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terça-feira, 3 de março de 2009

José Gabriel da Costa: Trajetória de um brasileiro, Mestre e Autor da União do Vegetal


Sérgio Brissac

1. Introdução

Este texto visa traçar a trajetória de José Gabriel da Costa, fundador da União do Vegetal, e relacioná-la com aspectos da especificidade cultural brasileira. Acompanhando o percurso de sua vida, é possível tecer uma ampla rede de relações com diversas configurações culturais presentes na sociedade brasileira. Este texto restringir-se-á a uma breve exposição dessa trajetória, através do recurso às poucas fontes de informação disponíveis, limitando-se a apontar somente algumas possíveis linhas de investigação, a serem desenvolvidas oportunamente[1].

Em 22 de julho de 1961, José Gabriel da Costa, chamado por seus discípulos de Mestre Gabriel, fundou a União do Vegetal, a UDV, na Amazônia, em região próxima à fronteira entre o Brasil e a Bolívia. . Como centro da atividade religiosa do grupo está a ingestão da Hoasca ou Vegetal, chá obtido a partir de duas plantas, um cipó denominado mariri, Banisteriopsis caapi, e um arbusto chamado chacrona, Psychotria viridis. No ano de 1965, José Gabriel da Costa mudou-se para Porto Velho, onde consolidou a União recém-fundada. Em 1967, após incidentes de perseguição policial ao grupo em Porto Velho, é encaminhada a constituição de uma entidade civil, primeiramente denominada Sociedade Beneficente União do Vegetal, adotando depois o nome definitivo de Centro Espírita Beneficente União do Vegetal. Ainda em vida de Mestre Gabriel, foi fundado o núcleo de Manaus e em 1972, um ano após seu falecimento, já se inaugurou o núcleo de São Paulo. Em 1998, havia em torno de 70 núcleos espalhados por todo o Brasil, totalizando aproximadamente 7 mil sócios.

2. José, o menino de Coração de Maria

No dia 10 de fevereiro de 1922, na localidade de Coração de Maria, próxima a Feira de Santana, Bahia, nasce José Gabriel da Costa. Filho de Manuel Gabriel da Costa e Prima Feliciana da Costa, José nasce em uma numerosa família de treze irmãos: João, Dionísio, Otacílio, Pedro, Romão, Maria, “Miúda”, José Gabriel, “Sinhá”, Alfredo, Antônio, Maximiano, Hipólito[2]. No livro União do Vegetal: Hoasca; Fundamentos e Objetivos, o único texto editado para o grande público até o momento pela instituição, apenas três páginas tratam da vida do fundador da UDV. Assim, tivemos de buscar informações junto a parentes e outras pessoas que com ele conviveram, além de pesquisar no jornal Alto Falante, do Departamento de Memória e Documentação da UDV.

Segundo seus parentes, desde pequeno, José já se destacava como alguém especial. Contam que ainda criança, ele auxiliou uma mulher com dificuldades de parto. O bebê se encontrava mal posicionado e a parteira temia que morressem mãe e filho. José entra no quarto, manda todos saírem, tranca a porta e logo em seguida a destranca. Quando o menino abre a porta, simultaneamente nasce a criança.

Na década de 20, o menino José cresce em um meio rural fortemente marcado pelo catolicismo popular. Uma recordação que narram de sua infância é que o “garoto ia aos domingos à igreja de sua cidade e levava com ele um barbante. Durante a missa, amarrava as pessoas umas às outras, pelos passantes das roupas, sem que elas percebessem”[3]. Nas chamadas, hinos entoados durante o ritual da UDV, há referências constantes a Jesus e a vários santos católicos: a Virgem da Conceição, São João Batista, a Senhora Santana, São Cosmo e São Damião.

Aos 13 anos de idade, em 1935, José vai trabalhar em Salvador. Emprega-se em diversos estabelecimentos comerciais. Aos 18 anos, presta serviço militar voluntariamente na Polícia Militar da Bahia, chegando em poucos meses à patente de cabo de esquadra. Segundo seu irmão Antônio, atualmente também mestre na UDV, José Gabriel “conheceu todas as religiões, conheceu os terreiros de Salvador, andou por todas as religiões procurando a realidade”[4]. Segundo outro mestre, José iniciou na “ciência espírita” com apenas 14 anos. Provavelmente, esta informação refere-se à participação de José em terreiros de candomblé, e não em centros kardecistas, com os quais entretanto ele também entrou em contato, só que posteriormente, ainda quando morava em Salvador.

Segundo o pesquisador Afrânio Patrocínio de Andrade, José Gabriel freqüentou sessões espíritas kardecistas na Bahia[5] . Foi, aliás, em Salvador que teve início o espiritismo kardecista no Brasil, no ano de 1865. Luís Olímpio Teles de Menezes fundou nesse ano o centro espírita Grupo Familiar do Espiritismo[6]. De acordo com Patrocínio de Andrade, certos temas recorrentes na União do Vegetal poderiam ter sido colhidos do espiritismo kardecista. Antes de mais nada, a visão reencarnacionista, um dos eixos fundamentais da visão de mundo da UDV. Assim como o lema “Luz, Paz e Amor”, denominado o “símbolo da União”, poderia provir dos temas espíritas da “luz interior”, da “paz de espírito” e do “amor ao próximo” (ou caridade). A própria ênfase na “União” é freqüente entre os espíritas no Brasil.[7]

3. O capoeirista

Segundo declarações de familiares, o jovem José foi considerado pelos prosadores populares um dos melhores da região. Como cantador repentista teve sucesso inclusive em Alagoas e Sergipe. Também se destacou na capoeira, chegando a ser considerado um dos melhores do Nordeste. O livro de Ruth Landes, A cidade das mulheres, nos auxilia a traçar um panorama dos ares soteropolitanos da década de 30, que José tantas vezes respirou. A autora é levada por Edison Carneiro para assistir uma capoeira. Ela descreve detalhadamente a seqüência do jogo, e em certo momento, observa: “silenciados os ecos do desafio, terminada a rodada, os dois homens andavam e corriam sem descanso em sentido contrário aos ponteiros do relógio, um atrás do outro, o campeão à frente com os braços levantados”[8]. É interessante notar que no ritual da UDV a circulação das pessoas no salão se faz também no sentido anti-horário, pois “este é o sentido da força”. Na capoeira, José cultiva uma série de habilidades postas em prática posteriormente, em suas experiências de incorporação nos toques de caboclo como Sultão das Matas. Do mesmo modo, tais habilidades também foram exercitadas como Mestre da UDV.

Evocadora desse ambiente capoeirista é a cantiga de domínio público gravada por Nara Leão, às vezes tocada em sessões da UDV:

“Minino, quem foi teu mestre?

Meu mestre foi Salomão.

A ele devo dinheiro,

saber e obrigação.

O segredo de São Cosme

quem sabe é São Damião, olê

Água de beber, camarada

água de beber, olê

Água de beber, camarada

faca de cortar, olê

Faca de cortar, camarada,

Ferro de engomar, olê

Ferro de engomar, camarada

Perna de brigar, olê

Perna de brigar, camarada.

Minino, quem foi teu mestre?”[9]

Parece estar relacionada à capoeiragem a decisão do jovem José de viajar da Bahia para o Norte. De acordo com relato de seu filho Carmiro da Costa, em 1943 José envolve-se num conflito. Um amigo seu, de nome Mário, tem o pé pisado por um policial. José Gabriel “compra a briga do Mário”. Este foge e os policiais seguram José. Num golpe de destreza, ele consegue se desvencilhar dos policiais. Segue para um navio, para onde tinha ido se refugiar o amigo Mário. Os dois se alistam no “Exército da Borracha” e rumam para o Norte no navio Pará, da frota do Lloyd Brasileiro. Chegando a Manaus, embarcam no navio Rio Mar, com destino a Porto Velho, onde chegam no dia 13 de setembro de 1943. Os dois vão juntos para o trabalho na seringa e fazem um “pacto de amigo”, de só se separarem pela morte. No seringal, José Gabriel cumpre até o fim esse pacto, cuidando de Mário, que adoece com leishmaniose. Chega a carregar Mário nas costas por vários quilômetros. Quando o doente morre, seu amigo sozinho o enterra na floresta.[10] Tudo indica que Mário era companheiro de capoeira de José Gabriel. No mundo da capoeiragem na época, a ética dos grupos sublinhava a importância da solidariedade e fidelidade entre os camaradas. E eram freqüentes os conflitos entre os grupos, com a polícia ou com indivíduos de outros segmentos da sociedade. Em dissertação acerca da capoeira no Rio de Janeiro de 1890 a 1937, Antonio Pires afirma que “as relações de conflito e solidariedade na capoeiragem estiveram permanentemente relacionadas com os conflitos mais gerais da sociedade”[11]. Parece que já se esboça nesse tempo a preocupação de José Gabriel com a “justiça”. Sua participação na capoeiragem em Salvador não conflita com seu engajamento profissional, primeiramente como comerciário e depois como enfermeiro. Como observa Antonio Pires quanto à capoeira no Rio, “a maioria dos capoeiras comprovaram manter vínculos com o ‘mundo do trabalho’, descaracterizando o estereótipo de vadios construído em relação a eles.”[12]

4. O seringueiro do Exército da Borracha

Chegando no Território de Guaporé, atual Estado de Rondônia, José Gabriel se insere num ambiente com uma configuração ecológica e sócio-cultural bem distinta da Cidade de Salvador. O extrativismo da borracha, depois de seu período de boom, entre 1890 e 1912, havia em seguida atravessado uma fase de declínio, devido à concorrência no mercado internacional da borracha extraída na Ásia. Com a Segunda Guerra Mundial, apresentou-se a necessidade de borracha para os exércitos Aliados. Com a assinatura de acordos com os Estados Unidos, o Governo Vargas iniciou uma ampla campanha de recrutamento de trabalhadores, principalmente nordestinos, para a extração gomífera no Norte. Foi criado o SEMTA, Serviço Especial de Mobilização de Trabalhadores para a Amazônia, que, somente no ano de 1943, encaminhou 13 mil pessoas, segundo dados oficiais[13].

No mesmo ano de 1943, José Gabriel integra essa massa de trabalhadores nordestinos que se lançam como “brabos” nos seringais amazônicos. “Brabo é gente que nunca cortou seringa, nunca andou na floresta. Sofremos muito, como brabo” - declara Pequenina, esposa de José Gabriel[14]. O sofrimento daqueles homens, submetidos a condições de vida e trabalho extremamente penosas, em um ambiente desconhecido, sem o auxílio governamental prometido pela propaganda oficial, ficou bem marcado na memória dos sobreviventes da “batalha da borracha”. A antropóloga Lúcia Arrais, que está elaborando sua tese de doutorado a respeito dos soldados da borracha, recolheu o seguinte depoimento, de um Sr. Chico, ex-soldado da borracha, que bem se assemelha ao da esposa de José Gabriel: “.... a casa dele era bem pequenininha num tinha onde a gente dormir. Dormimo no teto mermo. Carapanã! Carapanã, Lúcia! e agora, a comida? Tudo brabo, tudo... a gente já tinha deixado a Companhia [SEMTA] já... Aí fiquemo aí sofrendo.. fiquemo jogado que nem cachorro na beira do rio... [Qual?] era o Solimões acima de Tefé. Aí eu disse: ‘ombora pessoal! vamo meu povo!, bora cuidar!, bora se virar’.”[15] Arrais observa que aqueles que conseguiram sobreviver a condições tão adversas foram homens de significativa inteligência e iniciativa, que conseguiram adaptar seus esquemas de percepção e recursos cognitivos à nova realidade em que se encontravam: “Numa atitude de quem vive em estado de autodefesa permanente, o Sr. Chico diz: ‘ombora pessoal! bora se virar!’. E então escolhem uma linha de ação onde predomina a iniciativa e a coragem. Onde prevalece a concentração dos recursos da percepção, da memória e da atenção para dirigir esforços na descoberta de meios capazes de resolver a questão.”[16] José Gabriel foi um desses homens de aguda inteligência e destreza, que não somente conseguiu sobreviver como chegou a ser considerado pelos seus companheiros como o “Tuxáua”, o seringueiro que coletava maior quantidade de seringa na região. Tais êxitos eram acompanhados de dureza e sofrimento, como quando José Gabriel pisou em uma arraia, e teve de passar “um ano e dez meses sem poder andar, de muleta”.[17]

5. O ogã do terreiro de Chica Macaxeira

Depois de trabalhar um tempo no seringal, José Gabriel muda-se para Porto Velho, onde fica trabalhando como servidor público, enfermeiro no Hospital São José. Conhece, em 1946, Raimunda Ferreira, chamada Pequenina, com quem se casa no ano seguinte. Em Porto Velho, “Seu” Gabriel atendia pessoas em sua casa, pois jogava búzios. Mais tarde, se torna Ogã e Pai do Terreiro de São Benedito, de Mãe Chica Macaxeira[18]. Esse terreiro foi citado por Nunes Pereira[19], que o visitou, possivelmente em meados da década de 60 ou no início dos anos 70. O pesquisador maranhense reconhece o terreiro de Porto Velho como sendo da tradição mina-jeje, oriundo da Casa das Minas. “Os toques, inegavelmente, tinham a rítmica que me era familiar não só da Casa das Minas, de São Luís do Maranhão, como do Bogum de Mãe Valentina, em Salvador, Estado da Bahia.”[20]

É surpreendente descobrir que Nunes Pereira encontrou no Terreiro de Chica Macaxeira uma “inovação no ritual mina-jeje, o uso da ayahuasca. E isso, sem dúvida, para estimular , paralelamente, com os cânticos rituais e com a voz sagrada dos tambores, ogãs e gôs, o estado de transe, a possessão que ligam os Voduns do panteão daomeano ou do ioruba às gonjais e noviches que o cultuam”[21]. Ora, no tempo em que José Gabriel lá trabalhava como Ogã, não havia utilização da ayahuasca no culto, tanto que ele somente viria a conhecer a bebida anos depois, no seringal. Assim, é legítimo deduzir que a Mãe-de-Terreiro Chica Macaxeira conheceu a ayahuasca através de seu antigo Ogã e Pai-de-Terreiro José Gabriel. Quando Nunes Pereira visitou o terreiro, o conjunto dos cânticos era lá denominado Doutrina da Ayahuasca. “Nomes de santos católicos, nalguns desses cânticos, se misturaram com os dos Voduns mina-jejes, tais como Xangô, Badé, Avêrêquête, e os ditos Barão de Goré, Sultão das Matas, Marangalá, Jatêpequare, Tindarerê, etc.”[22] É significativo que nos anos 60 ou 70 haja a presença do Sultão das Matas na lista das entidades do terreiro, já que, como se verá adiante, José Gabriel “recebia” esse caboclo quando trabalhava num terreiro que armou no seringal, nos anos 50.

6. O Sultão das Matas e os xamãs da fronteira boliviana

Até 1950, José Gabriel morava com Pequenina em Porto Velho. O casal já tivera dois filhos: Getúlio e Jair. Além de trabalhar como enfermeiro, ele tinha também uma taberna de bebidas. E gostava de política. Diante dos dois partidos que disputavam o governo do Território de Guaporé, o de Rondon e o de Aluísio, José Gabriel era pró-Rondon. No entanto, seu candidato perdeu, e ele foi perseguido em seu emprego público no hospital. Tendo de se afastar de seu trabalho, José resolve voltar para o seringal. E sua mulher discorda: “Eu disse: ‘Não, o que é isso? Eu não nasci no seringal, em mato. Não quero criar meus filhos sem saber ler e escrever.’ Ele disse: ‘É porque eu vou atrás de um tesouro.’ Mas eu era uma pessoa de cabeça cheia de muitas coisas e achei que era riqueza material que ele ia achar, e nós ia enricar, ter uma vida de rosa. Então, quando ele disse que ia, eu disse: ‘Então, vamos.’ Então eu digo que esse tesouro que ele encontrou junto comigo e os dois filhos, pra mim, é um tesouro tão maravilhoso que dinheiro nenhum não paga essa felicidade. (...) Então, esse tesouro, que é a União do Vegetal, tem me amparado.”[23] Nestas palavras de Mestre Pequenina e provavelmente também na afirmação de José Gabriel, poder-se-ia detectar a presença dos motivos edênicos que povoaram o imaginário das populações que se defrontaram com a floresta amazônica. Nos sonhos e anseios dos nordestinos pobres que se lançam na aventura da borracha ecoam ainda as buscas das “estranhas coisas deste Brasil”: do Eldorado, da Lagoa do Vupabuçu, ou da serra anunciada por Filipe Guillén, “que ‘resplandece muito’ e que, por esse seu resplendor era chamada ‘sol da terra’ ”[24]. Posteriormente, o sonho do tesouro a ser encontrado na selva é resignificado, passando a expressar a União do Vegetal, que nasce da floresta, de um líquido também dourado, denominado por vezes de “chá misterioso”[25].

No seringal Orion, José Gabriel abriu o terreiro no qual “recebia” o caboclo Sultão das Matas. Como recorda Mestre Pequenina, “vinha gente de tudo quanto era seringal”[26] consultar o Sultão das Matas. E ele curava as pessoas, assim como indicava o lugar certo onde se encontrava caça. Adaptando-se a um novo contexto sócio-ecológico-cultural, José Gabriel dirige um rito sincrético afro-indígena, no qual o valor simbólico da floresta, que perpassa toda a vida dos seringueiros, fica evidente. Tal rito, designado pelo filho de José Gabriel simplesmente como “macumba”[27], parece assemelhar-se à pajelança cabocla amazônica[28], uma forma de xamanismo não-indígena na qual tem importância fundamental a noção de incorporação do curador por entidades espirituais que agem através dele para a cura dos doentes. No entanto, certamente permaneciam marcantes nos toques do Seringal Orion os elementos religiosos afros vivenciados anteriormente por José Gabriel, seja na Bahia, seja em sua participação no Terreiro de São Benedito de Porto Velho.

Mais tarde, quando já estão em outro seringal, Pequenina fica sabendo de um chá: “o pessoal vê isso, vê aquilo, o cara falou até com o filho depois de morto”[29]. Ela fala a José Gabriel e ele vai pedir o chá ayahuasca a quem o distribuía no lugar. Mas o homem disse que “não dava o Vegetal praquele baiano que sabe aonde as andorinhas dormem”[30]. Tempos depois, no seringal Guarapari, numa colocação chamada Capinzal, na região da fronteira boliviana, José Gabriel recebe pela primeira vez o chá de um seringueiro chamado Chico Lourenço, no dia 1° de abril de 1959. Chico Lourenço representa uma tradição indígena-mestiça de uso xamânico da ayahuasca que se espalha por uma ampla região da Amazônia ocidental. Tal tradição é designada posteriormente pela UDV como a dos “Mestres da Curiosidade”. Aí se inicia nova etapa na trajetória de José Gabriel.[31]

7. O Mestre e Autor da União do Vegetal

José Gabriel bebe apenas três vezes o chá com Chico Lourenço. Logo depois, viaja por um mês para levar um filho doente a Vila Plácido, no Acre, e quando retorna traz um balde com o cipó mariri e a folhas de chacrona que colheu no caminho. Diz à mulher: “Sou Mestre, Pequenina, e vou preparar o mariri”[32]. Segundo seu filho Jair, “nesse período o Mestre Gabriel não deixou a macumba não. Ele fazia uma Sessão de Vegetal e uma de umbanda.”[33]

Somente em 1961 ele reuniu as pessoas e disse: “Eu quero falar pra vocês que tudo que o Sultão das Matas fez eu sei: Sultão das Matas sou eu.”[34] Este é um dos momentos mais importantes de ruptura de José Gabriel com a tradição religiosa à qual estava ligado anteriormente. Ao postular para si mesmo o poder antes atribuído à entidade Sultão das Matas, o agora Mestre Gabriel nega a incorporação dos cultos de caboclo e configura o transe que será típico da União do Vegetal: a burracheira. A burracheira, que segundo Mestre Gabriel significa “força estranha”, é a presença da força e da luz do Vegetal na consciência daquele que bebeu o chá. Assim, trata-se de um transe diverso, no qual não há perda da consciência, mas sim iluminação e percepção de uma força desconhecida. Há uma potencialização dos sentimentos, das percepções e da consciência do indivíduo.

Em seguida, Mestre Gabriel e sua família se mudam para o seringal Sunta. No dia 22 de julho de 1961, ele reúne as pessoas para um preparo de Vegetal. Nesse dia, o Mestre Gabriel declara criada a União do Vegetal. Ou melhor, afirma que a UDV foi recriada, já que ela teria existido no passado, quando ele mesmo teria vivido em outra encarnação. No dia 6 de janeiro do ano seguinte, Mestre Gabriel se reúne com doze Mestres da Curiosidade no Acre, em Vila Plácido. Numa sessão, eles reconhecem Gabriel como o Mestre Superior. Finalmente, no dia 1° de novembro de 1964 é realizada uma sessão na qual o Mestre Gabriel afirma que fez a Confirmação da União do Vegetal no Astral Superior. Logo depois, em 1965, ele se muda para Porto Velho, para lá consolidar a nascente instituição. Apenas seis anos depois, se deu o falecimento de José Gabriel da Costa, no dia 24 de setembro de 1971.

8. Conclusão

Descrevendo-se em largos traços a vida de José Gabriel da Costa, fica patente a sua participação numa larga seqüência de configurações culturais muito próprias da sociedade brasileira: o catolicismo popular rural do interior da Bahia, a capoeiragem e os cultos afro-brasileiros de Salvador, a vida sofrida de seringueiro na Amazônia, a experiência de incorporação dos cultos de caboclo, o transe xamânico do hoasqueiro, e, finalmente, a atuação carismática do fundador de um novo movimento religioso.

A maleabilidade, a destreza, a vivacidade e a ginga da capoeira contribuíram para que José Gabriel viesse a elaborar uma inovadora síntese de diversos elementos culturais e religiosos, num culto profundamente adaptado à realidade sócio-cultural amazônica. E não apenas adaptado a esta, mas com virtualidades para se expandir por todo o Brasil, exatamente por ser constituído por uma criação vigorosa que se apropriou de configurações provenientes de diversas regiões brasileiras.

O que ensina Gilberto Freyre pode inspirar a conclusão deste texto: “Verificou-se entre nós uma profunda confraternização de valores e de sentimentos. Predominantemente coletivistas, os vindos das senzalas; puxando para o individualismo e para o privatismo, os das casas-grandes. Confraternização que dificilmente se teria realizado se outro tipo de cristianismo tivesse dominado a formação social do Brasil; um tipo mais clerical, mais ascético, mais ortodoxo; calvinista ou rigidamente católico; diverso da religião doce, doméstica, de relações quase de família entre os santos e os homens, que das capelas patriarcais das casas-grandes, das igrejas sempre em festas - batizados, casamentos, ‘festas de bandeira’ de santos, crismas, novenas - presidiu o desenvolvimento social brasileiro.”[35] José Gabriel da Costa, nascido nessa sociedade propensa a hibridismos, plena de plasticidade e inclusividade, elabora uma nova religião que também é “doce”, na medida em que privilegia o sentir e propicia ao indivíduo espaço para que ele próprio construa suas reinvenções criativas.

* * *

Bacharel em Filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais e pelo Centro de Estudos Superiores da Companhia de Jesus (CES), em Belo Horizonte, Licenciado em Filosofia pela Pontifícia Universidade de São Paulo e Bacharel em Teologia pelo CES, o autor atualmente faz o Mestrado do Programa de Pós-graduação em Antropologia Social do Museu Nacional, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Desde 1992 vem estudando a União do Vegetal, e o tema de sua dissertação será a respeito dos discípulos urbanos da UDV.

BIBLIOGRAFIA

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JORNAIS

1. ALTO-FALANTE. Jornal do Departamento de Memória e Documentação da UDV. Brasília.

a) Mar / Jul 92 - CONFEN libera chá por unanimidade.

b) Dez 92 / Jan 93 - No relato dos pioneiros, o perfil do Mestre.

c) Jan / Jul 93 - pp. 10-13 - Entrevista com M. Nonato.

d) Ago 93 / Fev 94 - pp. 8-10 - Entrevista com M. Cícero.

e) Mar / Abr 94 - pp. 6-9 - Entrevista com M. Sidon.

f) Mai / Jun / Jul 94 - pp. 8-11 - Entrevista com M. Pernambuco.

g) Ago / Set / Out 94 - pp. 6-9 - Entrevista com M. Roberto Souto.

h) Nov / Dez 94 / Jan 95 - pp. 6-9 - Entrevista com M. Manoel Nogueira.

i) Abr / Jun 95 - pp. 8-11 - Entrevista com Cons. Paixão.

j) Ago / Set / Out 95 - pp. 6-9 - Entrevista com M. Pequenina e M. Jair.

l) Nov / Dez 95 / Jan 96 - pp. 4-5 - Entrevista com M. Monteiro.

m) Fev / Set 96 - pp. 8-11 - Entrevista com M. Florêncio.

2. CORREIO BRAZILIENSE. Brasília.

a) 10 de julho de 1996. Caderno Cidades, p. 4 - Chá Hoasca é inofensivo à saúde.

3. O Alto Madeira. Porto Velho.

a) 6 de outubro de 1967. Artigo: Convicção do Mestre.

[1] Este texto integrará a minha dissertação de mestrado no Programa de Pós-graduação em Antropologia Social do Museu Nacional - UFRJ, a respeito dos Discípulos da União do Vegetal na realidade urbana brasileira.

[2] Depoimento de Antônio da Costa, irmão de José Gabriel da Costa, ao autor, em 4 de novembro de 1995.

[3] DEPARTAMENTO DE ESTUDOS MÉDICOS DA UDV. Texto do Programa Oficial do II Congresso em Saúde. Hoasca e desenvolvimento integral do ser humano. Campinas, 1993. p. 1. O texto continua: “José Gabriel da Costa - Mestre Gabriel - era esse menino. Fundou a União do Vegetal para continuar unindo as pessoas.”

[4] Depoimento de Antônio da Costa. Idem.

[5] ANDRADE, Afrânio Patrocínio de. O fenômeno do chá e a religiosidade cabocla. Um estudo centrado na União do Vegetal. Dissertação de Mestrado na Pós-Graduação em Ciências da Religião do Instituto Metodista de Ensino Superior. São Bernardo do Campo, 1995. p. 170.

[6] GIUMBELI, Emerson Alessandro. O cuidado dos mortos: os discursos e intervenções sobre o “Espiritismo” e a trajetória da “Federação Espírita Brasileira” (1890-1950). Dissertação do PPGAS - UFRJ, 1995. p. 29. Ver tb. KLOPENBURG, Boaventura. O espiritismo no Brasil. Petrópolis, 1960. p. 25.

[7] ANDRADE, Afrânio Patrocínio de. Idem.

[8] LANDES, Ruth. A cidade das mulheres. Rio de Janeiro, 1967. p. 117. O grifo é nosso.

[9] Cf. outra cantiga semelhante, recolhida por Edison Carneiro:

“Minino, quem foi teu mestre?

quem te ensinô a jogá?

- Sô discip’o que aprendo

Meu mestre foi Mangangá

Na roda que ele esteve,

outro mestre lá não há.”

In: Folguedos tradicionais. Rio de Janeiro, 1974. p. 138.

[10] Depoimento de Carmiro da Costa, filho de José Gabriel da Costa, ao autor, em 4 de novembro de 1995.

[11] PIRES, Antonio Liberac Cardoso Simões. A capoeira no jogo das cores: criminalidade, cultura e racismo na Cidade do Rio de Janeiro (1890-1937). Dissertação de mestrado em História - UNICAMP . Campinas, 1996. p. 143.

[12] Idem, p. 201.

[13] Em 13 de agosto de 1946, Paulo de Assis Ribeiro, Chefe do SEMTA, declarou à CPI acerca dos soldados da borracha ser esse o número de pessoas encaminhadas à Amazônia. Depoimento publicado no Diário Oficial de 24 agosto de 1946. Dado informado pela antropóloga Lúcia Arrais.

[14] Entrevista de Mestre Pequenina e Mestre Jair. In: ALTO FALANTE, Jornal do Departamento de Memória e Documentação da UDV. Brasília, agosto-outubro 1995, p. 6.

[15] In: ARRAIS, Lúcia. No capítulo Dados ignorados da tese de doutorado em elaboração a respeito dos soldados da borracha para o Programa de Pós-graduação em Antropologia Social do Museu Nacional, da UFRJ. Agradeço à autora por me possibilitar o acesso a esse texto, ainda inédito.

[16] ARRAIS, Lúcia. Idem.

[17] Entrevista de Mestre Pequenina e Mestre Jair. Idem, p. 6.

[18] Entrevista do Conselheiro Paixão. In: ALTO FALANTE, Jornal do Departamento de Memória e Documentação da UDV. Brasília, abril-junho 1995, pp. 8-9.

[19] PEREIRA, Nunes. A casa das minas. Contribuição ao estudo das sobrevivências do culto dos voduns do panteão daomeano, no estado do Maranhão, Brasil. Petrópolis, 1979, 2a. ed. pp. 121-143. 223-225.

[20] Idem, p. 223.

[21] Idem, p. 142.

[22] Idem, p. 143. O grifo é nosso.

[23] Entrevista de Mestre Pequenina e Mestre Jair. In: ALTO FALANTE, Jornal do Departamento de Memória e Documentação da UDV. Brasília, agosto-outubro 1995, p. 7.

[24] HOLANDA, Sergio Buarque de. Visão do paraíso. São Paulo, 1994. pp. 36-37.

[25] Artigo: Convicção do Mestre. In: O Alto Madeira. Jornal. Porto Velho, 7 de outubro de 1967.

[26] Entrevista de Mestre Pequenina e Mestre Jair. In: ALTO FALANTE, Jornal do Departamento de Memória e Documentação da UDV. Brasília, agosto-outubro 1995, p. 7.

[27] Entrevista de Mestre Pequenina e Mestre Jair. Idem, p. 9.

[28] Cf. MAUÉS, Raymundo Heraldo. Padres, Pajés, Santos e Festas: Catolicismo popular e controle eclesiástico. Belém: CEJUP.

[29] Entrevista de Mestre Pequenina e Mestre Jair. Idem. p. 7.

[30] Ibidem. p. 7.

[31] Haveria muito a observar acerca da tradição “vegetalista” amazônica, o que transbordaria o âmbito desta breve exposição da trajetória de José Gabriel da Costa. Prefiro remeter aos textos de Luis Eduardo Luna e Edward MacRae citados na bibliografia.

[32] Ibidem. p. 8.

[33] Ibidem. p. 9.

[34] Ibidem. p. 9.

[35] FREYRE, Gilberto. Casa-grande e senzala. Rio de Janeiro, 1992, 31a. ed. p. 355.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Arqueólogos encontram mina que pode ter sido do Rei Salomão



28 de outubro, 2008 - 11h18 GMT (09h18 Brasília)
Rodrigo Durão Coelho
BBC Brasil no Cairo

Arqueólogos encontram mina que pode ter sido do Rei Salomão
A descoberta de uma mina de cobre na Jordânia pode ser ser uma indicação da existência do
personagem bíblico Rei Salomão, segundo arqueólogos.
Através de testes de radiocarbono, os cientistas constataram a existência de minas de cobre em uma
região e época que coincidem com descrições feitas no Velho Testamento.
Até essa descoberta, acreditava-se que a extração e o aproveitamento do cobre só começaram a existir
na Jordânia depois do século 7 a.C., ou seja, 300 anos depois da suposta existência do rei.
"A pesquisa apresenta dados científicos que confirmam o que está escrito na Bíblia", afirmou à BBC
Brasil um dos líderes do grupo de arqueólogos, Mohammad Najjar, da instituição jordaniana Friends of
Archaeology & Heritage, que conduziu o projeto em parceria com a universidade americana de San
Diego.
"Foi uma surpresa, não esperávamos encontrar tantos artefatos de metal produzidos antes do século 7
a.C.", disse Najjar.
"Não é possível dizer com certeza se as minas encontradas são mesmo as do rei Salomão, mas neste
momento, as possibilidades de ele ter existido aumentaram bastante."
"O que se sabe, indiscutivelmente, é que o povo edomita – descendentes de Esaú, segundo a tradição
hebraica – praticava a metalurgia na época indicada pela Bíblia, muito antes do que se pensava",
disse.
A escavação vem sendo conduzida em Khirbat en Nahas, um antigo centro de produção de cobre ao sul
do Mar Morto, desde 1997.
Lendas
Segundo o Velho Testamento da Bíblia cristã (que utiliza escrituras judaicas, o Tanakh), o rei Salomão
teria unido os reinos hebreus de Israel e Judá por 30 anos, cerca de 1000 a.C..
Segundo a Bíblia, Salomão teria sido o terceiro rei dos hebreus, depois de Saul e Davi, e seu reinado,
um período de fartura.
No entanto, não existiam evidências de sua existência ou de um reino que dominasse conhecimentos
de metalurgia à época naquela região.
As lendas em torno do personagem cresceram no século 19, quando o inglês Henry Ridder Haggard
publicou seu romance de ficção As Minas do Rei Salomão, que popularizou o mito em torno dos
segredos de supostas minas com tesouros em ouro, diamante e marfim.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Monografia Uso e Ritual da Hoasca

E ai galerinha passando o link da monografia q foi feita na UNB referente ao uso da Hoasca na floresta e em centros urbanos

http://www.aguiadourada.com/pdf/mono.pdf


Vale a pena dar uma olhada

UDV Histórico


“Não me bebas sem razão.
Não me distribuas sem honra.”
Mestre Joaquim José de Andrade Neto

A UDV vem sendo recriada na Terra por determinação superior e nela permanece ora por períodos curtos, ora por períodos longos, sempre se manifestando na forma mais pura e elevada. Porém, quando as pessoas não demonstram grau para trabalhar com essa força e tentam usá-la de acordo com seus interesses pessoais, ela se recolhe nas brumas do tempo, desaparecendo temporariamente.
Sua origem encontra-se nos primórdios da civilização humana, quando Caiano,
discípulo e assistente do Rei Salomão, recebeu deste o sétimo segredo da Natureza, ou seja, a União do Vegetal, e, com ela, a chave da palavra perdida para entrar em contato com a Força Superior e penetrar nos encantos da Natureza Divina.
De posse desse segredo, Caiano vem reencarnando na Terra em diversos destacamentos, procurando, a cada vez, restaurar a União do Vegetal, trazendo os homens das trevas para a luz, da ignorância para o Conhecimento, da ilusão para a realidade. Neste século, retornou no corpo e no nome de José Gabriel da Costa para uma vez mais recriá-la. Da cidade de Coração de Maria, Bahia, onde nasceu, ele dirigiu-se já em idade madura para Porto Velho, Rondônia, com o objetivo de trabalhar como seringueiro na Floresta Amazônica, e lá acabou reencontrando o chá Oaska, também conhecido por Vegetal. Com a comunhão, começou a recordar-se de suas vidas passadas, e a partir de então ficou três anos examinando essas revelações. A partir de 1961, já consciente de sua missão como MESTRE Gabriel, começou a distribuir o chá e a doutrinar pessoas.
Nessa época, já tendo recebido as chamadas e os ensinamentos sobre como contactar a Força Superior através da Oaska, ele constituiu em Porto Velho uma sociedade que recebeu o nome de Associação Beneficente União do Vegetal. Alguns anos depois, devido à incompreensão por parte de autoridades policiais e por conveniência jurídica, acabou mudando esse nome para Centro Espírita Beneficente União do Vegetal.
De origem humilde, MESTRE Gabriel enfrentou durante a sua vida muitas dificuldades, e lutou heroicamente pela sobrevivência e sustento da mulher e de seus oito filhos. Todos os que o conheceram puderam sentir a beleza e a luminosidade de seu espírito, e quem não teve esse privilégio pode vislumbrar sua força espiritual através das centenas de chamadas que ele trouxe para a União do Vegetal e através do conforto espiritual proporcionado por seus ensinamentos, os quais revelam, sobretudo, o verdadeiro sentido da existência.
Apesar dos obstáculos, o MESTRE dedicou-se integralmente à obra espiritual que lhe estava destinada, e deixou, antes de desencarnar, dezenas de associados provenientes de diversos Estados do país e doze pessoas incumbidas de distribuir o Vegetal, as quais apenas simbolicamente iriam dar continuidade ao seu trabalho até que chegasse quem estava destinado a ser o seu legítimo representante.
Com o desencarnamento de MESTRE Gabriel, a UDV continuou funcionando sob a sua supervisão espiritual. Porém, o fato de a Ordem não contar naquele momento com a presença de um Mestre encarnado deu início a acontecimentos que indicavam que alguma coisa estava prestes a ocorrer, como se a União do Vegetal aguardasse o preenchimento de uma lacuna ocasionada pela ausência de quem sabe o que faz, por que e para que o faz.
Com efeito, esses indícios de transformação acabaram dando origem a um novo ciclo, que teve início em 1981 (dez anos após o desencarnamento de MESTRE Gabriel) com a constituição, por Mestre Joaquim José de Andrade Neto, do Centro Espiritual Beneficente União do Vegetal, em Campinas, São Paulo.

A CONSTITUIÇÃO DO CENTRO ESPIRITUAL
BENEFICENTE UNIÃO DO VEGETAL

Para compreender um fato é preciso, muitas vezes, identificar suas origens e o contexto em que ele ocorreu.
No caso da constituição do Centro Espiritual Beneficente União do Vegetal por Mestre Joaquim, é fundamental conhecer alguns acontecimentos que tiveram lugar a partir de sua chegada em 1975 à cidade de Porto Velho, para onde ele se dirigiu em busca da União do Vegetal. É com o objetivo de trazer esclarecimento sobre esse assunto que relataremos a história desde o início.

A chegada a Porto Velho

Em 1975, quatro anos após o desencarnamento de MESTRE Gabriel, chegou a Porto Velho, procedente de Campinas, Joaquim José de Andrade Neto, na época com vinte e cinco anos, à procura da Oaska, da qual ouvira falar por intermédio de um conhecido. Foi recebido pelo então representante geral da União do Vegetal, mestre João Ferreira de Sousa, conhecido como mestre Joanico, o qual marcou uma sessão para o dia 17 de abril especialmente para atendê-lo.
Ao beber o Vegetal como sócio adventício na então Sede Geral, templo José Gabriel da Costa, na época em construção, numa sessão da qual participaram mais de trinta pessoas, Joaquim José de Andrade Neto, convidado a falar, provocou emoção nos presentes quando discorreu sobre a missão da União do Vegetal na Terra e sua ligação pessoal com ela, manifestando ainda, de forma marcante e significativa, seu reconhecimento e determinação em servir à Ordem. Concluiu a exposição com as seguintes palavras: “O poder do mal é grande, mas a coroa pertence ao Bem”.
Terminada a sessão, que havia sido dirigida por mestre Joanico, ele disse:
- Mestre, eu vi tudo.
Ao que mestre Joanico respondeu:
- O senhor não viu nada. Isso é só o começo.
Voltando o olhar para uma faixa, exposta num busto do MESTRE Gabriel, na qual estavam inscritas as letras UDV é OBDC, indagou:
- O que significam essas letras?
Ouviu a seguinte resposta:
- Um dia o senhor vai saber.
- Tu o dizes! - sentenciou, e despediu-se com um forte aperto de mão e um olhar que expressava grande gratidão pelo copo de fogo líqüido que ainda iluminava seu espírito.
O encontro entre o hoje Mestre Joaquim e mestre Joanico foi tão forte que, no dia que se seguiu ao dessa primeira sessão, mestre Joanico lhe deu, atendendo a um pedido seu, uma quantia de Vegetal equivalente a um copo para que a levasse consigo, atitude inédita em alguém cujo comportamento primava pelo rigor no trato com as coisas relacionadas com a União do Vegetal. Agiu desta maneira em obediência à força da burracheira, motivado por um reconhecimento instintivo de que se encontrava diante de alguém destinado a cumprir uma missão significativa na União do Vegetal.
Tal atitude, porém, não foi compreendida pelos demais discípulos, e acabou provocando ciúme em algumas pessoas que tinham dificuldade para aceitar os acontecimentos. E este foi apenas o início de uma série de incompreensões que culminaram posteriormente na constituição do Centro Espiritual Beneficente União do Vegetal. No entanto, essa entrega do Vegetal a Mestre Joaquim teve grande importância devido à influência que a presença do poderoso líqüido teve junto a ele nos acontecimentos que se seguiram.

Em busca do mandado de segurança

Naquela mesma ocasião, Mestre Joaquim manifestou a mestre Joanico a sua vontade de participar de uma sessão em Manaus antes de retornar a Campinas, e este prontificou-se então a escrever duas cartas apresentando-o ao representante e ao presidente do Núcleo dessa cidade.
No dia seguinte, de posse das cartas, Mestre Joaquim viajou para Manaus no barco Intendente João Elias, no qual, além da tripulação, apenas ele e um passageiro viajavam.
Durante os dois primeiros dias da viagem, Mestre Joaquim e o outro passageiro não conversaram. Este, que viajava em uma rede ao seu lado, ocupava-se durante todo o tempo com a leitura da Bíblia, enquanto o Mestre lia um livro intitulado Uma aventura na mansão dos Adeptos Rosa-Cruzes, presente de um senhor que ele conhecera num hotel, de nome David, delegado do Círculo Esotérico da Comunhão do Pensamento de Porto Velho.
No segundo dia, Mestre Joaquim leu em voz alta a última frase do livro, que era de São Paulo Apóstolo (Corínthios), fechando-o em seguida. E qual não foi a surpresa de seu companheiro de viagem ao ouvir exatamente a mesma frase que estava lendo na Bíblia! Depois desse acontecimento, iniciou-se uma conversação através da qual Mestre Joaquim soube que esse passageiro se chamava Inácio Mendes, que havia sido dono de um jornal em Porto Velho e que não só conhecera MESTRE Gabriel como também participara de algumas sessões (motivado principalmente por problemas de saúde) dirigidas por ele.
O Sr. Inácio contou-lhe que, na ocasião, o Vegetal lhe fizera bem, mas que, como era pessoa de posses, membro do Rotary e da Maçonaria, havia sido desestimulado por conhecidos a freqüentar a União do Vegetal pela maneira humilde como ela se manifestou naquela fase de sua história. E, ao saber que o Mestre dirigia-se a Manaus para participar de uma sessão, disse-lhe que também ele viajava com destino a essa cidade, na qual pretendia fazer um tratamento de saúde. Manifestou então sua vontade de beber o Vegetal novamente, e pediu-lhe que intercedesse junto ao representante do Núcleo no sentido de que a sua participação fosse permitida.
Mestre Joaquim concordou e, ao chegar a Manaus, despediu-se do Sr. Inácio Mendes, ficando com o endereço de sua filha para posteriormente contactá-lo. Procurou pelo presidente e pelo representante do Núcleo da União do Vegetal dessa cidade, e este, durante o encontro, decidiu que no dia seguinte, terça-feira, dia 22 de abril, seria realizada uma sessão extra para atendê-lo. A autorização para que também o Sr. Inácio comungasse o Vegetal foi concedida e o Mestre compareceu ao Templo levando-o consigo.
Durante esta sessão, surgiu o assunto das dificuldades que a União do Vegetal vinha tendo em função da incompreensão, por parte de autoridades policiais, quanto à distribuição do chá. O Sr. Inácio pediu a palavra e disse que discorrer acerca de tais problemas não fazia mais sentido, uma vez que existia um mandado de segurança, assinado por nove desembargadores, autorizando a utilização do chá Oaska em rituais religiosos. Acrescentou, ainda, que esse mandado havia sido impetrado pelo então advogado da Ordem, Sr. Jerônimo Santana, o qual, inclusive, fora indicado por ele próprio. Contou também haver sido por sugestão desse mesmo advogado, e por conveniência jurídica, que a denominação Centro Espírita fora adotada. E explicou que esse documento se encontrava na Secretaria de Justiça, em Brasília, e que quem poderia fornecer mais informações a esse respeito era o próprio Jerônimo Santana, que naquela época lá se encontrava.
A notícia do mandado causou espanto e alegria nos presentes, pois há muitos anos ele havia se extraviado e desde então ninguém conseguira localizá-lo.
Diante da necessidade de que alguém fosse até a Capital Federal em busca do documento, Mestre Joaquim prontificou-se a viajar para lá com esse objetivo. Em Brasília, contactou o Sr. Jerônimo Santana (que posteriormente chegou a ser governador de Rondônia) e, em seguida, dirigiu-se à Secretaria de Justiça, onde permaneceu o dia todo devido à dificuldade de localizar o mandado, a qual se devia ao fato de que este havia sido impetrado no nome de Associação Beneficente União do Vegetal.
De posse desse documento, Mestre Joaquim retornou a Campinas, de onde enviou uma cópia do mesmo a Porto Velho e outra a Manaus. Ele levou uma terceira consigo ao do Núcleo de São Paulo1, onde participou de uma sessão, a qual teve lugar um dia após a sua chegada. O mandado de segurança, que respalda juridicamente as atividades da União do Vegetal2, foi usado numa defesa publicada por representantes do Centro num jornal de Porto Velho de 15 de setembro de 1977. A confiança que o mestre geral representante daquela época depositou em Mestre Joaquim desde o primeiro encontro entre ambos constitui um sinal da harmonia deste com a manifestação do mistério que envolve a União do Vegetal, mistério esse que a partir de então desencadeou uma constelação de acontecimentos significativos, sem contar os que ainda virão.

UDV é OBDC

Alguns meses se passaram e, por ocasião de sua terceira viagem a Porto Velho, no dia seguinte ao de uma sessão de festa, Mestre Joaquim pergunta a mestre Joanico:
- O senhor sabe o significado de UDV é OBDC ?
Após olhar por alguns segundos seu interlocutor em silêncio, ele respondeu:
- Não, senhor.
Essa atitude franca e sincera veio a reforçar a amizade e o respeito mútuo. Em seguida, Mestre Joaquim pediu um pedaço de papel e um lápis e, sentando-se com ele junto à mesa, escreveu o significado das letras, dando a explicação necessária, diante da qual mestre Joanico ficou perplexo, pensativo e silencioso. E fez o mesmo com mais seis associados que já pertenciam ao quadro de mestres, os quais tampouco conheciam o seu significado. No caso destes, no entanto, a revelação foi recebida com um misto de espanto e incômodo. Hoje, depois de milhares de horas de burracheira e de rigorosa observação da natureza humana, Mestre Joaquim sabe que os ensinamentos hierofânticos do Senhor não devem ser entregues “de bandeja” às pessoas, mas sim descobertos por elas próprias.
Alguns membros mais antigos que conviveram com MESTRE Gabriel sabem que ele sentenciara:
- Quem descobrir o significado destas letras, esse é o Mestre.
Portanto, o desvendar desse significado, o qual se deu em três graus de saber (um dos quais já foi revelado), veio a confirmar o grau de convicção do Mestre acerca da importância do tesouro espiritual que, a partir de então, passou a estar sob sua guarda.

A União do Vegetal em Campinas

No Núcleo de São Paulo, Mestre Joaquim, ainda na condição de discípulo, comungou o Vegetal durante um ano, período no qual continuou a receber revelações significativas a respeito da União do Vegetal através de burracheiras iniciáticas que vinham reforçar, cada vez mais, sua firmeza e determinação em servi-la.
Já nessa época, premido pela necessidade, ele advertia sobre os desvios na doutrina e no comportamento dos discípulos, desvios esses que eram fruto de um excesso de liberalismo combinado com um envolvimento do então dirigente com a filosofia de uma seita indiana. O fato de ele ter percebido esse choque de doutrinas acabou provocando a sua decisão de desligar-se do Núcleo dessa capital. No entanto, permanecia ainda filiado à Sede Geral, em Porto Velho. Alguns meses depois, a distribuição do Vegetal em São Paulo é suspensa pela Sede Geral, e o Mestre, em mais uma de suas viagens a Porto Velho, recebe, em 1976, autorização para distribuí-lo em Campinas.
É importante ressaltar que Mestre Joaquim recebeu essa autorização apenas um ano após haver começado a freqüentar a União do Vegetal, e antes mesmo de que houvesse participado de qualquer sessão instrutiva1. É que as longas conversações mantidas com o então representante geral foram suficientes para fazer com que este sentisse que havia encontrado alguém capaz de cumprir e de fazer cumprir a lei da UDV. Além disso, Mestre Joaquim, como observador da natureza, aprendeu, através das chamadas e do Vegetal, a trazer de si os ensinamentos necessários para dar continuidade aos trabalhos da Ordem, descobrindo o segredo de como penetrar nos mistérios dos encantos da Minguarana.
Esta nova prova de confiança do mestre geral representante em relação a Mestre Joaquim constitui mais uma atitude inédita em sua carreira na representação, haja vista ao tempo que ele costumava demorar para autorizar a abertura de novos núcleos, tal como, por exemplo, ocorreu com o Núcleo de Brasília.
No Pré-Núcleo de Campinas, como instrutor, Mestre Joaquim deu continuidade à sua missão distribuindo o Vegetal durante treze meses, durante os quais procurou sempre seguir à risca os ensinamentos da UDV. Porém, como todo aquele que se dispõe a aplicar a lei é incompreendido, o Mestre continuou a ser alvo de críticas e julgamentos por parte de alguns integrantes do Centro, sobretudo porque procurava mostrar aos discípulos que o processo de Iniciação implica uma substancial mudança de hábitos, inerente a uma visão espiritual da vida.
Durante esse período, o Pré-Núcleo de São Paulo foi reaberto, e o seu então dirigente chegou a atender dois discípulos de Campinas que haviam sido punidos por infringência à Lei da União do Vegetal, permitindo-lhes participar de sessão. Agindo por conta própria, sem a autorização de Mestre Joaquim, aquele representante, com tal atitude, estava estimulando a desobediência, subvertendo a ordem e contribuindo para a desunião. Além disso, ele distribuía o Vegetal a outras pessoas residentes em Campinas, o que não fazia sentido, já que nesta cidade havia um Representante autorizado para desempenhar essa função. Assim agia por ver equivocamente em Mestre Joaquim o causador do fechamento do Núcleo da capital paulista no ano anterior, opinião que era compartilhada também por outros integrantes do mesmo. E então, embaçados por esse julgamento e dominados pela revolta, incentivavam a insubordinação nos demais discípulos, tentando convencê-los de que a lei da União do Vegetal não deveria ser cumprida de forma rigorosa. Com isso, infringiam a mesma Lei, esquecendo-se por completo dos ensinamentos do MESTRE Gabriel expressos em sua Convicção1 os quais determinam que não podemos julgar, censurar ou nos revoltar.
Tais divergências na linha de doutrinação, acrescidas de intrigas, provocaram um conflito entre o Pré-Núcleo de Campinas e a representação geral em Porto Velho, a qual, não conseguindo escapar às influências dos que se sentiam incomodados com a presença do Mestre, acabou suspendendo a distribuição do Vegetal em Campinas.
O que mais evidencia o fato de que a presença do Mestre não era conveniente para alguns integrantes é o motivo - comprovadamente fútil - encontrado para tentar justificar o fechamento do Núcleo: a questão de a camisa da União do Vegetal (trajada nas sessões) ser usada para dentro das calças, quando, segundo o representante geral, ela deveria ser usada para fora. É preciso esclarecer, no entanto, que no Pré-Núcleo de Campinas o uniforme era usado para dentro não por insubordinação, mas devido à falta cometida pela Administração Geral em não ter anexado, aos Boletins do Centro, o artigo que regulamentava o assunto. Mestre Joanico, durante sua visita a Campinas, procurou em vão por tal artigo, e constatou que ele não havia sido enviado pela Sede Geral. Essa questão poderia ter sido resolvida com uma simples determinação, a qual teria sido prontamente cumprida.
Ciente da decisão da sede geral de suspender a distribuição do Vegetal em Campinas (tomada por ocasião do regresso de mestre Joanico a Porto Velho, antes do qual ele passara pelo Núcleo de São Paulo), Mestre Joaquim acatou-a plenamente, devolvendo todo o material da UDV que estava em seu poder, inclusive o Vegetal. E embora tenha sempre se dedicado à Ordem desde o seu encontro com ela neste corpo, contribuindo para sua organização em todos os sentidos, o Mestre em nenhum momento lamentou o ocorrido, mesmo porque ele sabe que em tudo está o mistério de Deus.
A forma como ocorreu o fechamento do Pré-Núcleo, através de alegações que não explicam nem justificam o fato, constitui um farto material para reflexão. Os acontecimentos a ele relacionados foram tão significativos que acabaram por desencadear o fim de um ciclo e o início de outro, nascido sob a égide da vontade de Deus.

Em busca da conciliação

Após observar durante um ano a direção que os acontecimentos vinham tomando, Mestre Joaquim se deu conta da impossibilidade de continuar filiado ao Centro, uma vez que o regime hierárquico verticalista da União do Vegetal havia sido substituído por outro, de natureza política, em função do qual prevaleciam os interesses individuais. Pediu então desligamento, por escrito, consciente de sua decisão.
Transcorrido mais um ano, ele viajou a Porto Velho, pela sexta vez desde sua chegada em 1975, com o objetivo precípuo de ver esclarecida a questão da suspensão da distribuição do Vegetal em Campinas. Esperava que, àquela altura, a administração geral já tivesse tido tempo suficiente para reconhecer o engano em que consistira a sua decisão. Procurava, com isso, proporcionar aos representantes do Centro uma chance de se retratarem, para que, futuramente, não viessem a alegar que ele não havia esgotado todas as tentativas de conciliação.
Mestre Joaquim dirige-se então ao mestre geral (que não era mais mestre Joanico, visto que ele perdera a eleição para mestre geral) para propor-lhe a realização de uma sessão durante a qual, dentro da luz do Vegetal, pudessem examinar o assunto. Mestre Joanico intercede a seu favor, solicitando ao representante que realize uma sessão para se resolver o impasse, pois o fechamento do Núcleo de Campinas era para ele motivo de arrependimento. Prova disto é que, alguns meses depois, ele chegara a enviar a Mestre Joaquim, atendendo a um pedido seu, doze mudas de Mariri Tucunacá, atitude que lhe ocasionou sérios problemas perante a representação geral. No entanto, a proposta para a realização da sessão foi recusada, e através dessa recusa Mestre Joaquim pôde sentir no então representante o medo da prestação de contas, fruto da falta de convicção nas decisões anteriormente tomadas.
É sintomático que esse representante de Porto Velho fosse o mesmo que, anos antes, quando em visita ao Núcleo de São Paulo, havia sido indagado por Mestre Joaquim (que, na época, ainda na condição de discípulo, bebia o Vegetal pela sétima vez) do porquê de estar dirigindo uma sessão sem a camisa da União do Vegetal. Ele, não conseguindo se explicar, agradeceu a lembrança. Mas, apesar do agradecimento, não demonstrou, por ocasião dessa nova visita do Mestre a Porto Velho, a devida nobreza de espírito, já que, por razões inexplicáveis, recusou-se a atendê-lo, embora soubesse que se tratava de um ex-dirigente de Núcleo que viajara quatro mil quilômetros para resolver uma questão que não envolvia só a ele, mas também a outras pessoas que estavam privadas da comunhão do Vegetal há mais de dois anos.
Além disso, qualquer pessoa com um mínimo de sensibilidade teria percebido e levado em conta, naquela situação, o forte vínculo de Mestre Joaquim com a União do Vegetal, demonstrado desde a sua chegada através de atitudes significativas de fidelidade e dedicação. É digno de nota, por exemplo, o fato de que ele, em menos de três anos, tivesse viajado quarenta e oito mil quilômetros (o correspondente a seis viagens de ida e volta a Porto Velho), às suas expensas, para tratar de assuntos exclusivamente relacionados à UDV, dando início a um trabalho de organização e estruturação da mesma.
A recusa do representante impediu que a questão da redistribuição do Vegetal por Mestre Joaquim fosse examinada e decidida dentro do âmbito do próprio Centro, dado que lhe fechou a porta de acesso a ele e eliminou, assim, toda e qualquer chance de entendimento. E ao se omitir de tratar de um assunto que se encontrava sob sua responsabilidade com o objetivo de se ver livre da presença do Mestre na UDV, essa mesma pessoa acabou provocando a intervenção espiritual de MESTRE Gabriel, conforme veremos a seguir.

A intervenção de MESTRE Gabriel

Ainda em Porto Velho, Mestre Joaquim fica convencido de que os representantes do Centro dessa cidade não estavam preparados para dar continuidade à obra de MESTRE Gabriel, e retorna a Campinas decidido a aguardar pacientemente o novo rumo que os acontecimentos haveriam de tomar.
Um ano depois (e três após o fechamento do Núcleo de Campinas), no dia 24 de junho de 1981, ele realiza uma sessão com o Vegetal preparado com os cipós das mudas de Mariri enviadas por mestre Joanico e as folhas de um pé de chacrona que este também lhe havia presenteado por ocasião da segunda viagem que fizera a Porto Velho. Essa foi a primeira sessão de preparo realizada em Campinas. Nessa ocasião, recebe ordem superior e autorização espiritual de MESTRE Gabriel para constituir, aos 22 de julho do mesmo ano, o Centro Espiritual Beneficente União do Vegetal. Somente desse modo seria possível evitar o desvio da doutrina da UDV, preservando-se, assim, seus ensinamentos.
De acordo com a determinação superior recebida, o nome do Centro deveria permanecer praticamente o mesmo. Apenas a palavra Espírita deveria ser substituída por Espiritual, uma vez que a primeira remete ao Espiritismo, ou seja, à doutrina de Allan Kardec, que, como se sabe, se ocupa da comunicação com espíritos desencarnados, enquanto que a UDV tem por objetivo proporcionar ao homem o conhecimento de seu próprio espírito, desvendando-lhe o passado em outras encarnações e reconduzindo-o à sua origem divina.
Algumas pessoas, recusando-se a aceitar a presença do mistério no Vegetal, indagam como pode ser possível que Mestre Joaquim tenha recebido autorização espiritual de MESTRE Gabriel para constituir o Centro Espiritual sendo que este já estava desencarnado. Mas o fato é que ele a recebeu, e não apenas a autorização, mas também, ainda na mesma sessão, a estrela, símbolo do grau de Mestre. Quanto à forma como isso ocorreu, trata-se de um segredo que pertence às pessoas que estavam presentes naquela sessão.

Cabe esclarecer que quando a estrela está verdadeiramente no coração, ela representa o símbolo da união, que é luz, paz e amor, símbolo este que o discípulo só recebe quando aprende a amar o próximo como a si mesmo. E o sinal de que uma pessoa já chegou a este ponto é a presença constante de um estado de espírito elevado, caracterizado pela ausência de manifestações de desrespeito ao semelhante, tais como ofensas, calúnias, censuras e julgamentos; enfim, de um estado de espírito pleno de solidariedade e de disposição de contribuir para a evolução do próximo.

Ressentimento e revolta

A constituição do Centro Espiritual, ocorrida em 1981, gerou revolta em meio a alguns dos integrantes do Centro Espírita. A partir dessa data, durante vários anos, eles se indispuseram contra o Mestre e procuraram difamá-lo tanto em âmbito interno (isto é, junto aos seus próprios associados) através de panfletos que insistiam na idéia de que ele seria um usurpador, como em público, através da mídia, da qual lançaram mão a cada vez que alguma obra da União do Vegetal era publicada.

Dezessete anos depois, desprovidos da devida coragem para reconhecerem seus erros e se renderem à incontestável autoridade moral e supremacia espiritual do Mestre, membros do Centro Espírita optaram pela forma mais indigna e vil de vingança, a impetração de uma ação judicial contra o Centro Espiritual reivindicando o direito de propriedade exclusiva dos nomes União do Vegetal e Oaska junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Para justificar essa reivindicação, apoiaram-se na existência de um registro de propriedade comercial sobre esses nomes.
É compreensível e perfeitamente aceitável que se exija exclusividade de uso de um nome destinado a ser marca de algum produto de natureza mercantilista. Mas, em se tratando de algo de origem milenar e que, além de tudo, não é propriedade de quem quer que seja mas sim um patrimônio espiritual da humanidade, essa exigência de exclusividade carece totalmente de razão de ser. No caso específico dos nomes Oaska e União do Vegetal, há ainda o agravante de que eles fazem parte das tradições indígenas da América do Sul há séculos, tal como consta em diversas obras de etnobotânica, antropologia e História. Não por acaso, quando nos Estados Unidos alguém teve a idéia de tentar patentear o chá, a tentativa não apenas redundou em fracasso mas gerou ainda grande indignação em meio à população indígena e a diversas organizações ecológicas do continente americano.1
O fato é que, ao optar por mover a ação, o Centro Espírita deixou evidente que seus objetivos não são de natureza espiritual, mas sim comercial. E, como se isso não bastasse, pisoteou ainda a própria lei da União do Vegetal, pois traiu os ensinamentos do MESTRE que se encontram registrados num documento denominado Convicção do Mestre, publicado em 1967 no jornal Alto Madeira, em Porto Velho, Rondônia.
Esse documento narra um episódio da vida de MESTRE Gabriel em que ele foi preso injustamente e de maneira arbitrária pelo então delegado de polícia de Porto Velho por estar preparando e distribuindo o Vegetal a alguns de seus discípulos, e evidencia que ele era contrário à prática da mobilização judicial. Consta que estes tentaram impetrar uma ação judicial contra o referido delegado alegando invasão domiciliar após as 22 horas, mas que foram desestimulados pelo MESTRE a tomarem qualquer atitude no sentido de punir judicialmente o autor de sua prisão, pois se o fizessem não estariam agindo com luz, paz e amor.
E se MESTRE Gabriel declinou da vontade de punir judicialmente aqueles que o prenderam, como seria de se esperar então que ele viesse a agir num caso em que o acusado é um homem que vem fazendo cumprir sua palavra e trabalhando para tornar a União do Vegetal conhecida e respeitada mundialmente, e que, além disso, vem trazendo a público, por meio de dezenas de obras, os ensinamentos recebidos através da Oaska?
O processo judicial impetrado contra o Centro Espiritual Beneficente União do Vegetal ainda se encontra em andamento, mas, independentemente de seu resultado, o Mestre Joaquim José de Andrade Neto continuará cumprindo sua missão de maneira magistral, tal como sempre a cumpriu, mantendo-se permanentemente em sintonia com a Força Superior e recebendo dela toda a inspiração e a sabedoria necessárias para conduzir os trabalhos da Ordem. Como homem consciente que é, ele sabe que a decisão jurídica em questão, por mais que possa garantir a exclusividade de uso do nome da União do Vegetal à outra parte, não lhe garantirá jamais a presença do mistério em suas atividades nem a autoridade espiritual inerente ao grau de Mestre a nenhum de seus membros. Ao contrário, aqueles que, agindo de forma truculenta e retaliadora, outorgam aos homens o direito de decidir sobre questões de natureza divina, esquecendo-se de que nestes casos a mão humana é indesejável, acabam impedindo, por suas próprias atitudes, que o poder de Deus os penetre. Distanciam-se, por conseguinte, dos Seus elevados atributos de luz, paz e amor.
Em síntese, a constituição do Centro Espiritual, ao invés de gerar revolta, deve ser motivo de reflexão e exame, uma vez que a lei da União do Vegetal existe para ser cumprida, e não violada. E aqueles que cometem uma infringência não podem nem devem eximir-se de seus efeitos, dos quais estarão livres somente a partir do momento em que reconhecerem de coração suas atitudes inconseqüentes. Só a partir de então poderão desfrutar do conforto que seus espíritos tanto necessitam.


MESTRE Gabriel durante o preparo do
Vegetal em Porto Velho, RO na
década de sessenta


Mestre Joaquim distribuindo o Vegetal
quarenta anos depois em Campinas, SP

Nota

1. O norte-americano Loren Miller agiu de forma semelhante à do Centro Espírita, tentando obter a patente da Ayahuasca (corruptela de Oaska usada pelos índios). Seu objetivo era torná-la produto exclusivo da empresa Plant Medicine Corporation, tendo, por causa disso, sido notícia internacional durante alguns anos. Em 1986 ele obteve essa patente, mas o fato provocou o repúdio das comunidades indígenas. A Confederação Indígena das Comunidades Amazônicas (COICA) solicitou o cancelamento da mesma, apoiado no fato de que a bebida já vem sendo usada por índios há séculos. Durante o 5º Congresso da COICA, em maio de 1997, oitenta delegados representantes de quatrocentas tribos amazônicas se posicionaram contra o patenteamento. Finalmente, no dia 3 de novembro de 1999, depois de grande parte do mundo também haver feito o mesmo, o PTO (United States Patent and Trademark) o rejeitou, levando em consideração o sentido sagrado da bebida para as comunidades indígenas e o fato de elas a usarem há muitas gerações.

domingo, 19 de outubro de 2008

UDV WEBSITE

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última atualização em 8 de fevereiro de 2001


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A SAGRADA UNIÃO

Luz, Paz e Amor

O Centro Espírita Beneficente União do Vegetal, sociedade religiosa sem fins lucrativos, tem por objetivo contribuir para o desenvolvimento humano, com o aprimoramento de suas qualidades intelectuais e suas virtudes morais e espirituais, sem distinção de cor, credo ou nacionalidade. Suas leis situam a cidade de Brasília - Distrito Federal, Brasil - como Sede Geral. A UDV tem como símbolo da paz e da fraternidade humana Luz, Paz e Amor.

Centro - é o espaço onde se reúnem os espíritos encarnados para obter a concentração mental, estado propício ao autoconhecimento.

Espírita - pela crença nos preceitos milenares da reencarnação.

Beneficente - pelos comprovados benefícios prestados aos seus discípulos e à sociedade.

União do Vegetal - por utilizar em seus rituais, para efeito de concentração mental, o chá denominado Hoasca, preparado com a união de dois vegetais, Mariri e Chacrona, comprovadamente inofensivos à saúde.

A missão do Mestre

O uso ritualístico do chá Hoasca entre os povos amazônicos remonta aos períodos anteriores ao descobrimento da América, no século XVI. A UDV foi recriada em 22 de julhode 1961 por José Gabriel da Costa. Aqui, de braços abertos aos seus primeiros discípulos, o Mestre da União dá início à sua missão.

10 de fevereiro de 1922. Ao meio-dia, nasceu o Mestre da União do Vegetal, José Gabriel da Costa, na localidade Coração de Maria - município de Feira de Santana, na Bahia.

Filho de Manuel Gabriel e Dona Prima Feliciana, viveu até a juventude no seio de sua família, seus pais e mais treze irmãos, que dele dão o testemunho de pessoa simples e de notável correção moral.

Ainda jovem, mudou-se para trabalhar na cidade de Salvador, onde viveu por apenas quatro anos. Alistou-se como Soldado da Borracha para colher seringa na floresta amazônica.

Chegou a Manaus de navio e de lá partiu para Porto Velho, no antigo território federal de Guaporé (Rondônia), onde trabalhou como enfermeiro em hospital público e conheceu Raimunda Ferreira, dona Pequenina, sua esposa.

Depois, mudou-se para os seringais. Próximo à fronteira com a Bolívia, entra em contato com a Hoasca, bebendo ali o Vegetal pelas primeiras vezes.

Ainda nos seringais, ao lado de Dona Pequenina, Mestre Gabriel recriou, a 22 de julho de 1961, a União do Vegetal.

No final de 1965, retornou a Porto Velho, em busca de melhores condições de desenvolver as atividades religiosas da sociedade que recriara, distribuindo o Vegetal inicialmente numa pequena olaria de sua propriedade.

Quando passou a realizar as sessões em sua residência, Mestre Gabriel já se fazia acompanhar de alguns discípulos que viriam depois a constituir-se nos mestres responsáveis pela expansão de sua doutrina por todo o país.

No início, a UDV não tinha registro oficial. A polícia chegou a prender o Mestre da União, mas fez-se o registro da Associação Beneficente União do Vegetal e a publicação, no jornal Alto Madeira, da “Convicção do Mestre”, uma defesa pública dos princípios e objetivos da UDV.

Tendo suas atividades temporariamente suspensas no início dos anos 70 pela Divisão de Segurança e Guarda do Território do Guaporé, a UDV impetrou um mandado de segurança, com a mudança de denominação da sociedade para o registro definitivo de Centro Espírita Beneficente União do Vegetal.

Com isso, determina o Mestre da União a construção do primeiro templo, onde é hoje o Núcleo Mestre Gabriel, em Porto Velho - Sede Histórica da UDV, uma forte memória da presença do Mestre. No mesmo ano foi oficializada a primeira distribuição fora daquele território: Manaus, onde surgiria o Núcleo Caupuri.

Com a UDV registrada e os primeiros núcleos iniciados, com um Quadro de Mestres e um Corpo do Conselho preparados para transmitir sua doutrina, Mestre Gabriel desencarnou a 24 de setembro de 1971, em Brasília.

Até 31 de outubro de 1982, a Sede Geral era em Porto Velho, sendo transferida para a Brasília pela Administração Geral.

São criados órgãos deliberativos e outras instâncias capazes de garantir uma expansão ordenada do Centro em conformidade com o fiel cumprimento das leis e da doutrina do Mestre da União, José Gabriel da Costa.

Floresta e cidade

A União do Vegetal surgiu na floresta, mas sua doutrina é universal, sendo igualmente assimilada pelas comunidades da Amazônia e pelas coletividades urbanas, para onde se expandiu.

Trinta anos após sua fundação, a UDV está presente em mais de 40 cidades de quase todos os estados do país, com aproximadamente 7 mil filiados de diversos níveis sociais, representativos da sociedade brasileira.

O Mestre da União deixou previsto nos estatutos do Centro que onde se criasse dois ou mais núcleos poderia ser indicado um Mestre Central para zelar pela disciplina e fiel transmissão da sua doutrina, formando uma região administrativa na UDV.

Seguindo um processo natural de expansão, a União tem hoje seus núcleos distribuídos em 15 regiões, supervisionadas pelo Mestre Geral Representante, em Brasília.

Doutrina cristã

A UDV fundamenta seus ensinamentos no princípio evolucionista da reencarnação, preceito milenar adotado pelo espiritualismo do Oriente, bem como pelos primeiros cristãos, até o século V da nossa Era.

Através de sucessivas encarnações, o espírito evolui, desenvolve gradual fidelidade à prática do Bem, até atingir a Purificação - santidade, para as tradições ocidentais.

Os princípios cristãos são transmitidos por tradição oral, que dizem: “O discípulo deve amar ao próximo como a si mesmo para ser merecedor do símbolo da União: Luz, Paz e Amor”.

A UDV afirma que Jesus Cristo, o Filho de Deus, é parte da totalidade divina e sua palavra revela o caminho verdadeiro da salvação para a humanidade.

Concentração mental

A UDV transmite sua doutrina exclusivamente em seus rituais religiosos. Distribuído pelo Mestre, o chá Hoasca, denominado Vegetal, tem o objetivo de proporcionar aos discípulos um estado equilibrado de concentração mental.

Durante as sessões são feitas “chamadas” - cânticos que transmitem ensinos, equilíbrio e harmonia. É facultado a todos o direito da palavra. Mestres e Conselheiros transmitem orientações úteis na transformação individual de todos.

Caminho da retidão

A UDV orienta seus discípulos a constituir suas vidas de acordo com princípios morais definidos, buscando a evolução espiritual de maneira equilibrada.

As Leis do Centro ensinam que a constituição da família é uma sublime missão e condenam o uso de drogas, legais ou proscritas, e toda forma de vícios, incompatíveis com estados equilibrados de conduta pessoal.

No entanto, uma atitude fraterna e isenta de preconceitos tem permitido à Direção do Centro recuperar grande número de pessoas, hoje seguidores e até dirigentes da UDV.

CIDADÃOS PELA PAZ

Discretos, mas não secretos

A União do Vegetal não faz propaganda em busca de adeptos, mas desde a sua origem tem procurado atender ao interesse da opinião pública de maneira criteriosa.

O interessado procura a União por indicação de sócios. Atendido após uma entrevista sobre seus propósitos e observação de seu estado pessoal, a ele é dado um confortável período de exame antes de associar-se ou não ao Centro.

Apesar do caráter discreto de suas atividades, a UDV participa de importantes causas coletivas, como saúde e meio-ambiente.

A UDV sempre expôs com transparência os princípios que regem sua doutrina e os objetivos de sua ação, acolhendo solicitações da imprensa quando por ela procurada.

Estas reportagens não representam necessariamente, no todo ou em parte, o pensamento unificado do Centro. Exemplificam, apenas, como têm sido percebidos a nossa conduta social e o desenvolvimento das nossas atividades ao longo do tempo.

A União do Vegetal distribui o chá Hoasca somente em ritual religioso, consciente do seu sentido sagrado e da necessidade de lidar de modo responsável com os seus efeitos no processo de desenvolvimento da criatura humana.

A UDV não o comercializa de nenhuma forma, nem o associa a substâncias proscritas ou ainda o distribui a pessoas que não apresentem um adequado quadro emocional.

As atividades do Centro, sobretudo os procedimentos relacionados à distribuição do Vegetal, são do inteiro conhecimento das autoridades públicas, a quem a UDV faz questão de abrir suas portas e contribuir da melhor maneira possível para que o uso da Hoasca se mantenha restrito aos rituais das sociedades religiosas que o adotam.

O trabalho beneficente do Centro recebeu reconhecimento público com a publicação no

Nº 123 do Diário Oficial da União, de 22 de julho de 1999, do Decreto em que o Presidente da República declara de utilidade pública federal diversas instituições, entre eles o Centro Espírita Beneficente União do Vegetal, com sede na cidade de Brasília, Distrito Federal.

Mudar a si em paz com o mundo

Para a União, o aprimoramento intelectual e profissional é um aspecto relevante num processo de crescimento pessoal. Os filiados ao Centro são estimulados a colaborar, sempre que possível, com iniciativas de interesse do bem comum.

Mesmo observando para si um padrão moral discreto e coerente, o discípulo é orientado pelas Leis do Centro a manter uma atitude tolerante com outros grupos sociais que adotam conduta diferente do que preceitua a doutrina da União.

Sabe o Bem quem o recebe

Ao adotar este princípio ensinado pelo Mestre da União, os discípulos fazem da repercussão dos seus atos e palavras no meio que os cerca a medida primordial de seu desenvolvimento espiritual.

No cotidiano de uma irmandade de qualquer núcleo da UDV, o convívio é a grande escola. A própria constituição social diversificada do Centro permite compartilhar experiências e responsabilidades comuns em uma verdadeira fraternidade.

Mutirões de trabalho, preparos do Vegetal, atividades recreativas e educacionais são uma constante no cotidiano da União, quando se reúnem os sócios, seus filhos e familiares para juntos festejarem a vida e zelarem pela prática do bem.

Desde os primeiros momentos, a União do Vegetal se caracterizou pela simplicidade com que Mestre Gabriel viveu o seu exemplo orientador e transmitiu sua doutrina reta.

A luz universal de seus ensinos vem cativando pessoas com formações diferentes, mas que na UDV encontram uma identidade de sentimentos e ideais que os vem unindo.

Todos Juntos

Os sócios do Centro são formados por Mestres, Conselheiros e Discípulos. Os Mestres, responsáveis pelo equilíbrio da União, formam com os Conselheiros a Direção do Centro.

Os discípulos chegam aos graus diretivos através do Corpo Instrutivo, onde recebem os ensinamentos reservados transmitidos originalmente pelo

Mestre Gabriel.

A Direção Geral é responsabilidade do Mestre Geral Representante, que se reporta ao Conselho da Representação Geral e ao Conselho da Administração, de representação mais ampla.

É constituída, na Sede Geral, uma Diretoria Geral com atribuições restritas à administração institucional e coordenação dos diversos departamentos do Centro.

Praticamente todas as indicações de ascensão hierárquica ou para cargos diretivos são feitas mediante processo de votação.

o caso de cargos diretivos, os eleitos são escolhidos para mandato temporário, não remunerado.

A permanência do sócio em qualquer cargo diretivo ou grau hierárquico é preservada pela observância rigorosa, por parte do mesmo, dos princípios e normas recomendados pelas leis do Centro.

Para o fiel cumprimento de suas atribuições administrativas, a Diretoria Geral da UDV mantém ativos os departamentos de Plantio, Memória e Documentação, Médico-científico e Jurídico.

O Departamento de Plantio é responsável pelo cultivo de Mariri e Chacrona; o DMD zela pela preservação dos documentos e registros históricos do Centro; o Demec responde por atribuições como o apoio ao desenvolvimento dos estudos relativos ao chá Hoasca e a articulação entre os profissionais de saúde associados.

O Departamento Jurídico é responsável por todas as gestões regulamentares a respeito do uso autorizado do Vegetal e zela pela preservação legal de símbolos e outros elementos peculiares de identificação do caráter original desta sociedade religiosa.

A UDV apóia e participa ativamente ainda das atividades da Associação Novo Encanto de Desenvolvimento Ecológico, que mantém em cada núcleo do Centro uma monitoria com o objetivo de desenvolver programas ambientais.

A NATUREZA E O SAGRADO

Um novo encanto

A ambição levou a civilização a observar a natureza como subalterna. Mas é por ser superior ao Homem que a natureza o serve.

O Ser Humano destrói a natureza na razão direta em que esquece o verdadeiro sentido de sua humanidade. Redimensionar a relação da humanidade com a natureza está no centro da mudança necessária à permanência da vida na Terra.

Para a Associação Novo Encanto de Desenvolvimento Ecológico, o uso equilibrado da natureza é aquele capaz de respeitar e garantir o acesso das gerações futuras aos bens naturais e meios de uma saudável subsistência.

Seringal Novo Encanto

Como sociedade religiosa, a UDV tem na Amazônia não apenas sua origem espacial, mas a ela está ligada por valores essenciais de espiritualidade. A União do Vegetal dedica uma parcela de seus esforços institucionais à preservação de grandes áreas de floresta tropical nativa.

Localizado no município de Lábrea, Estado do Amazonas, na divisa com o Acre, o Seringal Novo Encanto compreende uma área de 8.025 hectares onde se pretende realizar programas de desenvolvimento sustentável e atividades de manejo florestal.

A perfeição da natureza é a medida imediata do limite humano e a aproximação mais evidente do Homem com a manifestação do Poder Criador.

O Vegetal, comungado no ritual do Centro, é preparado com duas plantas nativas da floresta.

A água, abundante na região, é um elemento natural consagrado na União com um rico significado espiritual.

A saúde, da qual a biodiversidade amazônica é fonte ainda não inteiramente conhecida, é uma expressão de equilíbrio e perfeição divina.

Espécies vegetais nativas da região são consagradas como manifestações mais acentuadas do Poder, presente em harmonia e ciência no plano da natureza material.

Diversas leis da vida natural são aplicadas no trabalho doutrinário do Centro, como símbolos de virtude para o aprimoramento da prática humana.

Reservas para o futuro

Uma carta de intenção firmou acordo entre a UDV e a Novo Encanto para arrecadação de recursos

entre os sócios do Centro visando a aquisição de áreas florestais.

Nas áreas adquiridas, a Novo Encanto irá prestar apoio a atividades de plantio de Mariri e Chacrona, vegetais utilizados no preparo da Hoasca.

Paralelamente, serão desenvolvidos programas de preservação da vegetação nativa, projetos de manejo sustentado e apoio a pesquisas e estudos.

A contribuição voluntária dos sócios do Centro permitiu a aquisição de duas áreas dentro do programa: 100 hectares em Ariquemes, Rondônia, e 120 hectares em Antonina, no Paraná.

As atividades na área estão sob responsabilidade do Departamento de Plantio da Diretoria Geral da União.

Viva para sempre

Retirada da floresta em larga escala pela indústria madeireira, que a utiliza na fabricação de compensados, a Samaúma é uma árvore de importância simbólica e medicinal para os povos da floresta.

Com o objetivo de preservar a espécie, a Novo Encanto está promovendo a campanha Samaúma Viva para Sempre requerendo ao IBAMA sua imunidade ao corte, nos termos previstos em Lei.

Sua copa se estende acima do nível das demais árvores. De beleza incomum, a Samaúma motivou lendas e visões de poderes nas comunidades indígenas.

Para algumas tribos amazônicas, da água retida em seu tronco formou-se o Solimões. Os pajés Ticunas a evocam, pedindo força de comando e de cura.

A seiva da Samaúma é usada contra conjuntivite. A decocção da casca é diurética. Os nativos usam a água retida no tronco com diversos fins terapêuticos.

No oitavo mês de gravidez, por exemplo, as mulheres a ingerem para garantir um parto tranqüilo, com bastante líquido.

Boa árvore, bons frutos

Centenas de sócios do Centro são filiados à Novo Encanto. Em muitos núcleos há ativas monitorias da entidade, com desenvolvimento de programas ambientais, como coleta seletiva de lixo, entre outros.

As monitorias da Novo Encanto estão presentes ainda na vida dos núcleos apoiando os trabalhos de plantio e manejo do Mariri e da Chacrona, utilizados no preparo da Hoasca.

Paisagismo produtivo – Em Florianópolis, Santa Catarina, um curso de paisagismo orientou os sócios para formas de aproveitamento equilibrado do espaço, introduzindo técnicas de permacultura.

Mil mudas – Em parceria com o grupo Ecoando, a monitoria de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, distribuiu 100 mudas de Ipê e 800 de Aroeira, além de sementes de plantas nativas.

Biblioteca Ecológica – Em Fortaleza, Ceará, a Biblioteca Circulante de Textos Ecológicos difunde ensaios e reportagens sobre o tema. Excursões de estudo aos diversos ecossistemas existentes no Estado são uma constante.

Multiplicando consciências – Um curso de “Capacitação de Multiplicadores em Educação Ambiental” foi promovido em Cuiabá, Mato Grosso, com participantes de diversos Estados das regiões Norte e Centro-Oeste.

Ecologia e lazer – Em Goiânia, uma monitoria que conta com mais de cem associados organiza periodicamente encontros onde atividades artísticas e de lazer são usadas como recursos, em um permanente programa de educação ambiental.

Círculo de vídeo – No Rio de Janeiro, foi apresentada uma série de documentários ambientalistas, tratando de biodiversidade, cultura extrativista, cooperativas ecológicas, entre outros temas.

BiodiversidadeEm São Paulo, os associados visitam parques e reservas, e promovem palestras sobre temas ligados a biodiversidade e coleta seletiva de resíduos sólidos.

HOASCA: CIÊNCIA E SAÚDE

Ciência e saúde

O Mestre Gabriel afirma, nos primeiros documentos do Centro, que o Vegetal (chá Hoasca) é "comprovadamente inofensivo à saúde". Consciente das palavras do seu Mestre, a União mantém um canal permanente de relacionamento com a comunidade científica: o Departamento Médico-Científico – Demec. Após anos de estudos e pesquisas, a palavra do Mestre vem sendo confirmada por estudos científicos promovidos por autorizadas instituições acadêmicas brasileiras e internacionais.

Sabedoria e conhecimento

Quando, em 1851, o botânico inglês Richard Spruce encontrou-se com os índios Tucanos nas margens do rio Vaupés, na Amazônia brasileira, o acontecimento foi celebrado em ritual nativo, com a ingestão de um chá de nome caapi, que diziam provocar visões.

Foi o primeiro encontro do conhecimento acadêmico da etnobotânica com a sabedoria de um mundo transcendental cuja origem poucos conhecem. O cipó com o qual era preparado o chá veio a ser denominado Banisteriopsis caapi.

Aquele cipó, que a União conhece como Mariri, é usado em decocção com as folhas de um arbusto também nativo da Amazônia, Psychotria viridis - Chacrona para os seguidores da UDV - resultando no chá conhecido no meio acadêmico como Ayahuasca ou Hoasca - que a União denomina Vegetal, utilizado em suas sessões para efeito de concentração mental.

Foi por reconhecer na Hoasca o benéfico poder de facilitar a transformação da consciência humana, quando orientada por uma doutrina reta, baseada na bondade e na justiça, na paz e no amor, que o Mestre da União, José Gabriel da Costa, iniciou a sua distribuição no âmbito do Centro Espírita Beneficente União do Vegetal.

Estudos médicos

A partir da década de 1960, surgiram questionamentos das autoridades em relação ao uso do Vegetal em rituais religiosos, culminando em 1985 com a inclusão temporária do Banisteriopsis caapi na lista de substâncias proscritas da Dimed.

Diante disso, profissionais de saúde filiados à UDV se organizaram para reunir informações científicas existentes a respeito da Hoasca. Foi criado em 1986 o Centro de Estudos Médicos, atualmente Departamento Médico-Científico da UDV - Demec.

Composto por comissões, o Demec tem entre suas atribuições, o Demec incentiva e acompanha a realização de pesquisas científicas. É o órgão de interlocução entre o Centro e o meio acadêmico, e agente facilitador das condições institucionais necessárias para que os cientistas realizem pesquisas.

Orientado por princípios éticos compatíveis com a doutrina da União, o Demec é hoje um importante centro de referência no conhecimento científico do chá Hoasca.

Além de disponibilizar informações sobre o tema, colabora com pesquisas a respeito dos efeitos do chá e promove congressos científicos.

Com a ampliação das solicitações atendidas pelo Demec, houve a necessidade de serem criados grupos de trabalho específicos. Formadas por profissionais de saúde da UDV especializados em cada área de atuação, as comissões têm as seguintes atribuições:

1. Comissão Científica: avaliar as propostas de pesquisa apresentadas ao Demec, referentes aos aspectos de natureza bio-psicológica relacionados ao uso da Hoasca no âmbito da UDV.

2. Comissão Clínica: formada por médicos, atua no monitoramento dos aspectos clínicos relacionados ao uso do chá Hoasca.

Comissão de Saúde Mental: formada por profissionais de saúde mental, realiza monitoramento e acompanhamento de casos da área de saúde mental. Emite, ainda, recomendações para situações de associação do chá Hoasca com medicamentos neurológicos, psiquiátricos e outros.

Atribuições

· Reunir e atualizar os conhecimentos dos aspectos científicos relacionados ao chá Hoasca.

· Disponibilizar todos os conhecimentos científicos da Hoasca para todos os sócios da UDV.

· Ser órgão de referência para recomendações médicas quanto aos efeitos das substâncias presentes no chá Hoasca.

· Acompanhar e colaborar com o cumprimento das normas estabelecidas pela Secretaria Nacional de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde nos cuidados de higiene com o preparo, manuseio, transporte e conservação do chá Hoasca

· Recomendar cuidados com a saúde coletiva dos filiados do Centro nos aspectos higiênico-sanitários, particularmente na prevenção e controle das doenças infecto-contagiosas.

· Estabelecer recomendações e acompanhamento na área de saúde mental, bem como em situações de associação com medicamentos neurológicos, psiquiátricos e outros.

· Zelar pelo cumprimento da Carta de Princípios dos Profissionais da Saúde da UDV, bem como ser o órgão responsável por sua atualização.

· Representar a UDV junto a autoridades legais e científicas, enquanto departamento médico-científico da instituição.

· Avaliar e acompanhar propostas de pesquisas apresentadas pelos filiados do centro ou de pesquisadores ligados a outras instituições científicas.

· Ser responsável pela divulgação institucional dos resultados de pesquisas desenvolvidas no âmbito da UDV que estiveram sob responsabilidade e acompanhamento deste Departamento.

Como decorrência dos esforços de realização dos dois primeiros congressos de saúde da UDV, em 1991 (São Paulo-SP) e 1993 (Campinas-SP), centros universitários e instituições de pesquisa do Brasil, Estados Unidos e Finlândia conduziram, com financiamento da "Botanical Dimensions" (ONG dos EUA sem fins lucrativos, que apoia estudos etnobotânicos), dez pesquisas que compõem o Projeto Hoasca.

Com o objetivo de responder a duas perguntas básicas - "O Chá Hoasca utilizado no contexto da UDV é seguro?" e "Como ele age no cérebro?" -, nove centros, entre instituições de pesquisa e universidades brasileiras, norte-americanas e da Finlândia participaram desse projeto, envolvendo um total de mais de 30 pesquisadores.

A fase de campo (coleta de dados) foi realizada em Manaus (AM), em junho de 1993, e abrangeu todos os aspectos da pesquisa: botânicos, fitoquímicos, toxicológicos, farmacocinéticos, neuroendócrinos, clínicos e psiquiátricos. Segundo o Dr. Charles Grob (UCLA), principal investigador do projeto, "foi um estudo intensivo e exaustivo jamais realizado dos aspectos médicos da Hoasca".

Em 1994, começaram a ser publicados na literatura científica os primeiros artigos decorrentes desse trabalho, com os resultados preliminares da pesquisa. Outros ainda estão em fase de publicação.

Foram as seguintes as instituições de pesquisa e centros universitários participantes do Projeto Hoasca com o Centro de Estudos Médicos da UDV:

Escola Paulista de Medicina

(UNIFESP/EPM) - Brasil

Universidade Estadual de Campinas

(UNICAMP) - Brasil

Universidade Estadual do Rio de Janeiro

(UERJ) - Brasil

Universidade Federal do Amazonas

(UFAM) - Brasil

Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia

(INPA) - Manaus, Brasil

Universidade de Kuopio - Finlândia

Universidade da Califórnia

Los Angeles - Estados Unidos

Universidade de Miami - Estados Unidos

Universidade do Novo México

Estados Unidos

Em conjunto, o Projeto Farmacologia Humana da Hoasca abordou as seguintes aspectos:

Botânico: identificação das espécies vegetais utilizadas no preparo do chá Hoasca.

Fitoquímico: análise dos princípios ativos presentes no chá Hoasca e nas plantas que o compõem.

Neurotoxicidade Aguda: ensaios em animais para avaliar se o chá Hoasca causa danos ao sistema nervoso central.

Farmacocinético: mecanismos de distribuição, armazenamento e metabolização pelo organismo humano das substâncias presentes no chá Hoasca.

Neurorreceptores: investigação de possíveis mecanismos da fisiologia cerebral envolvidos no

uso da Hoasca, através do estudo dos receptores de serotonina em plaquetas.

Neuroendócrino: Verificação do comportamento de alguns hormônios (cortisol, hormônio do crescimento e prolactina) durante o efeito agudo do chá, e sua correlação com mecanismos de ação dos constituintes da Hoasca no cérebro.

Clínicos: avaliação da condição geral de saúde (avaliação clínica basal) e dos efeitos fisiológicos agudos provocados pela ingestão do chá Hoasca.

Psiquiátricos: análise da estrutura de personalidade e investigação da existência de dependência ou outros distúrbios psiquiátricos atuais ou anteriores nos usuários do chá Hoasca. Avaliação neuropsicológica (memória auditiva de curta duração) e da fenomenologia (percepção orgânica, sensorial e mental) vivenciada na experimentação do chá.

As respostas obtidas nas avaliações do Projeto Hoasca ensejaram entre os pesquisadores o desenvolvimento de novas pesquisas. Há interesse em continuar a investigação dos aspectos médicos da Hoasca para elucidar questões levantadas nos resultados e avaliar novos aspectos.

Adolescentes

Para avaliar se o chá Hoasca (Vegetal) causa algum tipo de prejuízo ao desenvolvimento afetivo, moral, psíquico e social de adolescentes que freqüentam a UDV, está sendo conduzida uma pesquisa pelo Dr. Charles Grob, da Universidade da Califórnia, em conjunto com a Universidade Federal de São Paulo/ Escola Paulista de Medicina. Em três cidades brasileiras - Brasília, Campinas e São Paulo -, cerca de 45 adolescentes da UDV estão sendo avaliados com testes neuropsicológicos e entrevistas individuais e dinâmicas de grupo. A fase de campo, bem como os resultados, estão previstos para 2001.

Receptores de Serotonina

O estudo do PhD Jace Callaway, da Universidade de Kuopio - Finlândia, apontou o aumento da população de receptores plaquetários de serotonina, sendo tais resultados inéditos em pessoas mentalmente sadias. Para verificar se o chá Hoasca é o fator causal, Callaway conduzirá novo estudo que analisará como se comportam os receptores de serotonina em usuários de longo prazo que deixam de beber o chá Hoasca por um prazo de 6 semanas, e voltam a bebê-lo habitualmente

Seguimento do Projeto Hoasca de 1993

Os principais pesquisadores do Projeto Hoasca (1993) - Callaway, Grob e McKenna - apresentaram uma proposta de estudo para avaliação dos mesmos 15 indivíduos pesquisados em 1993, e possivelmente novos grupos. Entre os objetivos, pretende-se realizar avaliações de perfil psicológico, neuropsiquiátricas, de neurorreceptores, de indicadores de imunidade e avaliações eletrocardiográficas e eletroencefalográficas.

Recuperação de Dependentes de Álcool de Drogas

Os resultados da avaliação psiquiátrica do Projeto Hoasca apontaram um possível efeito de recuperação de indivíduos anteriormente dependentes do álcool após o início do consumo regular da Hoasca. Para avaliar a possibilidade terapêutica do Vegetal na recuperação de alcoólicos e drogadictos, pesquisadores da Escola Paulista de Medicina/Universidade Federal de São Paulo e Universidade da Califórnia propuseram um estudo no qual o uso ritualístico da Hoasca por alcoólicos seja avaliado como possibilidade de tratamento. Este estudo ainda está em fase de viabilização institucional dentro da UDV, bem como a avaliação dos aspectos éticos envolvidos.

Efeitos da Hoasca na Gestação

Com o objetivo de investigar os efeitos do chá Hoasca na gestação e no desenvolvimento de crianças nascidas de mães que o utilizaram durante a gravidez, um grupo de profissionais de saúde da UDV ligados ao Demec realizou na cidade de Fortaleza, Ceará, um estudo piloto retrospectivo. Através de entrevistas e aplicação de questionários e testes, procurou-se estabelecer a ocorrência de patologias obstétricas entre aquelas gestantes, além de avaliar o desenvolvimento neuropsicomotor das crianças nascidas dessas gestações. Os resultados obtidos necessitam de avaliação metodológica crítica e tratamento estatístico adequado para serem publicados.

O documento a seguir foi elaborado pelos profissionais de saúde do Centro Espírita Beneficente União do Vegetal durante o I Congresso em Saúde da UDV, em 1991.

Os profissionais de saúde sócios do Centro Espirita Beneficente União do Vegetal, considerando as disposições do Código de Ética Médica (Resolução CEM nº 1246/88), o Código de Ética Profissional dos Psicólogos (Resolução CPF nº 002/87), o Código Internacional de Ética Médica e as declarações de Nuremberg, de Genebra, de Helsinque e a Declaração Universal dos Direitos do Homem;

considerando que, estatutariamente, o Centro Espírita Beneficente União do Vegetal tem por objetivos fazer uso do chá chamado Hoasca e, também, o de transformar o ser humano no sentido de desenvolver suas virtudes morais, intelectuais e espirituais;

considerando que o uso do chá Hoasca não está autorizado no país como um tipo de terapêutica, e considerando a oportunidade de esclarecimento público quanto aos princípios éticos que norteiam o Centro de Estudos Médicos e os profissionais em saúde da União do Vegetal, DECLARAM QUE:

1º. Não farão, dentro ou fora do âmbito do Centro Espírita Beneficente União do Vegetal uso, em caráter profissional, da Hoasca, sem que haja comprovação científica de sua qualidade terapêutica.

2º. No âmbito da União do Vegetal limitarão suas atividades profissionais ao atendimento clínico de sócios, quando necessário, e a observações e estudos científicos quanto ao uso do chá pelos sócios do Centro, quando para tal autorizados pelo Centro de Estudos Médicos da União do Vegetal.

3º. Não se prevalecerão da relação profissional e da condição de sócios do Centro Espírita Beneficente União do Vegetal para encaminhamento de clientes a esta sociedade, com objetivo de fazer uso terapêutico do chá.

4º. Aceitam o Centro de Estudos Médicos da União do Vegetal como órgão supervisor dos estudos e trabalhos científicos relativos à Hoasca, realizados por sócios do Centro Espírita Beneficente União do Vegetal.

5º. Todos os estudos e trabalhos supervisionados pelo Centro de Estudos Médicos obedecerão às normas vigentes internas do Centro Espírita Beneficente União do Vegetal e externas ao mesmo, especialmente as normas do código de Ética Médica e do código de Ética Profissional dos Psicólogos.

6º. Os trabalhos e estudos científicos supervisionados pelo Centro de Estudos Médicos serão norteados pela isenção de preconceitos, pela idoneidade e pelo decoro, abstendo-se os pesquisadores de divulgação de seus resultados, o que só será feito, oportunamente, pelo Centro de Estudos Médicos.

7º. A presente carta de princípios poderá ser reavaliada, havendo a comprovação científica oficial da capacidade terapêutica do chá Hoasca.

São Paulo, 02 de junho de 1991

Os profissionais em saúde do C. E. B. U. D. V. presentes ao 1º Congresso em Saúde da União do Vegetal

A articulação de um departamento congregando os profissionais de saúde da UDV teve como um de seus mais promissores resultados a intensificação de pesquisas científicas no universo acadêmico com a colaboração direta do Centro. A seguir, as principais referências bibliográficas e da internet a respito da Hoasca.

Publicações de resultados do Projeto Hoasca

Human psychopharmacology of hoasca, a plant hallucinogen used in ritual context in Brazil: Grob, C. S., D. J. McKenna, J. C. Callaway, G. S. Brito, E. S. Neves, G. Oberlender, O. L. Saide, E. Labigalini, C. Tacla, C. T. Miranda, R. J. Strassman, K. B. Boone .

Journal of Nervous & Mental Disease. 184:86-94, 1996.

Conteúdo: Resultados dos estudos psiquiátricos e psicológicos do Projeto Hoasca.

Farmacologia Humana da Hoasca - planta alucinogena usada em contexto ritual no Brasil - Português - 1996.RTF

Human Psychopharmacology of Hoasca - a plant Hallucinogen used in ritual context in Brazil - English - feb1996.RTF

Human Psychopharmacology of Hoasca - a plant Hallucinogen used in ritual context in Brazil - English - feb1996.PDF

Pharmacokinetics of Hoasca alkaloids in healthy humans. J.C. Callaway, D.J. Mckenna, C.S. Grob, G.S. Brito, L.P.Raynon, R.E. Poland, E.N. Andrade, D.C. Mash.

Journal of Ethnopharmacology 65 (1999): 243-256.

Conteúdo: Resultados dos aspectos farmacocinéticos e neuroendócrinos do Projeto Hoasca

Pharmacokinetics of Hoasca alkaloids in healthy humans Callaway English - 1999.pdf

Platelet serotonin uptake sites increased in drinkers of ayahuasca. James.C. Callaway, Mauro M. Airaksimen, Dennis .J. Mckenna, Charles.S. Grob, Glacus.S. Brito

Psychopharmacology (1994) 116: 385-387

Conteúdo: Resultados dos estudos de receptores plaquetários do Projeto Hoasca

The Scientific Investigation of Ayahuasca – A Review of Past and Current Research. McKenna, D. J., & Callaway, J.C., Grob, C. S.

The Heffer Review of Psychedelic Research: 1998 (I):65-77.

Conteúdo: Trata-se de um artigo de revisão atualizado, que aborda aspectos antropológicos, botânicos, fitoquímicos, farmacológicos, clínicos e psiquiátricos a respeito do chá Hoasca.

Heffter Review 1998 - The Scientific investigation of Ayahuasca Review of past and Current Research - English - .PDF

The Scientific Investigation of Ayahuasca A Review of Past and Current Research - English - dez98.rtf

Avaliação Comparativa Basal entre usuários do Chá Hoasca de longo prazo e controles. Avaliações fisiológicas dos efeitos agudos pós ingestão do chá Hoasca. E.N. Andrade, E. O. Andrade, D. J. Mckenna, J. W. Cavalcante, L. Okimura, G.S. Brito, E. S. Neves, C. S. Grob, J. C. Callaway et al.

Documento preliminar ainda não publicado. Trabalho apresentado na I Conferência Internacional dos Estudos da Hoasca, Rio de Janeiro, 1995.

Conteúdo: Resultados dos aspectos clínicos do Projeto Hoasca

Triagem fitoquímica e influência da Hoasca sobre o consumo voluntário de etanol em camundongos. J.E. Carvalho, M. Costa, P.C. Dias, M.A. Antônio, F. U. Barbosa, M.A. Foglio, A. R. M. S. Brito.

Centro Pluridisciplinar de Pesquisas Químicas, Biológicas e Agrícolas da UNICAMP, Campinas, São Paulo

Documento preliminar ainda não publicado. Trabalho apresentado na I Conferência Internacional dos Estudos da Hoasca, Rio de Janeiro, 1995.

Conteúdo: Resultados de aspectos toxicológicos do Projeto Hoasca

Efeitos farmacológicos do decocto (Hoasca) de Banisteriopsis caapi e Psycotria viridis em camundongos. J.E. Carvalho, M. Costa, P.C. Dias, M.A. Antônio, A. R. M. S. Brito.

Centro Pluridisciplinar de Pesquisas Químicas, Biológicas e Agrícolas da UNICAMP, Campinas, São Paulo

Documento preliminar ainda não publicado. Trabalho apresentado na I Conferência Internacional dos Estudos da Hoasca, Rio de Janeiro, 1995.

Conteúdo: Resultados de aspectos toxicológicos do Projeto Hoasca

Outras referências científicas:

Uso Ritual da Hoasca: Recomendações e Cuidados. Francisco Assis de Sousa Lima M.D

Newsletter of the Multidisciplinary Association for Psychedelic Studies - MAPS” - Volume 7 Number 1 Winter 1996-97 - pp. 25-26 (www.maps.org)

The ritual use of Hoasca - Comments and advices Francisco Assis de Sousa Lima - English.rtf

The ritual use of Hoasca - Comments and advices Francisco Assis de Souza Lima - English.PDF

Uso Ritual da Hoasca - Recomendacoes e Cuidados Francisco Assis de Sousa Lima - Português.pdf

Uso Ritual da Hoasca - Recomendacoes e Cuidados Francisco Assis de Sousa Lima - Português.rtf

Sistema de Notificação e Monitoramento Psiquiátrico em Instituição de Usuários do Chá Hoasca – União da Vegetal. F. A. S. Lima, M. B. Naves, J. M. C. Motta; J. C. V. D. Migueli, G. S. Brito e Cols.

Conteúdo: Poster apresentado no XVI Congresso Brasileiro de Psiquiatria. São Paulo, 1998.

XVI Congresso Brasil PQ 1998 - Resumo Poster - Português.PDF

XVI Congresso Brasil PQ 1998 - Resumo Poster - Português.rtf

O uso de Ayahuasca em um contexto Religioso por Ex-Dependentes de Álcool – Um estudo Qualitativo. Tese de Mestrado de Eliseu Labigalini Júnior.

Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP/EPM), São Paulo, 1998.

Uso de Ayahuasca por ex-dependentes de alcool na UDV - Tese de Mestrado de Eliseu Labigalini 1998 - Português.rtf

Referências Científicas na Internet

The Heffter Research Institute: www.heffter.org

Multidisciplinary Association for Psychedelic Studies: www.maps.org

Em junho de 1991, o Demec - ainda denominado Centro de Estudos Médicos da UDV - realizou em São Paulo o 1º Congresso em Saúde, com o objetivo de atualizar os participantes quanto ao conhecimento acadêmico disponível sobre os aspectos que envolvem o chá Hoasca: botânicos, fitoquímicos, antropológicos, clínicos, psiquiátricos e legais.

Participaram cerca de 180 pessoas, entre autoridades jurídicas, filiados do Centro e pesquisadores nacionais e internacionais de grande expressão nessa área de estudo, como Dennis Mckenna (EUA) e Luis Eduardo Luna (Colômbia).

Um dos resultados do 1º Congresso em Saúde da UDV foi a proposta feita ao PhD. Dennis Mckenna para a realização de uma pesquisa abrangente a respeito do uso do chá Hoasca no contexto da União do Vegetal, desafio que foi aceito e resultou no projeto Farmacologia Humana da Hoasca.

Um mês após o 1º Congresso em Saúde da UDV, um de seus participantes - o jurista do Conselho Federal de Entorpecentes Domingos Bernardo de Sá - defendeu publicamente, no Congresso da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), o uso ritualístico da Hoasca.

Com o tema "Hoasca e o desenvolvimento integral do ser humano", foi realizado em 1993 em Campinas, São Paulo, o II Congresso em Saúde da UDV, que contou com a participação de 450 pessoas. O programa científico abrangeu a apresentação feita pelos pesquisadores dos resultados preliminares de partes do Projeto Hoasca. Além do conteúdo científico, o congresso teve também em sua programação temas de interesse médico-comunitário, não diretamente relacionados aos aspectos científicos do chá.

Em 1995, foi realizada no Rio de Janeiro a 1a. Conferência Internacional dos Estudos da Hoasca, com o objetivo de apresentar os resultados formais do Projeto Hoasca e promover uma reflexão comum com a comunidade científica, esclarecendo os setores responsáveis pela gestão jurídica do assunto.

Foi expressiva a participação tanto de autoridades jurídicas e acadêmicas mundialmente reconhecidas nas áreas de Etnobotânica de substâncias enteógenas, Neuroquímica e Psiquiatria, quanto de profissionais de saúde filiados do Centro e demais sócios interessados no assunto, num total de 900 participantes.

A 1a. Conferência Internacional dos Estudos da Hoasca ensejou o desenvolvimento de novas pesquisas, sempre tendo como referência o uso da bebida no ritual da União do Vegetal.

Em direção a Deus

O termo "alucinógeno" é a denominação corrente nos estudos de etnobotânica para classificar, por seus efeitos, o chá Hoasca (Vegetal), enquadrando em parâmetros já conhecidos uma manifestação incomum da natureza. No âmbito científico, a palavra significa "substância que produz falsas percepções da realidade" e tem sua origem na classificação farmacológica das substâncias psicoativas (que agem nas emoções e pensamentos).

Para alguns pesquisadores, a classificação do Vegetal como "alucinógeno" é uma imprecisão, pois o mesmo não causa perda do contato com a realidade - como pressupõe o termo - mas sim um grau ampliado de percepção que permite a compreensão daquela realidade com maior clareza ou transcendência.

Além disso, a evidência de que seu uso responsável tem sido de comprovada importância no processo de desenvolvimento pessoal, em todos os sentidos - físico, mental, moral e intelectual - para um grande número de adeptos, contribui para uma nova percepção do chá Hoasca no meio científico.

Nesse sentido, pesquisadores da área de Etnobotânica têm proposto a classificação do Vegetal como "enteógeno", ou seja, substância que "gera uma experiência de contato com o divino", causando uma sensação generalizada de aproximação com o Sagrado e facilitando o autoconhecimento e o aprimoramento do ser humano.

Inofensivo à saúde

A afirmação do Mestre da União, de que a Hoasca "é comprovadamente inofensivo à saúde", vem sendo avaliada pela comunidade científica internacional, numa iniciativa da própria UDV. Os primeiros resultados das pesquisas vão ao encontro das palavras do Mestre.

O Projeto Hoasca, realizado em 1993, avaliou um grupo de 15 usuários que há mais de 10 anos utilizavam regularmente o Vegetal em rituais da UDV nos aspectos de saúde geral e mental. Outros 15 indivíduos - que nunca utilizaram o chá Hoasca - foram estudados com os mesmos métodos para efeito de comparação de resultados (grupo controle).

O Projeto Hoasca indicou a existência de segurança no uso ritual que é feito do chá Hoasca na UDV. Seus resultados ensejaram o desenvolvimento de novas pesquisas, atualmente em andamento.

A avaliação da condição geral de saúde (avaliação clínica basal) não encontrou nenhum dano em qualquer sistema do organismo: respiratório, cardiovascular, renal-metabólico, neurológico e gastrointestinal entre os usuários do chá Hoasca.

A avaliação dos aspectos de saúde mental foi abrangente. O inquérito de diagnósticos psiquiátricos CIDI avaliou a existência atual e anterior de todos os tipos de transtornos psiquiátricos, inclusive dependência de substâncias. Os resultados obtidos demonstraram a inexistência de distúrbios psiquiátricos atuais entre os usuários do Vegetal, inclusive os que caracterizam "vício" (abstinência, tolerância, comportamento de abuso e perda social). A avaliação neuropsicológica demonstrou que os membros da UDV tinham maior poder de concentração e melhor resposta de memória auditiva imediata que os indivíduos do grupo controle.

A análise da personalidade dos indivíduos da UDV evidenciou que estes tendiam a ser pessoas mais seguras, calmas, dispostas, alegres, emocionalmente maduras, ordeiras, persistentes e confiantes em si mesmas em relação aos indivíduos do grupo controle.

A pesquisa indicou que os usuários regulares do chá Hoasca apresentam um melhor nível de humor. Esse resultado, correlacionado com os achados do estudo de receptores plaquetários de serotonina aponta um possível efeito anti-depressivo do chá.

Hoasca e as leis

Em 1985, quando a Divisão de Medicamentos do Ministério da Saúde - Dimed incluiu em caráter proibitivo o Banisteriopsis caapi na lista das substâncias entorpecentes, a União do Vegetal, em respeito à lei, suspendeu imediatamente a distribuição do Vegetal (chá Hoasca) em todo o país, por dois meses.

Naquele momento, a Direção do Centro solicitou ao Conselho Federal de Entorpecentes (Confen), responsável legal na área da política de entorpecentes no país, para que examinasse o uso ritual do vegetal feito pelos membros da instituição.

Em 1986, o Confen organizou um comitê interdisciplinar de pesquisa composto por juristas, psiquiatras, psicólogos, sociólogos e antropólogos, que visitaram as seitas usuárias do chá Hoasca - incluindo a UDV - e analisaram o contexto ritualístico de seu uso.

Presidida pelo Dr. Domingos Bernardo de Sá Sobrinho, advogado e conselheiro do Confen, aquela comissão também visitou a UDV. Como resultado do exame, o Confen publicou a Resolução 06/86 (DOU 05.02.86), "que suspende provisoriamente a inclusão do mariri na citada portaria".

Resultaram destas gestões da UDV junto ao Confen a Deliberação 24.08.92, que determina: "O chá e as espécies vegetais devem permanecer excluídos da lista da Dimed, e o reexame da matéria só ocorrerá com base em fatos novos". Estas duas deliberações do Confen são hoje a base legal para a utilização ritualística do Vegetal.

Com a absorção do Confen pela Secretaria Nacional Antidrogas - Senad e pelo Conselho Nacional Antidrogras - Conad, a UDV continua seguindo o mesmo princípio que mantém desde a origem, de se colocar à disposição das autoridades para os esclarecimentos necessários.

Assim, vem se mostrando presente desde a criação da secretaria, tendo tido participação ativa no I Fórum Nacional Antidrogas, no final de 1998, primeira ação pública da Senad.

Com isso, firmou reputação de confiança perante as autoridades daquele órgão, o que lhe permitiu participar, no final de dezembro de 1998, de reunião do Conad, órgão da secretaria que tem vinculação direta com a Presidência da República.

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