, a produção chegou ao circuito comercial neste 21 de abril e dá novo fôlego ao cinema nacional, fugindo um pouco do óbvio e dos temas batidos que foram se acumulando nos últimos anos.

Na história, três amigos de infância se reencontram depois de um período de distanciamento: Pibe (Sílvio Guindane) decidiu sair do Capão Redondo e se tornou corretor de imóveis, mas passa por problemas financeiros; Jaiminho (Jonathan Haagensen) virou jogador de futebol na Espanha e promessa de futuro craque da seleção brasileira; Macu (Caio Blat) continuou no bairro e está prestes a entrar no mundo do crime ao aceitar que sua casa seja o cativeiro de uma criança que será sequestrada.

Os três decidem aproveitar a festa de aniversário de Macu para reforçar a amizade e passar o dia juntos, passeando pelo bairro no qual cresceram. Mas a coisa complica quando os traficantes da área decidem aproveitar a passagem de Jaiminho para sequestrá-lo. É nessa hora que Macu precisará decidir qual atitude tomar: proteger o amigo ao custo de comprar uma dívida com os criminosos ou usar a situação como prova de sua coragem para entrar no grupo dos traficantes.

Capão Redondo em cena

Bróder é cheio de acertos, a começar pela escolha do Capão Redondo como locação. O bairro da Zona Sul da capital paulista não é apenas um ambiente para a história, mas um personagem do filme, além de servir como microuniverso do Brasil das contradições e das facetas multiculturais.

As situações mostram que Jeferson De tem muito mais dor de cabeça do que Spike Lee na hora de fazer críticas sociais e raciais. E a família de Macu mais uma vez mostra o homem da casa como um elemento fraco, simbolizando a ausência do Estado – uma metáfora frequente no cinema nacional.

Mas a interessante história (elaborada por Jeferson De em parceria com Newton Cannito), o olhar diferenciado e os belos planos e enquadramentos não seriam suficientes para sustentar o filme se não houvesse uma perfeita química entre os atores, e o elenco não decepciona.

Além da sempre competente Cássia Kiss, que interpreta a sofrida Dona Sônia, mãe de Macu, e Ailton Graça, no papel do padrasto inseguro e alcoólatra, Bróder funciona por conta de sua trinca de protagonistas.

Como o próprio diretor brinca, Bróder é sobre a família do Zé Pequeno (personagem do filme Cidade de Deus), é sobre como esses garotos se tornam “Zés Pequenos” diariamente. Aliás, há outro paralelo entre o filme de Jeferson De e de Fernando Meirelles: é em Bróder que conhecemos o verdadeiro “Trio Ternura”. Veja abaixo o trailer:



Fonte: Pipoca Moderna


Fonte: Site Portal Vermelho em 21.05.2011

segunda-feira, 11 de abril de 2011

"O Pasquim - A Subversão do Humor" - Documentário












Em 1969, ano particularmente duro no regime militar, surgiu no Rio de Janeiro "O Pasquim", tablóide que, com sua irreverência, humor e anarquia, daria uma nova roupagem e linguagem ao jornalismo brasileiro, uma forma mais coloquial à publicidade e causaria um forte abalo nos níveis da hipocrisia nacional. A TV Câmara conta no documentário "O Pasquim - a Subversão do Humor", através dos principais personagens desta história, como ele invadiu o Brasil, enfrentando a censura e a cadeia com o riso aberto, como se fosse mais uma das farras da turma de Ipanema.

Em O Pasquim, Jaguar, Ziraldo, Sérgio Cabral, Luiz Carlos Maciel, Marta Alencar, Miguel Paiva, Claudius, Sérgio Augusto, Reinaldo, Hubert lembram como se escreveu esta página da nossa história e Angeli, Chico Caruso, Washington Olivetto e Zélio como ela foi determinante para as páginas seguintes.

Ninguém ficou rico com a publicação, embora ela tenha vendido nos seus melhores tempos, entre 1969 e 1973, até 250 mil exemplares. Um volume acima do razoável, se lembrarmos que os jornais de tiragem nacional rodam hoje, mais de 30 anos depois, com toda a informatização, a facilidade de distribuição e as fortes campanhas de assinantes, cerca de 300 mil exemplares.

A verdade é que o comportamento da chamada Patota do Pasquim era tão anárquico quanto o conteúdo do jornal. E o que ganharam gastaram entre prisão, brigas, festas e altas dosagens etílicas. Bem que os militares e a elite brasileira tentaram sufocá-lo diversas vezes e de formas variadas mas, quando conseguiram, ele já havia disseminado uma nova forma de comportamento nos meios de comunicação. Como diz Jaguar, a imprensa tirou o paletó e a gravata, ou, como diz Olivetto, passamos a escrever e nos comunicar com língua de gente, do povo.

TV Câmara
Download do vídeo na íntegra (44') em:
http://www2.camara.gov.br/tv/chamadaExterna.html?link=http://www.camara.gov.br/internet/tvcamara/default.asp?selecao=conteudo&nome=baixe1

"A Guerra Que Você Não Vê" ("The War You Don't See") de John Pilger



Neste documentário, John Pilger expõe como os grandes meios de comunicação dos países imperialistas (assim como seus representantes nos países periféricos) manipulam as informações com o objetivo de justificar suas guerras de rapina e outras políticas contrárias aos interesses das maiorias populares. John Pilger revela como estes meios agem de modo orquestrado para beneficiar as políticas imperialistas dos Estados Unidos, por exemplo, e de seus agentes no Oriente Médio (Israel). A vida humana nada conta para estas potências imperialistas (ou sub-imperialistas) nem para a mídia que as defende. Nada está por cima dos interesses econômicos ou estratégicos militares dos estados e grupos econômicos que exergem a hegemonia política no planeta. As cenas das atrocidades cometidas no Iraque, no Afeganistão e na Palestina são amostras do grau de perversidade a que se pode chegar com o objetivo de garantir privilégios.

quarta-feira, 24 de março de 2010

O Centenário de Akira Kurosawa

23/03/2010

Do Blog de Gregório Macedo

Cem anos do Samurai

O cineasta Akira Kurosawa nasceu em Tóquio em 23.03.1910. Antes de se dedicar ao cinema, foi pintor e ilustrador – e bom ilustrador, a ponto de, anos depois, ele mesmo desenhar cenas diversas de seus filmes, especialmente paineis sobre batalhas.

Quando tinha 18 anos, Kurosawa foi surpreendido pelo suicídio de uma de suas irmãs, quatro anos mais velha, que trabalhava como “benshi” (narradora de cinema mudo) e não resistiu à extinção de sua profissão. Superada a crise (mas não a ‘compulsão’, que quatro décadas adiante irromperia), tempos depois foi contratado como assistente de direção; estreava, enfim, no cinema, que exercitou até o fim, em setembro de 1998.

Ligado em história, no perfil dos samurais, na busca da verdade e na honra do ser humano, dirigiu mais de trinta filmes. Entre 1950, quando ganhou o Leão de Ouro do Festival de Veneza com “Rashomon”, e 1990, em que foi homenageado com um Oscar pelo conjunto da obra, recebeu vários outros prêmios em festivais como os de Berlim e Cannes, em face de filmes consagrados, com destaque para “Dersu Uzala”, “Os Sete Samurais”, “Ran” e “Kagemusha, a Sombra de um Samurai”.

Fonte: Blog do Luis Nassif em 23.03.2010

___________________________________________

Akira Kurosawa, Kurosawa Akira, (Tóquio, 23 de Março de 1910 – Setagaya, 6 de Setembro de 1998) foi um dos cineastas mais importantes do Japão, e seus filmes influenciam uma grande geração de diretores do mundo todo. Com uma carreira de cinquenta anos, Kurosawa dirigiu 30 filmes. É amplamente considerado como um dos cineastas mais importantes e influentes da história do cinema. Em 1989, foi premiado com o Oscar pelo conjunto de sua obra "pelas realizações cinematográficas que têm inspirado, encantado, enriquecido e entretido o público em todo o mundo e influenciado cineastas de todo o mundo."[1]

Juventude

O mais novo de oito filhos de Shima e Isamu Kurosawa, nasceu num subúrbio de Tóquio em 23 de março de 1910.[2][3] Shima Kurosawa tinha 40 anos de idade na época do nascimento de Akira e seu pai, Isamu, tinha 45. Cresceu numa família com três irmãos mais velhos e quatro irmãs mais velhas. De seus três irmãos mais velhos, um morreu antes de Akira nascer e um já estava crescido e fora do lar. Uma das suas quatro irmãs mais velhas também havia deixado a casa para formar a sua própria família antes de Kurosawa nascer. A irmã que nascera logo antes de Kurosawa, a quem ele chamava de "Pequena Grande Irmã", também morreu repentinamente após uma curta doença quando ele tinha 10 anos de idade.

O pai de Kurosawa trabalhava como diretor de uma escola secundária dirigida pelos militares japoneses e os Kurosawas descendiam de uma linhagem de antigos samurais. Financeiramente, a família estava acima da média. Isamu Kurosawa gostava da cultura ocidental, dirigindo programas atléticos e levando a família para ver filmes ocidentais, que estavam naquela época apenas começando a aparecer nos cinemas japoneses. Mais tarde, quando a cultura japonesa se afastou dos filmes ocidentais, Isamu Kurosawa continuou a acreditar que os filmes foram uma experiência positiva de ensino.

Kurosawa inicialmente tentou ser pintor. Após se formar no Ginásio Keika, frequentou o Centro de Pesquisas de Arte Proletária no ano de 1928, aos 18 anos. A investida pictorial não funcionou, devido à falta de dinheiro, mas suas características artísticas o acompanharam durante toda a sua trajetória no cinema, onde ele pintava quadros como "storyboards" de seus filmes.[4] Mesmo assim continuou com sua paixão pelas artes, principalmente a literatura; de onde tirou inspiração para a grande maioria de suas obras. Sofreu também grande influência da irmã, Heigo, quatro anos mais velha, na sua paixão por cinema. Heigo trabalhava como Benshi, uma espécie de "narradora de filmes" do início do século no Japão. Infelizmente, com o advento dos filmes sonoros a profissão de narradora se tornou obsoleta, e Heigo viu-se sem emprego. O fato deprimiu tanto a irmã de Kurosawa que ela acabou se suicidando com um tiro no peito esquerdo aos 22 anos de idade. Kurosawa demorou para aceitar o ocorrido, mas se recuperou alguns anos depois e ingressou de vez na carreira cinematográfica. Em 1936 viu um anúncio no jornal para um teste de assistente de diretor e desde então não parou mais de trabalhar em filmes. De 1943 a 1965, foram vinte e quatro dirigidos por ele.

Seu primeiro trabalho foi Sugata Sanshiro (1943) e o último foi "Depois da Chuva" (Ame agaru) (1999) concretizado postumamente por Takashi Koizumi, seu discípulo. Foi o introdutor do gênero samurai no cinema, com temas como a honra acima de tudo. Sofrendo de fadiga mental em 1971, tentou frustradamente suicidar-se cortando os pulsos por mais de trinta vezes. Em 1985, o Festival de Cinema de Cannes homenageou-o pelo seu filme "Ran" do qual ele mesmo dizia que era a "obra de sua vida". "Ran" foi baseado em adaptações do livro Rei Lear de William Shakespeare. Kurosawa também adaptou obras do russo Dostoiévski. Muitos de seus filmes tiveram refilmagem na Europa e EUA.

Filmografia

* 1993 - Madadayo (br.: Madadayo; pt.: Ainda Não!)
* 1991 - Hachi-gatsu no kyôshikyoku (Rapsódia em Agosto)
* 1990 - Yume (Sonhos)
* 1985 - Ran (Os Senhores da Guerra)
* 1980 - Kagemusha (A Sombra de um Samurai)
* 1975 - Dersu Uzala (A Águia das Estepes)
* 1970 - Dodesukaden (O Caminho da Vida)
* 1965 - Akahige (O Barba Ruiva)
* 1963 - Tengoku to jigoku (Céu e Inferno)
* 1962 - Tsubaki Sanjûrô (Sanjuro)
* 1961 - Yojimbo (O Guarda-Costas)
* 1960 - Warui yatsu hodo yoku nemuru (Homem Mau Dorme Bem)
* 1958 - Kakushi toride no san akunin (A Fortaleza Escondida)
* 1957 - Donzoko (Ralé)
* 1957 - Kumonosu-jō (Trono Manchado de Sangue)
* 1955 - Ikimono no kiroku (Vivo no Medo)
* 1954 - Shichinin no samurai (Os Sete Samurais)
* 1952 - Ikiru (Viver)
* 1951 - Hakuchi (O Idiota)
* 1950 - Rashōmon (Às Portas do Inferno)
* 1950 - Shubun (O Escândalo)
* 1949 - Nora Inu (Cão Danado)
* 1949 - Shizukanaru ketto (Duelo silencioso)
* 1948 - Yoidore tenshi (O Anjo Embriagado)
* 1947 - Subarashiki nichiyobi
* 1946 - Waga seishun ni kuinashi (Não Lamento Minha Juventude)
* 1946 - Asu o tsukuru hitobito
* 1945 - Tora no o wo fumu otokotachi
* 1945 - Zoku Sugata Sanshiro
* 1944 - Ichiban utsukushiku
* 1943 - Sugata Sanshiro (A Saga do Judô)


Prêmios e indicações

* Ganhou um Oscar honorário em 1990, concedido pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.
* Recebeu uma indicação ao Oscar de Melhor Diretor, por "Ran" (1985).
* Ganhou o BAFTA de Melhor Filme Estrangeiro, por "Ran" (1985).
* Recebeu uma indicação ao BAFTA de Melhor Filme, por "Kagemusha, a Sombra de um Samurai" (1980).
* Ganhou o BAFTA de Melhor Diretor, por "Kagemusha, a Sombra de um Samurai" (1980).
* Recebeu uma indicação ao BAFTA de Melhor Roteiro Adaptado, por "Ran" (1985).
* Recebeu 2 indicações ao Cesar, na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, por "Kagemusha, a Sombra de um Samurai" (1980) e "Ran" (1985). Venceu em 1980.
* Ganhou a Palma de Ouro, no Festival de Cannes, por "Kagemusha, a Sombra de um Samurai" (1980).
* Ganhou o Urso de Prata, no Festival de Berlim, por "A Fortaleza Escondida" (1958).
* Ganhou o Prêmio FIPRESCI, no Festival de Berlim, por "A Fortaleza Escondida" (1958).
* Ganhou o Leão de Ouro, no Festival de Veneza, por "Rashomon" (1950).
* Ganhou o Leão de Prata, no Festival de Veneza, por "Os Sete Samurais" (1954).
* Ganhou o Prêmio OCIC, no Festival de Veneza, por "O Barba Ruiva" (1965).
* Ganhou um Leão de Ouro, em homenagem à sua carreira, no Festival de Veneza.
* Ganhou o Prêmio Bodil de Melhor Filme Europeu, por "Ran" (1985).


terça-feira, 2 de março de 2010

Brasília tem o menor cinema do mundo – Cabíria Cine-Café

O Cabíria Cine-Café, considerado o menor cinema do mundo pelo Guiness Book, edição 2010, é um local interessante para conhecer e apreciar bons filmes, e o melhor – zerooitocentos, de graça. Mas é aconselhável levar uma graninha, pois o lugar tem comidinhas deliciosas e uma cerveja honesta. O mini-cine, que recém completou um ano, também oferece curso de barista e abre para exposições, saraus, exibições de produção independente, festival de curtas, entre outras atividades Cult-urais. Às terças-feiras, rola o Cabíria Champagne, com uma impecável contribuição musical do Dj Oops (Só Som Salva) e, como convidados para cantar em sua vitrola-super-in, sumidades que vão de Ella Fitzgerald a Piaf, de Roberto Carlos a Frank Sinatra. E tudo isso entre uma tacinha de espumante de cinco contos a outra e, claro, acompanhada de uma comidinha-preço-amigo. Durante os outros dias da semana, quase sempre rola uma bandinha legal, uns poetas-não-chatos e o local enche com pessoas sorridentes e falantes.

Segundo Renata Agostinho, a piloto da nau, ” O Cabíria é um espaço aberto à arte em todas as suas expressões, não só o Cinema. Aqui, cada dia é mais um capítulo, mais uma cena de uma história feliz – e inusitada.” O Cabíria fica na 413 Norte e funciona das 18h a uma da manhã e é tooodo decorado com o temas da sétima arte, um mimo.

PROGRAMAÇÃO DA SEMANA

TERÇA , 2/MARÇO

CABÍRIA CHAMPAGNE

QUARTA , 3/MARÇO

CINEMA RESERVADO!!!*

QUINTA, 4/março

“JANELA DA ALMA”

titulo original: (Janela da Alma)

lançamento: 2002 (Brasil)

direção: João Jardim , Walter Carvalho

atores: José Saramago , Wim Wenders , Hermeto Pascoal , Antônio Cícero , Paulo Cezar Lopes

duração: 73 min

SEXTA, 5/MARÇO

CINEMA RESERVADO!!!*

SÁBADO, 6/MARÇO

“PERSÉPOLIS”

(Persepolis)

lançamento: 01/01/2007

direção: Vincent Paronnaud , Marjane Satrapi

duração: 95 min

Animação.


Para saber mais sobre o Menor Cinema do Mundo, acesse: http://cabiriacinecafe.blogspot.com.


Fonte: Site da Marina Mara

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Dica de Filme: "Os Irmãos Cara-de-Pau" - 1980



Sinopse

Após deixar a cadeia Jake (John Belushi) reencontra seu irmão Elwood (Dan Aykroyd) e juntos vão para o orfanato onde foram criados. Lá eles descobrem que o local será fechado se uma dívida de US$ 5 mil com a prefeitura não for paga. Como a freira (Kathleen Freeman) que dirige o orfanato não aceita de forma alguma dinheiro ganho desonestamente, Jake e Elwood decidem por retomar a The Blues Brothers Band, na intenção de realizar um grande show e arrecadar a quantia necessária para pagar a dívida.



Ficha Técnica

Título Original: The Blues Brothers
Gênero: Musical
Tempo de Duração: 131 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 1980
Estúdio: Universal Pictures
Distribuição: Universal Pictures / UIP
Direção: John Landis
Roteiro: Dan Aykroyd e John Landis
Produção: Robert K. Weiss
Música: Elmer Bernstein
Fotografia: Stephen M. Katz
Desenho de Produção: John J. Lloyd
Direção de Arte: Henry Larrecq
Figurino: Deborah Nadoolman
Edição: George Folsey Jr.


Elenco

John Belushi ("Joliet" Jake Blues)
Dan Aykroyd (Elwood Blues)
James Brown (Reverendo Clophus James)
Cab Calloway (Curtis)
Ray Charles (Ray)
Aretha Franklin (Sra. Murphy)
Steve Cropper (Steve "Coronel" Cropper)
Donald Dunn (Donald "Duck" Dunn)
Murphy Dunne (Murphy)
Willie Hall (Willie Hall)
Tom Malone (Tom Malone)
Lou Marini ("Blue Lou" Marini)
Matt Murphy (Matt Murphy)
Alan Rubin (Sr. Fabulous)
Carrie Fisher (Mulher misteriosa)
John Candy (Burton Mercer)
Kathleen Freeman (Irmã Maru Stigmata)
Steve Lawrence (Maury Sline)
Henry Gibson (Nazista)
Jeff Morris (Bob)
Charles Napier (Tucker McElroy)
Steven Williams (Trooper Mount)
Frank Oz (Guarda da prisão)
Steven Spielberg (Recolhedor de impostos)


Curiosidades

- Esta é a 2ª vez em que o diretor John Landis e o ator John Belushi trabalharam juntos. A anterior fora em Clube dos Cafajestes (1978).

- Esta foi o 1º de 7 filmes em que o diretor John Landis e o ator Dan Aykroyd fizeram juntos. Os demais foram Trocando as Bolas (1983), No Limite da Realidade (1983), Spies Like Us (1985), Um Romance Muito Perigoso (1985), Os Irmãos Cara-de-Pau 2000 (1998) e Plano de Risco (1998).

- Este foi o 2º de 3 filmes em que Dan Aykroyd e John Belushi atuaram juntos. Os demais foram 1941 - Uma Guerra Muito Louca (1978) e Neighbors (1981).

- Os Irmãos Cara-de-Pau na época de seu lançamento bateu o recorde de número de carros batidos em um filme.

- Os Irmãos Cara-de-Pau usou em suas filmagens 60 carros de polícia, 78 dublês e possuía um elenco de 91 atores.

- Foram usados 13 Bluesmobile durante as filmagens de Os Irmãos Cara-de-Pau.

- Os diretores Steven Spielberg, Frank Oz e o próprio John Landis aparecem em pequenas pontas.

- A atriz Carrie Fisher foi a apresentadora do 1º episódio do programa "Saturday Night Live" em que os irmãos cara-de-pau apareceram.

- Toda vez que a janela do apartamento de Elwood é mostrada em cena um trem está passando do lado de fora.

- O orçamento de Os Irmãos Cara-de-Pau foi de US$ 27 milhões.

- Seguido por Os Irmãos Cara-de-Pau 2000 (1998).



Alguns clipes das músicas do filme

James Brown (Chaka Kan também aparece rapidamente junto aos integrantes do coral)



Ray Charles



John Lee Hooker



The Blues Brothers Band




Fonte: Site Adoro Cinema

terça-feira, 9 de setembro de 2008

"Alphaville" de Jean-Luc Godard


Certa vez, o renomado cineasta Werner Herzog disse: “Filmes como os de Godard são moeda intelectual falsificada quando comparados a um bom kung fu de Hong Kong”. Em parte tal afirmação é verídica, a carreira de Godard entrou em total declínio a partir da década de 70. No entanto, Godard, nos anos 60, realizou obras-primas sucessivas a obras-primas, tornando-se talvez o maior expoente dessa década.

Alphaville é um filme de 1965, isto é, situado no meio do auge da carreira do diretor. Uma das principais qualidades da obra foi seu pioneirismo em misturar "Sci-Fi" mais "Noir", tornando-o uma ficção surreal e altamente poética. Nele, um jornalista interpretado por Akim Tamiroff deve realizar uma matéria. No decorrer da película, esse mostra sua verdadeira cara e, de jornalista, passa para justiceiro, agora com a missão de encontrar o colega de profissão Henry Dickson e investigar o desaparecimento de outros cinco agentes. Tudo se passa em uma cidade pertencente a outra galáxia, com o nome de Alphaville. Nela toda a sociedade é comandada por uma tirano supercomputador denominado Alpha 60. Tal máquina comanda uma “sociedade técnica, como a dos cupins e formigas”, governando de forma cruel e arbitrária, deixando seus habitantes como legítimos zumbis, completamente alienados e sem sentimentos.

Godard se cercou de elementos literários encontrados em "Admirável Mundo Novo", de Aldous Huxley e principalmente do livro "1984", de George Orwell. Um futuro autoritário com restrição vocabular e um super-olho onipresente. A bíblia de Alphaville é um dicionário e esse passa por constantes alterações, com objetivo de oprimir a população e mantê-la ignorante. Para o supercomputador, pessoas normais não têm lugar nessa cidade e não merecem viver, para isso, há duas alternativas: o suicídio ou a recuperação em um “hospital”.

O protagonista pertence aos chamados “países exteriores”, aparentemente sociedades opostas a Alphaville. Ele deve convencer o professor Von Braun a retornar à sua terra natal, e caso ele rejeite deverá ser assassinado. Para essa missão, Natasha (Anna Karina), a filha do pesquisador, contribuirá com o justiceiro. Outra grande qualidade que vale salientar são os belíssimos diálogos e a sociedade ignorante montada pelo cineasta. Filme imprevisível e denso, com caráter sublime e futurista.

O Alpha 60 lembra muito HAL 9000 de "2001: Uma Odisséia no Espaço", ambos com uma inteligência fora do comum e uma ambição sem fim. Akim Tamiroff interpreta um dos personagens mais frios do cinema, juntamente a uma climatização noir lotada de características noturnas e sombrias. Toda essa ambientação extremamente ousada de Godard rendeu o Urso de Ouro de Melhor Filme do Festival de Berlim. Anna Karina em um de seus melhores personagens com seu marido, o próprio diretor do filme, à época. Trilha sonora oscilante e com alto teor romântico, um dos grandes clássicos da década de 60 e um dos melhores Godard já feitos.


Fonte: Site www.cineplayers.com

sábado, 26 de julho de 2008

Filme: "XXY" de Lucía Puenzo


Argentina/França/Espanha - 2007. Dir.: Lucía Puenzo. Distr.: Imovision - AA+
25/07/2008

AAA Excepcional / AA+ Alta qualidade / BBB Acima da média / BB+ Moderado / CCC Baixa qualidade / C Alto risco




Num vilarejo litorâneo do Uruguai, uma hermafrodita de 15 anos enfrenta o dilema de uma eminente metamorfose sexual. Relutante em prosseguir com a terapia hormonal recomendada, a protagonista (Inés Efron) viverá um conturbado romance com um rapaz argentino, filho, justamente, do cirurgião plástico que discute com sua família as possibilidades de uma operação. Passível de controvérsias, o tema (raro, senão inédito no cinema) ganha um tratamento tão sutil quanto politicamente correto - o que não chega a comprometer o realismo da trama. Dirigido pela estreante Lucía Puenzo, o filme recebeu 17 prêmios internacionais, incluindo o Goya de filme estrangeiro e 2 prêmios especiais na edição 2007 do Festival de Cannes.


Resumo do filme XXY de Lucia puenzo - Por Karolline Pacheco Santos

O filme XXY da cineasta argentina Lúcia Puenzo traz como enredo a questão da sexualidade através da história de Alex, um(a) jovem intersexual (vulgarmente chamados de hermafroditas, ou seja, que apresentam os dois órgãos sexuais) e que se vê constantemente em conflito com a idéia de optar por um dos sexos e gêneros; caso ainda mais agravado pela presença de um cirurgião e sua família, convidados pela mãe d@ jovem com a idéia de uma possível cirurgia de redesignação sexual, e sua relação com o filho do casal que aflora ainda mais seus desejos e dúvidas quanto à idéia de escolher um ‘lado’. Alex entra em um embate consigo e com as relações estabelecidas que são influenciadas pela sua situação, o dilema da sexualidade como identidade e o próprio preconceito por parte dos outros.

Mas o dilema de Alex traz o confronto daquilo que é freqüentemente aceito e que foi naturalizado, mas vem sendo problematizado, discutido fora da idéia de norma e da concepção de natural que foi atribuída às questões de sexo e gênero. Há uma tênue divisão entre sexo e gênero que precisa ser resgatada e repensada (e foi através de movimentos como o feminismo e de autores de linha pós-estruturalista), mas em si funcionam da mesma forma como “invenções sociais, que sublinha um dado biológico cuja importância, culturalmente variável, torna-se um destino natural e indispensável para a definição dos corpos. Isto significa que a materialidade do corpo existe, porém a diferença entre os sexos é uma atribuição de sentido dada aos corpos” (SWAIN, 2000, p. 50).

Seguindo autores como Butler, inclusive o sexo entra como discursivo além da noção de gênero e que define atribuições e papéis em uma estrutura binária que limita a própria manifestação plural do sujeito e funciona como um dos vários pontos de relações de poder e controle. Práticas interiorizadas transformadas em regimes de verdade que inserem nos corpos discursos definidores que relacionam sexo e gênero como identidades fixas; concepções de masculinidade, feminilidade e heterossexualidade são tidas como verdades e tudo que foge a essa esfera normativa de uma realidade construída é combatido essencialmente através de preconceitos “A história do Ocidente naturaliza as relações e as funções atribuídas a mulheres e a homens, recriando-as e desenvolvendo uma política de silenciamento, que apaga a diferença, o plural e o múltiplo do humano. Neste sentido, a noção de diferença é historicamente construída” (SWAIN, 2000, p. 49).

Assim Alex encontra-se no limbo, em ter que escolher uma identidade sexual, passar por uma cirurgia de redesignação sexual(castração ou mutilação) e se adequar as normas que regem o masculino/feminino que tolhe essa pluralidade do ser humano; e como proposta de discussão problematizar a forma que essas relações heterossexuais e sua premissa essencial de macho/fêmea opera a complexidade que envolve a sexualidade e suas ilimitadas formas marginalizadas por esse padrão tido como normal e motor de diversos preconceitos.

Karolline Pacheco Santos é estudante de História do 2o Semestre.


Fonte: Jornal "Valor Econômico" de 25.07.2008

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Sem a bênção do vovô


A sombra de Jorge Amado: "Minha única preocupação é ser fiel ao seu olhar humanista. Meu avô gostava e acreditava nas pessoas", afirma a diretora Cecília Amado - Niels Andreas/Folha Imagem

Por Elaine Guerini, para o Valor, de São Paulo
20/06/2008


Para não se chatear, Jorge Amado preferia não ver as versões cinematográficas de seus sucessos literários, como "Dona Flor e Seus Dois Maridos" (Bruno Barreto), "Jubiabá" (Nelson Pereira dos Santos) e "Tieta do Agreste" (Carlos Diegues), entre outros títulos baseados na obra do escritor, ainda hoje o mais popular no Brasil. "Quando o cineasta era seu amigo, aí que ele não assistia mesmo. No fundo, ele odiava as adaptações", conta Cecília Amado, neta do autor baiano que morreu em 2001, aos 88 anos. Saber que o avô dificilmente aprovaria a transposição de "Capitães de Areia" para as telas é o que, ironicamente, deixa Cecília à vontade para traduzir em imagens as páginas do romance publicado em 1937. "Minha única preocupação é ser fiel ao seu olhar humanista. Meu avô gostava e acreditava nas pessoas."

Aos 31 anos, Cecília estréia na cadeira de diretor nessa adaptação do livro que vendeu mais de 5 milhões de exemplares ao redor do mundo, com publicação em 16 línguas. Por "registrar a juventude num estado de liberdade bruto", o livro sobre meninos abandonados que aterrorizam Salvador - mas não passam de crianças sedentas de afeto - foi aquele que marcou a sua adolescência. "A história continua relevante nos dias de hoje. A violência não é tão explícita, partindo para o corpo-a-corpo, mas mascarada, gerada pela desigualdade social", afirma Cecília, que inicia as filmagens entre setembro e outubro na capital da Bahia.

Relançado em março pela Companhia das Letras, "Capitães de Areia" foi escrito quando Amado tinha 24 anos. "Por ser tão jovem na época, obviamente há uma certa ingenuidade no romance, o que o impede de ser traduzido ao pé da letra no cinema." Por essa razão, a diretora preferiu ambientar a trama nos anos 1950, quando a Bahia já estava mais desenvolvida - o que inevitavelmente agravou a questão da violência. O que não muda é o perfil dos personagens, como Pedro Bala, o líder dos arruaceiros, Volta Seca, que sonha se tornar cangaceiro, o malandro Gato, que acaba conquistando a prostituta Dalva, e Dora, considerada uma mãe pelos meninos. "Já o tratamento é contemporâneo e jovem. Há um frescor na linguagem, no visual e na música." A cineasta encarregou Carlinhos Brown da trilha sonora. "Queria uma leitura atual da baianidade."

Para dar autenticidade ao roteiro, que Cecília escreveu com Hilton Lacerda ("Árido Movie"), a diretora busca o elenco nas ONGs de Salvador. A princípio, 90 crianças e adolescentes foram escolhidos entre os meninos de rua que estudam teatro, artes, música e capoeira. E no processo final da seleção, em andamento, 12 serão escalados para os papéis principais e 15 formarão o elenco de apoio. "Fiz tudo de maneira artesanal, para que mesmo os técnicos estivessem envolvidos até a alma com os garotos. Isso precisa estar impregnado no filme", conta a cineasta, que ganhou experiência nos sets de "Batismo de Sangue" (2006), "Jogo Subterrâneo" (2005), "Onde Anda Você" (2004) e "Mauá - O Imperador e o Rei" (1999), como assistente de direção.



--------------------------------------------------------------------------------
Patrícia Pillar, Alice Braga e Lázaro Ramos estão na mira dos produtores para os principais papéis adultos do longa-metragem
--------------------------------------------------------------------------------



O primeiro filme em que trabalhou foi, coincidência ou não, "Tieta do Agreste", inspirado na obra de Amado, no qual Cecília começou como assistente de continuidade. "Na época, a reação do meu avô me surpreendeu", lembra-se. Por mais que toda a família esperasse vê-la enveredando pela literatura, o escritor ficou feliz quando soube de sua paixão pelo cinema. "Ele revelou que tinha pensado em ser cineasta também. Talvez por isso seus romances sejam tão cinematográficos, com tanta riqueza de detalhes na descrição visual dos cenários, dos personagens e das situações."

Por mais que sua intenção seja a de realizar um filme de arte, Cecília acredita no potencial comercial dessa versão de "Capitães de Areia", orçada em R$ 7 milhões. "Por ser o livro mais vendido de meu avô, a adaptação gera um interesse espontâneo. Tanto no Brasil quanto no exterior", diz. O elenco ainda não está confirmado, mas os papéis adultos devem cair nas mãos de atores conhecidos, o que promete atrair mais espectadores aos cinemas nacionais. "Convidamos Patrícia Pillar para interpretar Dora, Alice Braga para encarnar Dalva e Lázaro Ramos para viver o Querido-de-Deus", conta o produtor Bruno Stroppiana, da Sky Light Cinema. Ele lembra que o filme brasileiro de maior bilheteria de todos os tempos também foi baseado na obra de Amado: "Dona Flor e Seus Dois Maridos", que levou mais de 10,7 milhões pessoas aos cinemas.

Tudo isso só reforça a expectativa em torno de "Capitães de Areia", que promete ser uma co-produção com a França e com Portugal. "A produtora francesa Art-Melle e a portuguesa MGN estão interessadas no projeto." Stroppiana comenta ainda que a última adaptação de um livro de Amado, "Tieta do Agreste" (outra produção da Sky Light), gerou cerca de US$ 1 milhão em vendas internacionais. "Segundo pesquisas, o romance 'Capitães de Areia' ainda vende 5 mil exemplares por ano na França, o que é excelente para um título com mais de 70 anos."

Essa não será a primeira adaptação da história dos meninos que não conseguem preencher o vazio existencial por causa do abandono. Talvez a versão mais famosa no país seja a minissérie de TV, exibida pela Bandeirantes, com direção de Walter Lima Jr., em 1989. E a popularidade da obra também se estendeu aos palcos, aos quadrinhos e mesmo ao cinema. Foram várias montagens teatrais, como a adaptação assinada pelo padre Valter Souza, de 1958, em Salvador; a de Carlos Wilson, que circulou pelo Brasil e pelo exterior em diferentes períodos; e a de Roberto Bomtempo, de 2002. "Capitães de Areia" também inspirou espetáculos de dança na Alemanha, em 1971, em Minas e na França, em 1988, e na Argentina, em 1987 - além de virar uma história em quadrinhos, assinada por Ruy Trindade e publicada pela Secretaria da Cultura e Turismo do Estado da Bahia em 1995.

A versão para o cinema, batizada de "The Sandpit Generals", do americano Hall Bartlet, praticamente não conta - apesar de a produção de 1971 ter conquistado um prêmio importante no Festival de Moscou. "O filme nunca foi exibido em circuito comercial nem no Brasil nem nos Estados Unidos. E ainda revela um olhar estrangeiro sobre a trama", comenta Cecília. "Só alguém que conhece bem o imaginário popular em que a história está inserido pode entender profundamente a obra."


Fonte: Jornal "Valor Econômico" de 20.06.2008