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sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

"E Agora, José?" (charge de 1970 do Jaguar sobre o poema de Carlos Drummond de Andrade)



“Esta ilustração que fiz para os versos do Carlos Drummond de Andrade quase provocou a prisão do poeta. Tive um trabalho danado para convencer o general de Censura que publiquei o desenho sem pedir autorização do poeta.” (Jaguar)


Fonte: Livro "O Pasquim: Antologia 1969 - 1971" de 2006

A arte de investir em arte

Mercado de US$ 65 bilhões parece atraente, mas é preciso ficar atento com a pouca transparência e a não regulamentação.


Por Georgina Adam, do Financial Times
15/01/2010


AP

O quadro mais caro de Rembrandt foi vendido por US$ 29,5 milhões em leilão realizado na Christie's de Londres, no mês passado

O boom das artes ocorrido entre 2004 e 2007 proporcionou um crescimento tão incrível, especialmente da arte contemporânea, que não surpreende o fato de a arte estar sendo cada vez mais "commoditizada", agrupada em fundos e apresentada como uma classe de ativos alternativa. Mas enquanto a maioria das pessoas consegue reconhecer rapidamente um Picasso ou um Andy Warhol, elas têm um conhecimento muito menor das questões complexas inerentes ao comércio de algo que quase sempre é heterogêneo, num mercado pouco transparente e não regulamentado.

A editora do recém-lançado "Fine Art and High Finance", Clare Mcandrew, tem PhD em economia pelo Trinity College Dublin e comanda uma consultoria voltada para a economia das artes. Seu livro "The Art Economy", publicado em 2007, foi um guia do investidor para o mercado das artes. Este livro atualiza e amplia os tópicos abordados naquele volume. Após uma breve passagem pela história do mercado de arte moderna, a autora afirma que uma das características econômicas mais importantes do mercado é que ele é essencialmente conduzido pela oferta. "O aumento da demanda não consegue necessariamente aumentar a oferta, elevendo os preços em vez disso."

O mercado de arte, no entanto, é também difícil de ser quantificado e até mesmo seu tamanho, conforme observam vários colaboradores do livro, é apenas uma estimativa: US$ 65 bilhões em 2008, segundo Clare McAndrew. Além disso, como avaliar o preço de uma pintura quando quatro retratos que Picasso fez de Dora Maas, todos da década de 1940 e tamanhos comparáveis, podem ser vendidos por entre US$ 4,5 milhões e US$ 85 milhões num período de três anos?

Há muitas tentativas de estabelecer índices para as artes, nenhum deles completamente bem-sucedido. Conforme observa Roman Kräussl, da VU University de Amsterdã: "Todos os índices de preços para o mercado de arte são tendenciosos por causa dos problemas inerentes às informações disponíveis". Os únicos preços disponíveis são aqueles formados nos leilões, o que elimina cerca de 50% das transações, aquelas feitas pelos negociantes de arte. Depois de condensar publicações que vão de 1974 a 2008, Roman Kräussl conclui que "os estudos sobre os retornos proporcionados pelos investimentos em arte produziram resultados muito ambíguos".

Diante disso, pode parecer surpreendente que tantos fundos de arte tenham sido iniciados. Os lucros enormes que podiam ser conseguidos até o ano passado eram um estímulo óbvio - particularmente em fundos da Índia, que, segundo o especialista em administração de fortunas Randall Willett, representaram a maioria dos mais de 50 fundos que estiverem "ativos" no ano passado. Willett descreve os vários modelos de fundos, enquanto Clare McAndrew contribui com um estudo de caso do único fundo de hedge de arte, baseado no Reino Unido.

Há algumas inconsistências na cobertura: por exemplo, a taxação no Reino Unido e nos Estados Unidos é detalhada, mas o capítulo sobre o comércio ilegal de arte cobre apenas os Estados Unidos, deixando de fora o segundo maior centro de comércio de arte do mundo. Os litígios relacionados à arte estão crescendo e as legislações do Reino Unido e dos Estados Unidos diferem em uma série de aspectos que afetam o mercado de arte.

O que o livro não consegue fazer (e nem tenta) é prever como o mercado de arte vai evoluir, uma vez que ele ainda está em meio a um processo de reajuste depois da crise financeira recente. Essa crise teve um grande impacto, particularmente na área que registrou os maiores ganhos: a arte contemporânea. Alguns artistas estão vendo seu valor cair até 50%.

A decisão de "investir" em arte é complexa, mas este livro proporciona muitas informações para aqueles que pensam em aplicar seu dinheiro em Monet.

"Fine Art and High Finance: Expert Advice on the Economics of Ownership". Editado por Clare McAndrew.

Bloomberg Press, US$ 39,95, 336 páginas


Fonte: Jornal "Valor Econômico" de 15.01.2010

"Tentação de Santo Antônio" de Hieronymus Bosch - 1505/1506



Esse artista extraordinário se destaca entre os magníficos pintores da tradição flamenga por seu estilo único, inteiramente livre e por um simbolismo vivo, curiosíssimo, inconfundível e sem paralelo até nossos dias. Maravilhando e aterrorizando, Bosch expressou um forte pessimismo e as ansiedades de seu tempo, marcado por muitas revoltas políticas e distúrbios sociais.

Sua vida, tão enigmática quanto algumas de suas obras, foi marcada por um fato raro até o século 20: a fama em vida. Sua obra, quase toda marcada por seres fantásticos e eivadas de cenas demoníacas, é pequena mas continua recebendo a mesma atenção desde que foi criada. Hieronimus Bosch não sai de moda.

Para compreendermos melhor a importância e a personalidade de Bosch, devemos nos lembrar que ele viveu entre 1450 e 1516; Leonardo da Vinci entre 1452 e 1519 e Michelangelo entre 1475 e 1564. O que isso quer dizer? Que os três gênios estavam em atividade na mesma época. O trabalho de Bosch não tem a mais mínima relação com a obra dos dois italianos e não há nenhuma evidência de que o holandês soubesse da existência dos outros dois. O período em que os três viveram foi farto em acontecimentos que levaram a uma mudança de atitude em relação à Igreja. O protestantismo começou a surgir graças a Martin Luther lá pelo fim da vida de Bosch, mas os motivos e fatos que levariam a isso estavam em gestação há algum tempo.

As tentações sobrenaturais que Santo Antonio sofreu durante seu retiro no deserto egípcio foram relatadas pela primeira vez por Atanásio de Alexandria e desde então são tema recorrente na literatura e nas artes plásticas. Hieronimus Bosch fez desse tema um tríptico que é uma de suas obras mais célebres. Nela, através de símbolos, o artista nos relata os tormentos espirituais e mentais que o santo enfrentou. Em nenhuma de suas outras obras Bosch nos mostrou as vicissitudes da vida espiritual mais vividamente do que nesse tríptico. Nos painéis central e esquerdo, o pintor nos apresenta o horror do pecado e dos desatinos, um retrato pavoroso do Inferno e imagens do sofrimento do Cristo; no painel direito, Bosch retrata o santo firme em sua resistência às tentações do Mundo, da Carne e do Diabo. Numa era quando se acreditava piamente no Céu e no Inferno, e na iminente aparição do Anticristo, a postura serena de santo Antonio, o Eremita, nos olhando de dentro de sua capela assombrada, com certeza oferecia esperança e confiança na fé.

A Tentação de Santo Antonio, óleo sobre painéis de madeira. O central mede 131,5 x 119cm e os laterais 131.5 x 53 cm.

Acervo Museu de Arte Antiga de Lisboa, Portugal


Fontes:

www.wga.hu/frames-e.html?/html/b/bosch/index.html

www.mnarteantiga-ipmuseus.pt

Biografia



O seu nome verdadeiro era Jheronimus (ou Jeroen) van Aken. Ele assinou algumas das suas peças como Bosch (AFI /bɔs/), derivado da sua terra natal, 's-Hertogenbosch. Em Espanha é também conhecido como El Bosco.

Sabe-se muito pouco sobre a sua vida. A não existência de documentos comprovativos de o pintor ter trabalhado fora de Hertogenbosh levam a que se pense que Bosch tenha vivido sempre na sua cidade natal. Aí se terá iniciado nas lides da pintura na oficina do pai (ou de um tio), que também era pintor.

Foi especulado, ainda que sem provas concretas, que o pintor terá pertencido a uma (das muitas) seitas que na época se dedicavam às ciências ocultas. Aí teria adquirido inúmeros conhecimentos sobre os sonhos e a alquimia, tendo-se dedicado profundamente a esta última. Por essa razão, Bosch teria sido perseguido pela Inquisição. Sua obra também sofreu a influência dos rumores do Apocalipse, que surgiram perto do ano de 1500.

Existem registos de que em 1504 Filipe o Belo da Borgonha encomendou a Bosch um altar que deveria representar o Juízo final, o Céu e o Inferno. A obra, atualmente perdida (sem unanimidade julga-se que um fragmento da obra corresponde a um painel em Munique), valeu ao pintor o reconhecimento e várias encomendas posteriores. Os primeiros críticos de Bosch conhecidos foram os espanhóis Filipe de Guevara e Pedro de Singuenza. Por outro lado, a grande abundância de pinturas de Bosch na Espanha é explicada pelo fato de Filipe II de Espanha ter colecionado avidamente as obras do pintor.

Bosch é considerado o primeiro artista fantástico.

Obra

Atualmente apenas se conservam cerca de 40 originais seus, dispersos na sua maioria por museus da Europa e Estados Unidos da América. Dentre estes, a coleção do Museu do Prado de Madri é considerada a melhor para estudar a sua obra, visto abrigar a maioria daquelas que são consideradas pelos críticos como as melhores obras do pintor.

As obras de Bosch demonstram que foi um observador minucioso bem como um refinado desenhador e colorista. O pintor utilizou estes dotes para criar uma série de composições fantásticas e diabólicas onde são apresentados, com um tom satírico e moralizante, os vícios, os pecados e os temores de ordem religiosa que afligiam o homem medieval. Exemplos destas obras são:

* O Carro de Feno - (Museu do Prado, Madrid)
* O Jardim das Delícias - (Museu do Prado, Madrid)
* O Juízo Final - (Akademie der Bildenden Künste, Viena)
* As Tentações de Santo Antão - (Museu de Arte de São Paulo, São Paulo)
* As Tentações de Santo Antão - (Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa)
* Os Sete Pecados Mortais - (Museu do Prado, Madrid)
* Navio dos Loucos ou A Nau dos Insensatos - (Museu do Louvre, Paris)
* Morte e o Avarento - (Galeria Nacional de Arte em Washington, DC.


A par destas obras, que imediatamente se associam ao pintor, há que referir que mais de metade das obras de Bosch abordam temas mais tradicionais como vidas de santos e cenas do nascimento, paixão e morte de Cristo.

O original tríptico As Tentações de Santo Antão esta incorporado no Museu Nacional de Arte Antiga a partir do antigo Palácio Real das Necessidades. Desconhecem-se as circunstâncias da chegada da obra a Portugal, não sendo certo que tenha feito parte da coleção do humanista Damião de Góis, como algumas vezes é referido.


Fonte: Wikipedia

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

"O vendedor de fósforos" de Otto Dix



O vendedor de fósforos (1920), é uma obra de Otto Dix que está exposta na Alemanha, no Kunstmuseum, em Stuttgart.

Nessa pintura Dix expõe, quase fotograficamente, o descaso dos passantes diante do sofrimento de um ex-soldado cego e paralítico. A produção dessa fase do artista constitui uma espécie de crônica ácida e indignada do ambiente alemão do período, o que vale a sua prisão em 1939 e a condenação de sua obra como arte degenerada.

O pintor e gravador alemão Otto Dix (1891-1969), ao lado do pintor e desenhista, também alemão, George Grosz (1893-1959), são considerados os dois grandes nomes dessa linhagem expressionista. A obra de Dix flagra a hipocrisia e frivolidade da sociedade berlinense do pós-guerra.

(Com a colaboração de Catharina Mafra)