segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

"When You're Strange - Um Filme Sobre The Doors"

EUA - 2009. Dir.: Tom Dicillo. Distribuição: Paris Filmes / AA+

Divulgação

The Doors: filme limita-se à história mais básica da banda, mas restaura para novas gerações a imagem de Jim Morrison


Durante a pré-estreia no Sundance Film Festival, parte da plateia revoltou-se contra o suposto Jim Morrison "impostor", tantas eram as imagens nunca antes vistas exibidas já nos primeiros minutos de "When You're Strange". Mas o Morrison aqui é de fato autêntico. As cenas que veremos vêm de um fã que conheceu o líder dos Doors ainda como colega/estudante da Ucla (Universidade de Cinema de Los Angeles) e o acompanhou em sua ascensão até meados de 1969. Há ainda generosos fragmentos de "HWY: An American Pastoral" (1969) e "Feast of Friends" (1970), filmes experimentais dirigidos por Paul Ferrara, amigo de Morrison, e nunca lançados (ou mesmo propriamente concluídos). Parte desse material hoje circula pela internet, mas com péssima qualidade, mais destinada à apreciação dos fãs ortodoxos.

"When You're Strange" mostra um Morrison barbado circulando em desérticas autoestradas; cenas de palco surpreendentemente mais caóticas que aquelas do famoso videoclipe de "Roadhouse Blues"; tumultuados bastidores das gravações do álbum "The Soft Parade" (1969). Por fim, um inesperado nu frontal do próprio cantor. É o ineditismo das imagens o que seduz os fãs mais experimentados. Pois, ademais, o documentário não fornece nenhum fato novo - bem, talvez a revelação de que o enigmático "Mr. Mojo Rising" da canção "L.A. Woman" é, na verdade, um anagrama em cima do nome do vocalista.

Robbie Krieger, Ray Manzarek e John Densmore (ou seja, os Doors remanescentes) nem sequer foram entrevistados, muito embora tenham participado da promoção do filme. O roteiro limita-se a recontar a história mais básica da banda, mais bem detalhada no documentário prévio "No One here Gets Out Alive", no livro "Daqui Ninguém Sai Vivo" e, até mesmo, na controversa cinebiografia de Oliver Stone, "The Doors - O Filme". Em compensação, o texto tem assinatura do premiado roteirista Tom Dicillo (do cult "Johnny Suede") - e cai muito bem na voz do narrador Johnny Depp, fã confesso dos Doors.

Um êxito à parte: "When You're Strange" restaura para novas gerações a imagem de Jim Morrison, muito vulgarizada depois do longa de Stone. Salvo a primorosa reconstrução de época e, em parte, a personificação de Val Kilmer, esta "biopic" de 1991 retratava o cantor como uma figura pedante, incapaz de articular duas frases sem citar um poema.

Sensação em diversos festivais internacionais, "When You're Strange - Um Filme Sobre The Doors" concorre como favorito ao Grammy de melhor documentário musical.


Fonte: Jornal "Valor Econômico" de 07.01.2011.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

João do Vale: "Muita Gente Desconhece" e "A Arte de João do Vale"













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João Batista do Vale mais conhecido como João do Vale (Pedreiras, 11 de outubro de 1934 — São Luís, 6 de dezembro de 1996) foi um músico, cantor e compositor maranhense.

De origem humilde, João sempre gostou muito de música, aos 13 anos se mudou para São Luís. Em 1964 estreou como cantor. Suas principais composições são: Carcará em parceria com José Cândido e imortalizado na interpretação de Maria Bethânia, Peba na pimenta com Adelino Rivera e Pisa na fulô com Silveira Júnior.

Biografia

João Batista do Vale desde pequeno gostava muito de música, mas logo teve de trabalhar, para ajudar a família. Aos 13 anos foi para São Luís MA, onde participou de um grupo de bumba-meu-boi, o Linda Noite, como "amo" (pessoa que faz os versos). Dois anos depois, começou sua viagem para o Sul, sempre em boleias de caminhões: em Fortaleza CE, foi ajudante de caminhão; em Teófilo Otoni MG, trabalhou no garimpo; e no Rio de Janeiro RJ, onde chegou em dezembro de 1950, empregou- se como ajudante de pedreiro numa obra no bairro de Ipanema.

Passou a frequentar programas de rádio, para conhecer os artistas e apresentar suas composições, em maioria baiões. Depois de dois meses de tentativas, teve uma música de sua autoria gravada por Zé Gonzaga, Cesário Pinto, que fez sucesso no Nordeste. Em 1953, Marlene lançou em disco Estrela miúda, que também teve êxito; outros cantores, como Luís Vieira e Dolores Duran, gravaram então músicas de sua autoria. Em 1964 estreou como cantor no restaurante Zicartola, onde nasceu a ideia do show Opinião, dirigido por Oduvaldo Viana Filho, Paulo Pontes e Armando Costa, que foi apresentado no teatro do mesmo nome, no Rio de Janeiro.

Dele participou, ao lado de Zé Kéti e Nara Leão, tornando-se conhecido principalmente pelo sucesso de sua música Carcará (com José Cândido), a mais marcante do espetáculo, que lançou Maria Bethânia como cantora. Como compositor, em 1969 fez a trilha sonora de Meu nome é Lampião (Mozael Silveira). Depois de se afastar do meio musical por quase dez anos, lançou em 1973 Se eu tivesse o meu mundo (com Paulinho Guimarães) e em 1975 participou da remontagem do Show Opinião, no Rio de Janeiro.

Tem dezenas de músicas gravadas e algumas delas deram popularidade a muitos cantores: Peba na pimenta (com João Batista e Adelino Rivera), gravada por Ari Toledo, e Pisa na fulo (com Ernesto Pires e Silveira Júnior), baião de 1957, gravado por ele mesmo. Em 1982 gravou seu segundo disco, ao lado de Chico Buarque, que, no ano anterior, havia produzido o LP João do Vale convida, com participações de Nara Leão, Tom Jobim, Gonzaguinha e Zé Ramalho, entre outros. Em 1994, Chico Buarque voltou a reverenciar o amigo, reunindo artistas para gravar o disco João Batista do Vale, prêmio Sharp de melhor disco regional.

Cinema

Em 1954, participou com figurante do filme Mãos Sangrentas, dirigido por Carlos Hugo Christensen, João do Vale conheceu Roberto Farias – na época assistente de direção, - que, ao se transformar em diretor, convidou o compositor para musicar alguns de seus filmes, como No Mundo da Luz, de 1958. Além disso, em 1969 ele comporia a trilha sonora de Meu Nome é Lampião, de Mozael Silveira.

Gravou discos em parceria com grandes nomes da música brasileira, como por exemplo em 1982 fez parcerias com Chico Buarque e Zé Kéti.

Referências

* MPBNet
* Fundação João do Vale

Ligações externas

* Fundação João do Vale
* João do Vale no "CliqueMusic"
* João do Vale no MPBNet