segunda-feira, 16 de junho de 2008

45 do Segundo Tempo


16/06/2008 18:11:38


Sócrates, ex-craque do Corinthians e da seleção brasileira sempre considerou que seu papel de homem público ia além das quatro linhas. Dono de um estilo elegante em campo, destacou-se como um dos principais idealizadores do movimento Democracia Corintiana, que lutou contra hábitos autoritários no futebol.

CartaCapital: Houve alguma mudança tática substancial no futebol desde a Copa de 1994?

Sócrates:
Tática, não. Houve uma evolução física dos atletas. O jogo foi ficando mais feio, com maior contato físico, menos tempo para pensar. Ocorreu uma desvalorização do talento, da habilidade. Na verdade, é um esporte em extinção.

CC: Por quê?

Sócrates:
O futebol sempre foi fascinante por não premiar a regularidade, por permitir que um time mais fraco ou menos preparado vença. Onde há espaço para o acaso, o incidente. Mas daqui a pouco, do jeito que as coisas caminham, não será mais assim. Todos serão iguais e nem os “acidentes” ocorrerão mais. Por que, se todo mundo se preparar para o óbvio, os riscos de uma adversidade diminui e o jogo vai ficando mais chato. Hoje em dia, torce-se para o trapezista cair. Raramente vê-se uma jogada de talento, de habilidade. Mas, quando ela ocorre, costuma ser decisiva.

CC: Aumentar o campo ou diminuir o número de jogadores faria diferença?

Sócrates:
Acho que se poderia reduzir o número de jogadores para nove. Mas acho improvável que ocorra essa mudança. Em comparação com os anos 70, quando, acredito, o futebol atingiu o pico de qualidade técnica, houve uma brutal evolução física. Os jogadores, há 30, 40 anos, corriam 4 quilômetros por jogo. Hoje correm mais de 12 quilômetros.

CC: O futebol inglês parece um paradoxo, diante dessa realidade. Melhorou tecnicamente, atrai público e, neste ano, dominou a Copa dos Campeões na Europa. O que acontece lá?

Sócrates:
O futebol inglês fez o percurso que outros tinham feito antes. Era o mais feio, violento e irracional. No fim dos anos 80, mudaram tudo. Tiveram coragem de mexer nas estruturas: nos clubes, no estádios, na polícia. Lá o futebol deixou de ser foco de conflitos e virou casa de espetáculos. Saíram do fundo do poço porque antes não jogavam futebol. É como o São Paulo atual, que parece um time inglês de 30 anos atrás, o cara que cruza a bola 50 vezes por minuto na área. Os ingleses puseram a bola no chão. Por isso são exceção. No continente europeu, está todo mundo caindo. Os italianos foram os primeiros a instituir a idéia do futebol como negócio, mas não conseguiram sustentar essa estrutura. O fluxo de torcedores aos estádios por lá caiu 40% nos últimos anos.

CC: Há algo de especial nessa geração atual do futebol brasileiro?

Sócrates:
O jogador brasileiro é diferente, por princípio. Sempre vai ser especial. Isso tem a ver, entre outras coisas, com a miscigenação, com as fibras longas dos nossos atletas. O maior problema é de formação. Isso está cada dia mais claro, até para quem não entende de futebol. Trabalhamos muito mal a base. Não temos escola de treinadores, não há a menor preocupação com a formação intelectual dos indivíduos. Quanto à qualidade, ela caiu. A responsabilidade é da influência do poder econômico, que seleciona um tipo de jogador mais fácil de ser negociado ao exterior, com certas características que, em geral, não estão relacionadas ao talento. Uma escolha burra, no fim. Tem atleta negociado ao exterior que não sabe dar um passe. Se ficasse um mês na Bahia, garanto que encontraria ao menos uns 20 garotos muito melhores do que a maioria dos titulares dos principais times do Brasil. Por que esses moleques não estão nos gramados? Porque não foram descobertos por quem faz a intermediação. Não se busca mais o jogador diferenciado.

CC: Por falar em diferenciados, ou diferentes, o que se passa com o Ronaldinho Gaúcho?

Sócrates:
Continua tendo o mesmo talento de antes. O que mudou foi a sua relação com o público do Barcelona. Há uma fase em que, como no caso do cantor, tudo que se faz, mesmo os erros, são aplaudidos pelos fãs. Mas o beneplácito acaba quando a paixão acaba. E é muito difícil reconquistar, precisa ter estrutura emocional. Durante dois anos, tudo que o Ronaldinho tentava, dando certo ou errado, era aplaudido. Não que não possa ocorrer novamente, mas hoje ele não tem mais coragem de tentar para não ser criticado. Seu desempenho está muito abaixo do que foi nas últimas temporadas. Acredito que, se lhe derem oportunidade, ele vai fazer as mesmas coisas de antes ou até melhor. Sendo massacrado, ele não vai conseguir manter o nível, que, eventualmente, está mais na fantasia do torcedor do que na sua real habilidade.

CC: E o Fenômeno?

Sócrates:
Desde que o Ronaldo foi para a Holanda, colocaram uma sobrecarga muito grande sobre ele. Basta ver a sua massa muscular de quando jogava no Cruzeiro e depois de ir para a Europa. Aí não tem ligamento que agüente. Quando o Ronaldo fez a primeira cirurgia do tendão, um especialista, de quem não posso citar o nome, por questões profissionais, contou-me que o outro tendão já estava na mesma situação. Ou seja, era uma questão de tempo estourar também. E foi o que aconteceu. Acabaram com a estrutura física dele. É um típico caso de absurda exploração de imagem. Acabaram com o atleta, com o artista, com o ser humano.

CC: De volta ao assunto da formação dos atletas: há alguma iniciativa pública relevante?

Sócrates:
Ninguém quer discutir isso. Todo jogador de futebol tinha de ter, no mínimo, nível médio de educação. Para o moleque nascido na periferia, uma das poucas possibilidades de ascensão social no Brasil é virar jogador de futebol. Se o ídolo dele, se o cara que ele ouve sempre, nunca se preocupou com isso, nunca estudou, por que ele vai estudar? O garoto descarta de cara. Só que, dos milhares que sonham em virar profissional, uma centena, e olhe lá, consegue. E o resto? Na verdade, estamos estimulando a marginalização de boa parte da população. Porque os jogadores são referência em tudo neste País. Se moralizarmos o futebol, diminuirmos ou chegarmos perto da extinção da corrupção, da manipulação de resultado, vamos mexer em toda a sociedade, pois o futebol é o que unifica o Brasil. Por que um País tão díspar culturalmente nunca teve nenhuma manifestação séria separatista? Como é que o nordestino conversa com o gaúcho? Ele tem de ter uma linguagem uniforme. Eu acho que uma das linguagens mais presentes, mais importantes, é a do futebol. É a única bandeira nacional. Temos de usar esse meio, esse mecanismo, como fator predominante de mudança.

CC: O que acha que deveria ser feito de imediato?

Sócrates:
Primeiro, ter maior participação e controle do Estado. Acho um absurdo a manutenção de uma estrutura que não presta contas ao poder estatal e que mexe com tantos símbolos, como a bandeira, o hino, as cores do País. Nada se move pelo interesse nacional. Diga-me um único gesto de promoção da atividade física, do esporte, patrocinado pela Confederação Brasileira de Futebol, a não ser aquelas enganações de campeonatos de favela? Uma entidade que fatura 80 milhões de dólares por ano e investe 100 mil reais.


CC: O Brasil terá algum ganho com a Copa de 2014?

Sócrates:
Não acredito. Teremos uma festinha de um mês, depois vai sobrar um monte de trambolho que ninguém saberá como manter. Veja o que aconteceu com as instalações do Pan. O estádio Engenhão, que custou mais de 300 milhões de reais, foi alugado ao Botafogo por 29 mil. E o pior: a população, que deveria ser a maior beneficiária, não usa. No caso da Copa de 2014, multiplique por dez as parafernálias do Pan. Vai ser isso. E com dinheiro nosso, não tenha dúvida. Até agora ninguém mexeu uma palha para organizar o evento. Quando chegar 2011, 2012, farão tudo de última hora. Aí fica sem controle, né, de um jeito bem conveniente (risos). Países sérios estariam com tudo planejado. E ainda querem fazer uma Olimpíada aqui.

CC: O Michel Platini (ex-jogador, atual presidente da Uefa) propôs limitar o número de jogadores estrangeiros em times europeus a cinco por jogo. O que pensa a respeito?

Sócrates:
É absurdo um órgão esportivo tentar meter o bico em decisões que cabem a países. Se a Inglaterra decidir não ter nenhum inglês em campo, o problema é da Inglaterra, é política de Estado. O que a Uefa tem a ver com isso? É muita pretensão.

CC: Você gosta do trabalho do Dunga à frente da seleção?

Sócrates:
Não vejo nada de mais. Acho incoerente, por exemplo, ele dizer que se preocupa com as Olimpíadas, mas a preparação ser tão ruim, quase nula, como tem acontecido.

CC: O Dunga é mais um técnico linha-dura, dentro da tradição autoritária do futebol e do Brasil, não?

Sócrates:
Sim. No Brasil, os técnicos promovem a política estrutural dos clubes. Em geral, chega, manda dez embora, contrata outros dez, vai embora em pouco tempo e quem fica com o prejuízo é o time. Como se permite que isso aconteça? Por que toda a estrutura ligada ao futebol é mal construída, não há ninguém comprometido pensando a longo prazo. Veja o Alex Ferguson (treinador do Manchester United). Ele não é um simples técnico. É um cara do clube, está ali há 30, 40 anos. Está mais para um gestor que também faz as vezes de treinador. Não há nada parecido no Brasil. O cara fica um ano no clube, recebe uma proposta melhor e tchau. Como é que vai promover a política de uma instituição com a qual não está comprometido? Por outro lado, como alguém vai se comprometer se não tem estabilidade? No fundo, o gestor tem de ser tratado como sócio.

CC: A má-formação dos atletas leva a um gosto por técnicos autoritários? Apreciam o “professor”, o “comandante”...

Sócrates:
Há muitos jogadores que gostam disso, pois, quanto mais protegidos, mais besteiras podem fazer. Melhor um ditador do que alguém que dê liberdade. É aquela história: o que o cara vai fazer com a liberdade? A idéia de Democracia Corintiana era dar responsabilidade a todo mundo. Liberdade com responsabilidade, virar gente, homem, cidadão. Alguém imagina um cirurgião cardíaco dormir no hospital para operar no dia seguinte? Por que é preciso a concentração no futebol? É uma relação arcaica. Por exemplo: por que os clubes não fazem contratos com jogadores e treinadores relacionados a resultados? Em vez de altos salários fixos, bônus, cotas. Mas aí os caras pegam um moleque e pagam alto. O sujeito tem 10 anos e já ganha 60 contos por mês (risos). Passa a receber sem a necessidade de produzir à altura, de forma a justificar o ganho. O cara sai da base para o topo da pirâmide em um piscar de olhos sem produzir nada. É absurdo, cria-se um musgo social.

CC: O Brasil um dia vai aproveitar a constante safra de jogadores para tornar o futebol um negócio de sucesso aqui?

Sócrates:
Como quase tudo no Brasil, no futebol se vende commodity. Não nos preocupamos em industrializar. Tem produto mais importante no futebol do planeta do que o jogador brasileiro? A gente tem mania de vender o artista e não a arte dele, o que é burrice. Vende cacau e compra chocolate. Mandamos o jogador para a Itália, a Espanha, a Inglaterra e depois compramos a transmissão televisiva desses campeonatos. É o que dá a falta de gestores, de pessoal comprometido com o negócio. Alguém competente mataria a pau. Vou dar um exemplo familiar de como funcionam as coisas no futebol. Meu filho Gustavo é advogado e atua na área de futebol. Uma vez ele escreveu um artigo na imprensa sobre o caso da transferência do (lateral) Rogério do Palmeiras para o Corinthians. Era o início da Lei Pelé e, se quisesse, o Palmeiras não pagaria nada, mas a diretoria perdeu o prazo de contestar o contrato. O Palmeiras decidiu processar o Gustavo por causa desse artigo. E o que aconteceu? Eles perderam o prazo para dar prosseguimento ao processo contra o meu filho (risos).

Fonte: Revista "Carta Capital" de 13.06.2008

domingo, 15 de junho de 2008

"Mensageiro" Instrumental



Puro solo de violões, e um maracá de fundo apenas marcando o compasso de baile. Gravação realizada por George Washington Gomes de Souza, neto do do Padrinho Wilson, no estúdio em Votorantim (Carlos Flora), no ano 2001. Ideal para sessões de concentração ou acompanhamento de pessoa que esteja necessitando de tratamento terapêutico intensivo. A primeira vez em que fiz uma concentração com acompanhamento de uma gravação assim instrumental foi quando o Padrinho Luiz Mendes presidia o CICLU, e fizemos audição de "O Mensageiro" com teclados e sanfona, e foi muito forte a sessão. Hoje em dia devido à poluição sonora da vizinhança de muitos centros, tornou-se praticamente impossível realizar concentrações nos moldes antigos. Gravações como esta são de auxílio seguro . Já vi também, certa vez, após cantar o Germano e a primeira parte do Cruzeiro, no Alto Santo, fazer a segunda parte bailando com instrumentos mas sem canto. Uma espécie de concentração bailada, onde só se cantavam o 95 (Mensageiro) e os hinos novos (do 117 em diante). Parece ser um outro exercício com o Daime, o de voltar-se para si próprio, o que é com certeza producente.

Download.

O Mensageiro (Instrumental) - hino 1 a 25
O Mensageiro (Instrumental) - hino 26 a 49
Agradecimentos
http://hinarios.blogspot.com/

sexta-feira, 13 de junho de 2008

UMA CRÔNICA SOBRE FUTEBOL E ORGANIZADAS MODERNAS NO RIO


por Asclê Junior

- Aí, Serginho! Mê dá um “Cortezano e uma Skol!” – chegou Jorjão, batendo no balcão da birosca, com um largo sorriso no rosto.

- Pô, Jorjão, a Skol tá quente... a moçada do samba ontem barbarizou aqui. Tava bom pra caramba. – respondeu Serginho, tirando o suor da testa com uma mão e com a outra segurando a porta do “freezer” horizontal.

- Ah, por isso que a Norminha não tá na área hoje, né? E qual a “cerva” que tem aí? – disse ansioso, Jorjão.

- Tem “Brahma”, “Nova Schin”, “Antártica” e “Kaiser”!!! – falou Serginho, já servindo o “Cortezano”. – “Vai a “Nova Schin” mesmo?!?

- Formou, Careca! – disse categoricamente, Jorjão, com o copo de líquido vermelho-coral na mão. – Pô, Serginho, e o teu Botafogo, hein? Tá uma piada aquela moçada, viu? O meu tricolor é que tá bem... – afirmou olhando para as paredes do bar, cheias de “posteres” do Botafogo, assim como outros apetrechos. E continuou: - Vamos tomar o Maraca na quarta-feira... o tal Boca vai tremer! E você sabe por quê, Serginho? A “Young Flu” não deixa outra torcida em pé... Ninguém se cria com a gente.

Era um ensolarado domingo em Realengo, Rua Capitão Teixeira, ao lado do açougue, aonde ficava o bar, já havia sido uma casa antiga, da avó do Serginho. Normalmente, sua esposa, Norminha, quem cuida do ponto, mas era domingo e no dia anterior um grupo de samba havia estado por lá, motivo que Norminha estava descansando, já que fechou o estabelecimento às 04:30 da manhã. Como fazia sol com uma temperatura de 38 graus, Serginho não ia perder a oportunidade de obter algum lucro com “aquela lua”.

Seu Geraldo, que bebia sua “Brahma” e pesticava um ovo cozido, apenas observava e ria. Embora o tempo fosse generoso com ele, o mulato com mais de 70 anos, apresentava todas as marcas de uma vida bem-vivida, como ele próprio afirmava. Era um famoso botafoguense, que freqüentava a birosca do Serginho, justamente pelo dono ser torcedor do Botafogo também. Com um sorriso no canto da boca, resolveu entrar no assunto e foi logo dizendo:

- Jorjão, deixa de besteira!!! Antigamente a gente ia no estádio e todo mundo era amigo... Poxa, posso dizer que vou ao Maracanã desde a sua fundação e não tinha essa bagunça... quando o jogo acabava, todo mundo bebia cerveja junto, ou no bar do próprio estádio, ou do lado de fora. Entendeste?

- Numa boa, seu Geraldo, antigamente não tinha torcida como tem hoje. Hoje em dia damos show!!! Cantamos músicas, levamos fogos, temos coreografias... antigamente o pessoal nem ia com a camisa do time. – retrucou de forma exaltada, Jorjão.

- Mas antigamente não tinha essa pancadaria de hoje, não tinha tiroteio, nem antes, nem depois. O pessoal ia pra torcer pro seu time e no máximo era só zoação. Pra você ver: teu time em 57, perdeu de 6 X 2 do Botafogo, saímos do estádio e fomos beber cerveja juntos. – afirmou Geraldo com convicção.

- Ah, se fosse hoje, ia ter porrada, porque eu não agüento zoação... Mesmo ganhando, os “cara” têm que sair com cabeça baixa perto de mim.

- É por isso que não piso mais no Maracanã. – respondeu Geraldo – Com essa bagunça, melhor não ir. Temo até pela vida de meus netos quando vão lá. Ano passado morreu um garoto perto do estádio, você acha que isso é torcer?

- Acho! – Respondeu agressivamente Jorjão.

- Pois é, você paga pra organizada? Quanto é? – indagou Geraldo.

- Pago sim, pago pouco... uns 20 reais por mês pra pagar meia no estádio, já que o clube dá os ingressos pra gente! – respondeu mais calmente Jorjão

- Mas você é sócio de teu clube? – perguntou novamente Geraldo.

- Não. – disse Jorjão.

- Você pelo menos tem o plano de saúde da UNIMED, que patrocina o tricolor?

- Não, o meu é o do meu pai... acho que é Sulamérica. – respondeu intrigado, Jorjão – Mas por quê, Seu Geraldo?

- Poxa, meu filho, você não ajuda o teu time, nem o patrocinador, mas contribui à torcida organizada. Só falta você me falar que a camisa é comprada no camelô? – devolveu Geraldo.

- Pô, Seu Geraldo, tenho 21 anos, tô fazendo o supletivo, ganho um salário mínimo e meio, tenho que dar a pensão do meu garoto, que tá com 4 anos e vai pro colégio todo dia e tem que sobrar um dinheiro pra eu poder curtir, como vou comprar uma camisa de 160 contos? – reclamou Jorjão.

- Por que a torcida não monta um time? – perguntou Geraldo, fazendo pilhéria.

- Ah, sei lá, Seu Geraldo! – respondeu sorrindo Jorjão.

- Mas nisso tudo tem uma verdade, você acha que tá ajudando o teu time? Você acha que o Fluminense tá sendo ajudado por vocês? – Geraldo continuou perguntando.

- Claro, né, Seu Geraldo?!?!?!? – disse Jorjão, abrindo os braços e sorrindo.

- Serginho, me dá a conta! Tem gente que é besta mesmo... – disse Geraldo, se voltando para Serginho e piscando o olho.

- Peraí, Seu Geraldo! O senhor já vai? Hahahahahahahaha... o senhor é gente boa, mas tá ultrapassado. – disse Serginho jocosamente.

Geraldo terminou seu copo, saiu da birosca e, de costas, levantou os braços, mostrando sua insatisfação pelo seu último comentário.

Na quinta-feira seguinte, Geraldo compra o jornal "O Dia" e, de cara, lê a seguinte manchete: TORCEDOR DO FLUMINENSE É ASSASSINADO ANTES DE CHEGAR NO MARACANÃ. Abaixo continua: Jorge Luiz do Nascimento, 21 anos, morador de Realengo, na Zona Oeste, foi encontrado morto a tiros na Praça da Bandeira. Testemunhas afirmam que houve encontro da torcida “Young Flu” com a rival “FJV” no local, duas horas antes de jogo no Maracanã. - Geraldo, com o jornal em uma das mãos, levanta os dois braços, como fez a última vez que encontrou o agora finado Jorjão.

Sugestão: "Justiça para Todos - Edição de Luxo" - DVD


Edição de Luxo" - EUA - 1979. Dir.: Norman Jewison

13/06/2008


AAA Excepcional / AA+ Alta qualidade / BBB Acima da média / BB+ Moderado / CCC Baixa qualidade / C Alto risco


Distribuição: Sony / AA+



"Justiça para Todos" está para a carreira de Al Pacino como uma espécie de "Serpico" do sistema penal. O protagonista Arthur Kirkland é um advogado idealista de Baltimore perdido numa teia de negociações escusas - vivendo no limite do estresse moral, portanto. O dilema encontra seu clímax no momento em que Kirkland se vê diante de um júri, defendendo justamente aquele que é o seu maior inimigo do meio jurídico, o corrupto juiz Henry Fleming (John Forsythe). Clássico do subgênero "tribunal", o longa retorna acrescido de cenas excluídas e material bônus, incluindo making of e comentários de Norman Jewison ("No Calor da Noite") e do roteirista Barry Levinson. A antológica cena final rendeu a Pacino uma de suas oito indicações para o Oscar.

Fonte: Jornal "Valor Econômico" de 13.06.2008

O cotidiano em um país miserável


Reuters
Grávida vende manga na favela de Cité Soleil, em Porto Príncipe, a capital do Haiti, o país caribenho mais pobre do hemisfério ocidental


Por César Felício, de Porto Príncipe
13/06/2008


A miséria e o colorido intenso se entrelaçam e se explicam em Porto Príncipe, a capital com cerca de 2 milhões de habitantes do país caribenho considerado o mais pobre do hemisfério ocidental. As escolas públicas praticamente inexistem no Haiti. As particulares cobram mensalidades que podem ultrapassar facilmente os US$ 100, em um país onde o salário mínimo é de US$ 1,80 por dia.

A conseqüência direta é a taxa de analfabetismo de 48% da população. E o drible dos haitianos em busca da sobrevivência está nos muros e nas paredes das casas de bairros como Delmas e Cité Soleil: é raro encontrar uma loja que não esteja toda pintada para permitir a comunicação visual. Onde se desenha uma mulher sendo penteada, lá é o cabeleireiro. Um porco ou uma galinha indicam um açougue e assim por diante.

As ruas que levam à parte alta de Porto Príncipe, onde mora cerca de 20% da população que está acima da linha da pobreza, estão travadas por um congestionamento permanente. A razão não é o excesso dos carros em mau estado de conservação, alguns com o cinto de segurança colocado de modo a segurar a porta, mas a falta de tudo. Não há calçadas que separem pedestres e carros nem semáforos a ordenar os cruzamentos. Em dois dias inteiros circulando pela cidade, apenas dois sinais de trânsito foram avistados.

O palácio do governo, um colosso branco plantado no centro da cidade, chega a ofuscar os olhos ao refletir o sol. Está em frente de uma grande praça, o Campo de Marte, e cercado por camelódromos e casebres coloridos. O bem-estar haitiano está a muitos quilômetros dali. O subúrbio de Petionville é normalmente descrito como o bairro da elite na capital haitiana, mas nem remotamente pode ser comparado a locais como os Jardins, em São Paulo; o Leblon, no Rio; ou o Lago Sul, em Brasília. No alto de colinas onde a vegetação inexistente nas regiões centrais da cidade se faz presente, Petionville entremeia favelas com núcleos acastelados, espécie de condomínios onde um punhado de casas de alto padrão é mantido isolado.

Um deles é o criado em torno do Hotel Montana, o melhor do Haiti, que cobra US$ 5 por dia dos hóspedes para financiar o uso dos geradores de energia elétrica. Os proprietários, a família Cardozo, é renomada como a mais rica do país. Quase anexos ao hotel estão os escritórios de vários órgãos internacionais, a embaixada britânica e residências de diplomatas.

Outro núcleo, longe de Petionville, é o que gravita em torno da embaixada americana, em Tabarre, a meio caminho entre o centro da cidade e o quartel das tropas da ONU no país. Na mesma direção fica o solitário orgulho industrial haitiano: a cervejaria Brana, da família Madsen, associada à Pepsi, que produz a Prestige, uma lager com acentuado sabor de cereal.

Substituídos a cada seis meses, em média, os soldados brasileiros são orientados a se entrosar com a população. Organizam peladas no fim de semana, distribuem bombons em favelas como Cité Soleil e Belair e até ensinam palavras em português quando abordados. No entanto, o crescimento do clima da hostilidade da população é percebido com clareza. "Passei uma temporada em Angola e agora no Haiti. A pobreza é a mesma, mas as pessoas não. Aqui acontecem crueldades inacreditáveis. As pessoas não têm Deus no coração", comentou um devoto fuzileiro naval, que patrulha as ruas carregando 15 quilos de apetrechos na farda.

Na distribuição de comida organizada pelo Exército em Cité Soleil, assistida pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, e convenientemente distante da feira de alimentos de Porto Príncipe - realizada em uma espécie de lixão, a "cozinha do inferno" -, os militares brasileiros separavam dois blocos: um ajuizadamente na fila aguardava para receber um saco com fubá, óleo de soja, peixe seco e arroz. O outro cercava o local e reclamava por não ter recebido a senha para entrar. Na saída de cena dos jornalistas, aproveitaram para gritar frases como "tenho fome" e "quero comer". Grávida, uma garota com cerca de 14 ou 15 anos ainda falou "Brésil" e acompanhou a menção com um gesto obsceno.


Fonte: Jornal "Valor Econômico" de 13.06.2008.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

UDV - Centro Espírita Beneficente União do Vegetal



O Centro Espírita Beneficente União do Vegetal, fundado em 22 de Julho de 1961, surgiu em um seringal da Amazônia boliviana, criado pelo seringueiro José Gabriel da Costa, o Mestre Gabriel, tendo por objetivo "transformar o ser humano no sentido de desenvolver as suas virtudes morais, intelectuais e espirituais sem distinção de credo, cor, nacionalidade, escolaridade e nível econômico". Hoje, a União do Vegetal conta com uma estrutura administrativa de 76 núcleos distribuídos em 11 regiões brasileiras. São aproximadamente 6000 sócios, distribuídos por quase todas as capitais e cidades importantes do país. Em processo de crescimento, a UDV atualmente tem também núcleos no exterior.
O site apresenta uma área dedicada ao estudo, divulgação de conhecimento e discussão sobre o chá hoasca (ayahuasca), utilizado ritualmente nas sessões da UDV, incluindo um histórico dos congressos realizados pelo Centro de Estudos Médicos da UDV, além de uma biografia do Mestre Gabriel. O site disponibiliza a versão integral do manifesto "Espírito, Natureza e Ser Humano", lido no Fórum das Religiões da Conferência Mundial do Meio Ambiente (ECO-92).


http://www.amazonia.org.br

Lojas Virutais de Bandidos que Atuam na Internet

No Brasil, o crime compensa: a pena para estelionatário varia de 1 a 5 anos e não precisa devolver o dinheiro aos lesados. Além disso, o infrator pode ter prisão domiciliar.

Eis a relação das lojas onde são aplicados golpes na internet : os preços são altamente competitivos, exigem deposito antecipado e pedem de 15 a 20 dias para entregar a mercadoria. Tempo suficiente para aplicar o golpe e lesar milhares de pessoas. A maior quadrilha age em Araçatuba - SP. (Acabaram de sumir com o site www.eletrosampa.com.br, após haver lesado milhares.)

Aí vai a lista de lojas de quadrilhas, tenham muito cuidado:


01-ascomputadores.com.br
02- atamicro.com.br
03- atashop.com.br
04- atualmicro.com.br
05- audy.com.br
06- belashop.com.br
07- birishop.com.br
08- bondcompras.com.br
09- buskofertas.com.br
10- claudilivros.com.br
11- clicmicros.com.br
12- compuserveinfo.com.br
13- computecnet.com
14- computronics.com.br
15- cristalshop.com.br
16- cyberfast.com.br
17- ddshop.com.br
18- devairgames.com.br
19- digitalpcs.com.br
20- ecportal.com.br
21- eletromicro.com.br
22- eletrototal.com.br
23- euronote.com.br
24- fiveshop.com.br
25- futuracomputadores.com.br
26- galeriashop.com.br
27- insidecomputers.com.br
28- kaled.com.br
29- kapella.com.br
30- katoecia.com
31- lehugo.com.br
32- litetelecom.com.br
33- matrixshop.com.br
34- maxisound.com.br
35- microata.com.br
36- microfest.com.br
37- multishopcompras.com.br
38- navegantes.com.br
39- netmicros.com.br
40- netstart.com.br
41- nikishop.com.br
42- notestar.com.br
43-o ferta10.com.br
44- pcihouse.com.br
45- pcishop.com.br
46- pcvitrine.com.br
47- perfumesreal.com.br
48- portalmicro. com.br
49- ravelnet.com.br
50- rgsuprimentos. com.br
51- saturtec.com.br
52- shopamerica.com.br
53- shopsummer.com.br
54- viaclic.com. br
55- digitalplay.com.br


Quem for um pouco mais atento, verificará facilmente algumas coincidências 'incríveis' que acontecem com todos esses sites. Aliás, depois de ler esse texto, acho que eles vão mudar a forma como fazem os sites.

Observem que todas lojas têm uma seção chamada 'confirmação de pagamento'. Vejam como as seções dessas lojas são incrivelmente iguais (apenas lojas da lista de Araçatuba e Birigui):

Acredito que todas lojas da quadrilha citadas na lista possuem o mesmo formulário. Verifiquem a ordem dos campos para preenchimento do comprovante de pagamento, sempre igual:

1- Nome
2- E-mail
3- Número do pedido
4- Data do pagamento
5- Forma de pagamento utilizada
6- Deixe alguma observação sobre o pagamento
7- Valor Depositado / pago
8- Selecione: Integral / Referente ao frete


Cada loja virtual tem seu padrão para fazer esses formulários, é impossível ser todas iguais, como essas são. Isso é mais uma prova como TODAS essas lojas são da mesma quadrilha. Não se deixem iludir pela argumentação convincente desses representantes da Cyberfast. Ele está apenas querendo fazer com que nós sejamos iludidos e idiotamente enganados. Eles colocam um mediador no fórum (com certeza um deles) e assim convencem os consumidores.

Pesquisas realizadas recentemente demonstram que o Brasil é um dos países que mais recebem ataques de hackers, com o intuito de fraudar usuários da internet, principalmente aqueles que acessam com freqüência sites de bancos.

Por isso, quando for fazer uso dos serviços bancários
pela internet, siga as 3 dicas abaixo para verificar a autenticidade do site
(talvez você possa acrescentar uma outra dica...):

1 - Minimize a página: se o teclado virtual for minimizado também, está correto, no entanto, se ele permanecer na tela sem minimizar, é pirata! Não tecle nada.

2 - Sempre que entrar no site do banco, digite sua senha ERRADA na primeira vez . Se aparecer uma mensagem de erro significa que site é realmente do banco, porque o sistema tem como checar a senha digitada. Mas se digitar a senha errada e não acusar erro é mau sinal. Sites piratas não tem como conferir a informação, o objetivo é apenas capturar a senha.

3 - Sempre que entrar no site do banco, verifique se no rodapé da página aparece o ícone de um cadeado. Clique 2 vezes sobre esse ícone e uma pequena janela com informações sobre a autenticidade do site deve aparecer. Em alguns sites piratas o cadeado pode até aparecer, mas será apenas uma imagem e ao clicar 2 vezes sobre ele, nada irá acontecer.


Os 3 pequenos procedimentos acima são simples, mas garantirão que você jamais seja vítima de fraude virtual.