"Trabalhe duro. Milhões de pessoas vivendo do fome-zero estão dependendo de você".
Assunto: ' Gostem ou não, o texto é imperdível... '
Arnaldo Jabor
- Brasileiro é um povo solidário. Mentira. Brasileiro é babaca. Eleger para o cargo mais importante do Estado um sujeito que não tem escolaridade e preparo nem para ser gari, só porque tem uma história de vida sofrida; Pagar 40% de sua renda em tributos e ainda dar esmola para pobre na rua ao invés de cobrar do governo uma solução para pobreza;
Aceitar que ONG's de direitos humanos fiquem dando pitaco na forma como tratamos nossa criminalidade...
Não protestar cada vez que o governo compra colchões para presidiários que queimaram os deles de propósito, não é coisa de gente solidária. É coisa de gente otária.
- Brasileiro é um povo alegre. Mentira. Brasileiro é bobalhão.
Fazer piadinha com as imundices que acompanhamos todo dia é o mesmo que tomar bofetada na cara e dar risada.
Depois de um massacre que durou quatro dias em São Paulo, ouvir o José Simão fazer piadinha a respeito e achar graça, é o mesmo que contar piada no enterro do pai.. Brasileiro tem um sério problema. Quando surge um escândalo, ao invés de protestar e tomar providências como cidadão, ri feito bobo.
- Brasileiro é um povo trabalhador. Mentira.
Brasileiro é vagabundo por excelência. O brasileiro tenta se enganar, fingindo que os políticos que ocupam cargos públicos no país, surgiram de Marte e pousaram em seus cargos, quando na verdade, são oriundos do povo..
O brasileiro, ao mesmo tempo em que fica indignado ao ver um deputado receber 20 mil por mês, para trabalhar 3 dias e coçar o saco o resto da semana, também sente inveja e sabe lá no fundo que se estivesse no lugar dele faria o mesmo.
Um povo que se conforma em receber uma esmola do governo de 90 reais mensais para não fazer nada e não aproveita isso para alavancar sua vida (realidade da brutal maioria dos beneficiários do bolsa família) não pode ser adjetivado de outra coisa que não de vagabundo.
- Brasileiro é um povo honesto. Mentira..
Já foi; hoje é uma qualidade em baixa. Se você oferecer 50 Euros a um policial europeu para ele não te autuar, provavelmente irá preso. Não por medo de ser pego, mas porque ele sabe ser errado aceitar propinas.
O brasileiro, ao mesmo tempo em que fica indignado com o mensalão, pensa intimamente o que faria se arrumasse uma boquinha dessas, quando na realidade isso sequer deveria passar por sua cabeça.
- 90% de quem vive na favela é gente honesta e trabalhadora. Mentira.
Já foi. Historicamente, as favelas se iniciaram nos morros cariocas quando os negros e mulatos retornando da Guerra do Paraguai ali se instalaram. Naquela época quem morava lá era gente honesta, que não tinha outra alternativa e não concordava com o crime. Hoje a realidade é diferente. Muito pai de família sonha que o filho seja aceito como 'aviãozinho' do tráfico para ganhar uma grana legal. Se a maioria da favela fosse honesta, já teriam existido condições de se tocar os bandidos de lá para fora, porque podem matar 2 ou 3 mas não milhares de pessoas. Além disso, cooperariam com a polícia na identificação de criminosos, inibindo-os de montar suas bases de operação nas favelas.
- O Brasil é um pais democrático. Mentira.
Num país democrático a vontade da maioria é Lei. A maioria do povo acha que bandido bom é bandido morto, mas sucumbe a uma minoria barulhenta que se apressa em dizer que um bandido que foi morto numa troca de tiros, foi executado friamente.
Num país onde todos têm direitos mas ninguém tem obrigações, não existe democracia e sim, anarquia. Num país em que a maioria sucumbe bovinamente ante uma minoria barulhenta, não existe democracia, mas um simulacro hipócrita. Se tirarmos o pano do politicamente correto, veremos que vivemos numa sociedade feudal: um rei que detém o poder central (presidente e suas MPs), seguido de duques, condes, arquiduques e senhores feudais (ministros, senadores, deputados, prefeitos, vereadores).. Todos sustentados pelo povo que paga tributos que têm como único fim, o pagamento dos privilégios do poder. E ainda somos obrigados a votar.
Democracia isso? Pense !
O famoso jeitinho brasileiro. Na minha opinião, um dos maiores responsáveis pelo caos que se tornou a política brasileira. Brasileiro se acha malandro, muito esperto. Faz um 'gato' puxando a TV a cabo do vizinho e acha que está botando pra quebrar.
No outro dia o caixa da padaria erra no troco e devolve 6 reais a mais, caramba, silenciosamente ele sai de lá com a felicidade de ter ganhado na loto... malandrões, esquecem que pagam a maior taxa de juros do planeta e o retorno é zero. Zero saúde, zero emprego, zero educação, mas e daí? Afinal somos penta campeões do mundo né?? ? Grande coisa...
O Brasil é o país do futuro. Caramba , meu avô dizia isso em 1950. Muitas vezes cheguei a imaginar em como seria a indignação e revolta dos meus avôs se ainda estivessem vivos. Dessa vergonha eles se safaram... Brasil, o país do futuro !? Hoje o futuro chegou e tivemos uma das piores taxas de crescimento do mundo.
Deus é brasileiro. Puxa, essa eu não vou nem comentar...
O que me deixa mais triste e inconformado é ver todos os dias nos jornais a manchete da vitória do governo mais sujo já visto em toda a história brasileira.
Para finalizar tiro minha conclusão:
O brasileiro merece! Como diz o ditado popular, é igual mulher de malandro, gosta de apanhar. Se você não é como o exemplo de brasileiro citado nesse e-mail, meus sentimentos amigo, continue fazendo sua parte, e que um dia pessoas de bem assumam o controle do país novamente. Aí sim, teremos todas as chances de ser a maior potência do planeta. Afinal aqui não tem terremoto, tsunami nem furacão. Temos petróleo, álcool, bio-diesel, e sem dúvida nenhuma o mais importante: Água doce!
Só falta boa vontade, será que é tão difícil assim?
REPASSO...
FAÇA A SUA PARTE (SE QUISER) REPASSE, SE ACHAR QUE ISSO NAO TEM NADA A VER COM VC, CONTINUE SENDO ESCRAVO DA HIPOCRISIA!
O Centro de Seleção e de Promoção de Eventos da Universidade de Brasília (CESPE/UnB) abrirá o primeiro concurso para pastor da Igreja Universal do Reino de Deus.
Segundo representante da Universal, o concurso público tem a intenção de recrutar profissionais qualificados para participarem do que chamam de “a grande expansão da Palavra” e a “cultura popular de Deus”. “-Já conquistamos nosso espaço em 172 países. Temos obras sociais espalhadas nos quatro cantos do globo. Precisamos de profissionais não apenas ungidos pelo Espírito Santo e preparados no fogo do Pai das Luzes para cumprir nossa missão evangelizadora, mas também de pastores com conhecimento técnicos para darem continuidade a essa obra tremenda.”, explica, empolgado, o pastor Ricardo Ibrahim, responsável interno da IURD pela organização do concurso.
Adavilson dos Santos, de 23 anos, morador de Guarulhos, pensa em fazer o concurso: “-Estou muito ansioso, sou pastor desde os meus 18 anos e obreiro da minha igreja desde os 11. Colei grau em Teologia ano passado. Sempre estudei bastante. Esta é uma oportunidade muito grande na carreira de qualquer pastor e não vou perdê-la”, vibra o jovem.
As vagas serão abertas para candidatos do sexo masculino com curso superior em quaisquer áreas. Candidatos com Bacharelado em Administração Eclesiástica ou Pós-Graduação (mestrado e doutorado) em Administração de Igrejas e disciplinas afins ganham pontos na prova de títulos. O número de vagas não foi divulgado. O salário inicial na investidura do cargo é de R$ 8.234,82 mais benefícios.
Em Edimburgo, alguns "amigos" que na verdade são ladrões e viciados, caminham inexoravelmente para o fim desta amizade e, simultaneamente (com exceção de um do bando), marcham para a auto-destruição.
Sinopse: Uma gangue de ladrões, fugindo de um assalto bem-sucedido, encontra-se em um armazém. O problema é que a polícia está atrás deles, e cada um começa então a desconfiar que possa haver um traidor no grupo. O filme tem uma montagem que mostra as cenas no armazém intercalando-se com flashbacks da preparação para o crime, até um final surpreendente. Roteiro inteligente, na ótima estréia de Quentin Tarantino na direção.
Exploração do trabalho infantil atinge 1,2 milhão de crianças no país.<
“Lugar de criança é na escola”. É muito comum ouvir essa frase, só não é comum o seu total cumprimento. De acordo com a última pesquisa divulgada pelo IBGE sobre o trabalho infantil no Brasil, cerca de 1,2 milhão de crianças de 5 a 13 anos são vítimas de exploração.
Essas crianças deixam de estudar para ajudar a aumentar a renda da família, outras vendem balinhas no sinal e assim, formam um contingente de trabalhadores-mirim. Como conta a coordenadora do Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente – Cedeca, Perla Ribeira, “além da injustiça social e necessidade econômica, o problema do trabalho infantil é, também, cultural”. Os pais dizem para os filhos que é importante trabalhar cedo para criar responsabilidade. Daí a contribuição para o grande número de crianças no Brasil trabalharem antes do tempo.
A pesquisa revelou também que mais da metade dos trabalhadores-mirim, 60,7%, trabalhavam em atividades agrícolas. Além disso, meninos negros ou pardos de famílias de baixa renda (até um salário mínimo), e que moram em áreas rurais do Norte e do Nordeste formam o perfil médio das crianças trabalhadoras no Brasil.
Para Cíntia Ramos, oficial de projetos na Organização Internacional do Trabalho - OIT, a exploração do trabalho infantil causa inúmeros problemas nas crianças, entre elas estão “problemas de saúde (dependendo do tipo de trabalho que a criança faz), perde o tempo de ser criança, abandono escolar que acarreta subempregos no futuro, portanto também causa um problema econômico” além de inúmeras outras dificuldades.
Para Perla Ribeira, “Deve-se estruturar politicas públicas que estabeleçam e articulem entre as várias políticas” já que há uma grande complexidade das causas e dos fenônemos da exploração do trabalho infantil. Outras formas de diminuir a exploração do trabalho infantil seria também, promover campanhas para conscientizar a população sobre o problema e manter a sociedade informada quanto aos seus direitos, para que aqueles que se sintam lesados ou que saibam de casos de exploração, possam buscar seus direitos.
Exploração Infantil
Acompanhe a entrevista com a especialista em psicologia infantil Doutora Tatiana Jezini
Após deixar a cadeia Jake (John Belushi) reencontra seu irmão Elwood (Dan Aykroyd) e juntos vão para o orfanato onde foram criados. Lá eles descobrem que o local será fechado se uma dívida de US$ 5 mil com a prefeitura não for paga. Como a freira (Kathleen Freeman) que dirige o orfanato não aceita de forma alguma dinheiro ganho desonestamente, Jake e Elwood decidem por retomar a The Blues Brothers Band, na intenção de realizar um grande show e arrecadar a quantia necessária para pagar a dívida.
Ficha Técnica
Título Original: The Blues Brothers Gênero: Musical Tempo de Duração: 131 minutos Ano de Lançamento (EUA): 1980 Estúdio: Universal Pictures Distribuição: Universal Pictures / UIP Direção: John Landis Roteiro: Dan Aykroyd e John Landis Produção: Robert K. Weiss Música: Elmer Bernstein Fotografia: Stephen M. Katz Desenho de Produção: John J. Lloyd Direção de Arte: Henry Larrecq Figurino: Deborah Nadoolman Edição: George Folsey Jr.
Elenco
John Belushi ("Joliet" Jake Blues) Dan Aykroyd (Elwood Blues) James Brown (Reverendo Clophus James) Cab Calloway (Curtis) Ray Charles (Ray) Aretha Franklin (Sra. Murphy) Steve Cropper (Steve "Coronel" Cropper) Donald Dunn (Donald "Duck" Dunn) Murphy Dunne (Murphy) Willie Hall (Willie Hall) Tom Malone (Tom Malone) Lou Marini ("Blue Lou" Marini) Matt Murphy (Matt Murphy) Alan Rubin (Sr. Fabulous) Carrie Fisher (Mulher misteriosa) John Candy (Burton Mercer) Kathleen Freeman (Irmã Maru Stigmata) Steve Lawrence (Maury Sline) Henry Gibson (Nazista) Jeff Morris (Bob) Charles Napier (Tucker McElroy) Steven Williams (Trooper Mount) Frank Oz (Guarda da prisão) Steven Spielberg (Recolhedor de impostos)
Curiosidades
- Esta é a 2ª vez em que o diretor John Landis e o ator John Belushi trabalharam juntos. A anterior fora em Clube dos Cafajestes (1978).
- Esta foi o 1º de 7 filmes em que o diretor John Landis e o ator Dan Aykroyd fizeram juntos. Os demais foram Trocando as Bolas (1983), No Limite da Realidade (1983), Spies Like Us (1985), Um Romance Muito Perigoso (1985), Os Irmãos Cara-de-Pau 2000 (1998) e Plano de Risco (1998).
- Este foi o 2º de 3 filmes em que Dan Aykroyd e John Belushi atuaram juntos. Os demais foram 1941 - Uma Guerra Muito Louca (1978) e Neighbors (1981).
- Os Irmãos Cara-de-Pau na época de seu lançamento bateu o recorde de número de carros batidos em um filme.
- Os Irmãos Cara-de-Pau usou em suas filmagens 60 carros de polícia, 78 dublês e possuía um elenco de 91 atores.
- Foram usados 13 Bluesmobile durante as filmagens de Os Irmãos Cara-de-Pau.
- Os diretores Steven Spielberg, Frank Oz e o próprio John Landis aparecem em pequenas pontas.
- A atriz Carrie Fisher foi a apresentadora do 1º episódio do programa "Saturday Night Live" em que os irmãos cara-de-pau apareceram.
- Toda vez que a janela do apartamento de Elwood é mostrada em cena um trem está passando do lado de fora.
- O orçamento de Os Irmãos Cara-de-Pau foi de US$ 27 milhões.
- Seguido por Os Irmãos Cara-de-Pau 2000 (1998).
Alguns clipes das músicas do filme
James Brown (Chaka Kan também aparece rapidamente junto aos integrantes do coral)
Um dos maiores prazeres de se gastar a sua vida entre discos é presenciar a "revelação" que um disco pode ser para uma pessoa. Sabemos o poder da música neste aspecto, quanto sua capacidade de persuasão e sedução podem nos virar do avesso em poucos minutos. Uma simples canção pode mudar a vida de uma pessoa e poder conduzir esta pessoa para esta revelação nos dá uma sensação de dever cumprido, todas as horas e camadas de tímpanos gastas não foram em vão.
Senti isso na pele quando, há cerca de um ano, meu irmão passou em casa e, enquanto estávamos ouvindo James Brown ou Al Green, cogitou, entusiasmado: "Imagina se esses negões tomassem ácido!". O entusiasmo procede, afinal conhecemos, nem que por cima, os dois objetos desta ação - de um lado a música pop negra, misto de puro instinto primal e inteligência social superior; do outro o LSD, droga maldita que libertou a consciência de artistas como Beatles, Doors, Who, Rolling Stones, Pink Floyd, Jimi Hendrix, entre milhares de outros. Unir a música negra (precisamente o funk e o soul) à psicodelia era (e é) uma alternativa apetitosa. E, sem falar nada, puxei One Nation Under a Groove, do Funkadelic.
Podia ter pego o Stand!, do Sly & the Family Stone, ou o Hot Buttered Soul, do Isaac Hayes, ou ainda o Songs in the Key of Life, do Stevie Wonder. Mas escolher Funkadelic era uma lei. E entre Hardcore Jollies, Maggot Brain, America Eats Its Young e One Nation..., o último teve de ser escolhido. "Não tem Eddie Hazel!", vão reclamar os puristas. Não. Mas Michael Hampton segura a onda sem fazer esforço e conduz ao lado de um então renovado Funkadelic a obra-prima do pensamento do Dr. Funkenstein, ou Starchild, ou Mr. Wiggles, Sir Lollypop Man, o mentor George Clinton.
Foi Clinton quem teve a visão de transformar seu grupo de doo-wop (The Parliaments, com quem teve até um hit, (I Wanna Testify) em uma usina de groove que unisse o improviso do jazz, o suíngue do funk, o peso do rock, a emoção do soul, o hipnotismo do gospel e a psicodelia levada às últimas conseqüências, criando a mitologia mais complexa da história do pop, cabeça a cabeça com Arquivo X, Sandman e o Projeto/Objeto de Frank Zappa. Com o auxílio de duas revelações pessoais (uma viagem de LSD e um show dos MC5), Clinton reviu todo seu conceito musical e criou um amálgama sonoro que batizaria de The Parliafunkadelicment Thang ou, resumidamente, P-Funk.
O P-Funk é o rótulo que Clinton inventou para facilitar a vida dos milhares de escritores que bolavam os gêneros mais esdrúxulos para fugir do óbvio: o som que George Clinton regia era único, era seu. E o nome P-Funk não apenas abreviava as duas bandas que representavam aquele som (o Parliament e o Funkadelic), como enfatizava seu enraizamento no groove, sem deixar de mostrar sua pequena diferença, o "P", que muitos liam como "psicodélico".
Parliament e Funkadelic são nomes diferentes para a mesma banda. Quando Clinton transformou os Parliaments no Parliament, ele abriu a sucursal Funkadelic para experimentações sonoras e viagens mais pesadas. Enquanto o Parliament contava os delírios sci-fi em forma de uma mistura agressiva de gospel com rock, o Funkadelic explorava as mais distantes profundezas da mente, misturando religião, ciência, escatologia, política, psicologia e sociologia num caldo grosso de protometal cheio de groove e absurdamente enlouquecido. O Parliament é o Dr. Jeckyll, estudioso, eficiente, prático; o Funkadelic é o Mr. Hyde, grotesco, pirado, agressivo. E os dois estão dançando!
O primeiro e dito clássico Funkadelic contava com Eddie Hazel na guitarra, Billy Nelson no baixo, Bernie Worrell nos teclados, Tawl Ross na guitarra base e Tiki Fulwood na bateria. Worrell e Hazel eram as duas armas secretas do grupo: os teclados traziam um molho que cimentava todos instrumentos juntos, enquanto a guitarra solo subia em seu pedestal. Hazel erigiu um monumento a seu instrumento, a épica Maggot Brain, cuja emoção e transe durante a interpretação se tornava um dos maiores marcos do Funkadelic, um motivo mais do que justo para os anos 70 levá-los a sério. Na época, o grupo foi reconhecido como sucessor do Jimi Hendrix Experience, mas o rock psicodélico funkeado dos primeiros dias iria sofrer uma terrível mudança.
Quando Nelson e Hazel (este saiu para tocar com os Temptations) deixaram a banda por motivos financeiros e Ross pirou de vez (ácido, claro), Clinton deparou-se com dois substitutos tão inesperados quanto bem-vindos: os irmãos Collins, rebatizados Bootsy e Catfish por George, haviam saído da banda de James Brown, os JBs, porque suas idéias estavam indo longe demais dos limites enxergados pelo soul brother #1. Imaginem isso: dois músicos que temperaram pérolas da história do groove como Soul Power, Sex Machine, Superbad e Talkin’ Loud & Sayin’ Nothin’ indo além da lógica de suíngue do pai da matéria. Obviamente, um passo à frente.
Onde Clinton se encontrava. Ao lado dos irmãos Collins, o chefão da Máfia Funk criou sua mitologia a partir de Mothership Connection, do Parliament. Aqui, George era o Lollypop Man, DJ da rádio WEFUNK, que, sob longas madeixas loiras, óculos escuros de menina e com um pirulito na boca, contava-nos a saga de Starchild, uma espécie de Messias do Funk. Aos poucos, somos apresentados à doutrina P-Funk, uma utopia psicodélica onde as forças da inteligência, da diversão e do sexo lutam contra as da chatice, opressão, estupidez e falsidade. O espírito do bem tinha outro nome e este era Funk. Foi ele quem deu o primeiro beat do universo, que se tornou o primeiro groove, que levaram as coisas a serem como elas são.
Toda esta teoria científico-religiosa vinha de uma sacada de Bootsy Collins, que se referia ao funk básico como "the one", devido sua marcação no primeiro dos quatro tempos do compasso. Pense em qualquer funk básico e sua força motriz está justamente na ênfase dada à primeira nota desta série de quatro tempos. O Funk então era "the one", "o um", o único, o todo. E Starchild era seu representante na Terra, que trazia o Funk para nós terráqueos. Para fazer Starchild, Clinton vestia-se com uma capa amarela e óculos futuristas. Este, mais tarde, seria revelado na verdade uma criação do Dr. Funkenstein, que revelaria o segredo das pirâmides - e o do Funk - com seu exército de clones. Mas o maligno Sir Nose D’Voidoffunk apareceria fazendo o nariz das pessoas crescerem e impinarem, se achando bons demais para a dança, dando as costas ao ritmo e à inteligência - é a chamada Síndrome de Placebo -, fazendo com que as pessoas alcancem a Zona de Zero Funkatividade. Mas contra isso Starchild tem a Bop Gun, uma arma que ativa o Funk que toda pessoa tem dentro de si. Que doideira!
Imagine isso no palco então. Ninguém queria ficar para trás e todos se travestiam da forma mais espalhafatosa possível. Purpurinas, lantejoulas, plumas, capas, saltos gigantescos, chapéus absurdos, óculos escuros de todos os formatos, perucas, maquiagem - tudo contribuindo para a visão mais excêntrica que o mundo poderia assistir. E contando com de três a cinco guitarristas por show, sete ou oito vocalistas (incluindo aí as Brides of Funkenstein), dois tecladistas, dois bateras, alguns percussionistas, dois baixistas, um time inteiro de metais (os Horny Horns) e quem mais quisesse subir no palco para fazer algum barulho. Não era difícil a banda ter mais de vinte músicos por noite.
Shows intermináveis, horas de delírio que podiam durar até o sol raiar, com toda a parafernália imaginável e condizente com a ficção-científica psicodélica que Clinton criou com o grupo. Luzes, gelo seco, coreografias, flashes e uma gigantesca nave espacial, o ponto alto das apresentações. O som era insistentemente alto e é resultado de uma fatídica noite em que o grupo, usando o equipamento do grupo de rock Vanilla Fudge, viu as pessoas serem literalmente movidas pelo som.
A segunda formação ainda contava com o guitarrista e vocalista Gary Shider, o baixista Cordell "Boogie" Mosson que substituía - e bem - Bootsy Collins (quando este começou a tocar sua própria banda, Bootsy’s Rubber Band), o vocalista Gary "Mudbone" Cooper e o baterista Ty Lampkin. Esta formação consagrou o auge do P-Funk, firmando-o no inconsciente coletivo da América negra.
Em 1975, Clinton convocou o jovem (17 anos!) prodígio Michael Hampton para assumir as guitarras e este se mostrou um guitarrista com tanta personalidade quanto Eddie Hazel. No ano seguinte, o baterista James Brailey, o baixista Rodney "Skeet" Curtis, e os vocalistas Glen Goins (que morreria prematuramente de câncer em 1978), Junie Morrison e Ron Ford entravam na dança. E com esta formação o P-Funk escreveria seu principal disco.
Enquanto o Parliament contava as histórias e aventuras do funk, como um velho testamento futurista, cheio de descrições fantásticas, aventuras de tirar o fôlego e personagens bizarros, o Funkadelic afirmava conceitos. Era a versão zen do P-Funk, a teoria por trás da prática parliamentarista. Em One Nation Under a Groove, de 1978, Clinton descreve o mundo perfeito que todas as religiões prometem; mas um mundo perfeito real, palpável, que apenas depende das ações dos terráqueos para que ele aconteça. A regra? Render-se ao Funk.
O disco começa com a irresistível faixa-título, um suíngue malandro e gostoso que explica esta regra. "Eis nossa chance para dançarmos pra longe nossos apertos", canta o velho George, "com o groove como guia, todos nos moveremos". O balanço é temperado pelos médios, então a guitarra de Gary Shider e os teclados de Bernie Worrell pavimentam o caminho para os vocalistas cantarem a nação perfeita funk: "Uma nação sob um groove/ Get down for the funk of it/ Uma nação sob um groove/ Nada pode nos deter". Os vocais aqui são o principal elemento da canção e eles se sobrepõem cantando lemas da tomada de poder P-Funk: "Pés, não me falhem agora", "Você promete funk?", "Pronto ou não, aí vamos nós/ Chegando junto àquele que acreditamos" , "Mais do que você consegue funkear". O ápice da faixa acontece quando todos os vocalistas cantam o mantra celebratório da faixa com um gospel, uma seqüência mágica de "la-la-las" que foi usado por gente tão diferente quanto Dr. Dre e A Tribe Called Quest. One Nation Under a Groove, a música, é um dos balanços mais irresistíveis da história da música. Não é à toa que se tornou o primeiro número 1 da história do Funkadelic (o Parliament havia conseguido o seu no ano anterior, com Bop Gun).
A segunda faixa começa com um andamento suave e misterioso, alguém falando sozinho na rua deserta: "Foi quando me perguntaram aonde eu estava indo/ E, bem, você tem que ser razoável/ Você sabe, eu nunca estive longe de casa antes/ E além disso, eles me propuseram algo legal/ É... Funkadélica, hmmm, a nação/ Saca, você vive sob ela". Junie Morrison fala como se estivesse fumando algo e uma voz ao fundo pergunta "que diabos esse moleque tá falando?" antes da bateria liberar o baixo e as guitarras para a dança que estavam ensaiando.
Entra a suingueira latinesca de Groovealliance: "Assuma o compromisso da groovealiança com o Funk Unido da Funkadélica", parodiam o juramento da bandeira dos Estados Unidos. Está batizado o país, no funk temperado por calipso e rock steady conduzido pelo baixo de Skeet Curtis e a batera minimal de Ty Lampkin. Novamente, os vocais tem papel fundamental no suíngue, mas quem conduz tudo aqui é a cozinha, que é seguida da guitarra hipnótica de Hampton e pelos teclados insistentes de Worrell.
O grupo enfatiza seu lado pesado numa música cujo título explica tudo. Who Says a Funk Band Can’t Play Rock? (Quem Disse que uma Banda de Funk Não Pode Tocar Rock?) abre com um riff memorável, invejado por Angus Young e Paul Stanley. O resultado final é um furioso cruzamento de AC/DC com Kiss aplacado pelo suíngue visceral do grupo. É o primeiro grande momento de Michael Hampton, que esmerilha sua guitarra para quem ainda duvida de sua capacidade. Guitar hero, dos bons, sem dúvida.
Promentalshitbackwashpsychosisenemasquad (The Doo-Doo Chasers) é a síntese das metáforas escatológicas de Clinton. Sobre um soul psicodélico que coloca o líder na mesma poltrona que Isaac Hayes e Curtis Mayfield, George conta uma parábola sobre os Caçadores de Cocô, a P.E. Squad, dispostos a livrar nossas mentes da quantidade de dejetos que nos são despejados como informação. A letra é dita em forma de oração, com cada verso repetido por todos os vocalistas do grupo: "O mundo é uma privada/ Nossas bocas são cus neurológicos/ E falando psicologicamente/ Estamos num estado de diarréia mental/ Falando merda milhas por minuto/ Ou em nossos estados de noções constipadas/ Não pensamos em nada a não ser merda", brada o presidente, "E o que causa toda esta merda?/ Qual é a fonte para a comida do pensamento?/ Aperitivos de ego/ (...)/ Eu-Hamburguer com molho de Mim/ Um sanduíche de Eu Mesmo/ Um hamburguer pessoal/ E um copo de Constrição-Cola/ (...) Pouca lógica calórica/ Para o músculo cérebro". Doo-Doo Chasers continua suas comparações grotescas por toda canção, falando de Confúcio, Groovalax e que "sorvete frito é uma realidade!". De vez em quando, uma voz sussurra uma piada interna não muito difícil de interpretar: "Qual de vocês é George Clinton?". Dá pra imaginar qualquer tipo de autoridade branca entrando no meio daquela festa blac.k e querendo saber quem é o chefe desta algazarra. Não tem chefe meu amigo, todo mundo aqui é o George Clinton, todos somos clones do Dr. Funkenstein.
Into You dá os vocais para o vozeirão de Ray Davis, seguidor dos princípios Clintonianos desde os tempos dos The Parliaments. "Eu não consigo entrar numa bomba de nêutrons/ Eu não consigo entrar em algo que me machuque/ Eu não consigo entrar no princípio vicioso da droga/ Eu não consigo entrar em algo que feche a porta/ Eu não consigo entrar numa terra envenenada/ Eu não consigo entrar em algo que eu não entendo/ Eu não consigo entrar num mau romance/ Eu não consigo entrar num amor que termine em possibilidades". E usa esse preceito para tentar converter a mente do ouvinte e deixar sua parceira abrir o sinal. Por isso a dança é a moeda do pensamento P-Funk: só assim sexo, inteligência e diversão caminham (ou melhor, rebolam) juntos.
Cholly (Funk Gettin' Ready To Roll) convida o ouvinte ao funk, mais uma vez. "Adoraríamos te levar para onde vamos", canta o coral que chama o personagem central - Cholly - para uma festa interminável. Baixos, guitarras, teclados e percussão trabalham pela primeira vez em uníssono; ninguém se sobressai e todos instrumentos conspiram em torno do groove. "Eu curtia Bach/ E Beethoven era o meu lance/ Curtia jazz, curtia rock/ Tudo que fosse legal/ Mas um amigo me disse que ainda havia muito/ Encontre o vácuo que você perdeu/ Há muito há se explorar", conta o Gary Shider, antes de cair no funk.
O disco vai chegando ao fim com as instrumentais. Lunchmeatophobia (Think!...It Ain't Illegal Yet!) é o casamento improvável do Chic com os Doobie Brothers e o Bla.ck Sabbath, enquanto Clinton apenas berra "Pense! Ainda não é ilegal!" enquanto as guitarras vão se sobrepondo. P.E. Squad/DooDoo Chasers ("Going All-The-Way Off" Instrumental) volta ao departamento de limpeza do esgoto cerebral, só que desta vez sem a oração bizarra. E com atenção no instrumental, assistimos a uma apresentação incrível de um Pink Floyd negro, com tanto suíngue nas cadeiras quanto viagens instrumentais na cabeça. Encerrando o disco, o tira-teima do caçula do grupo: Michael Hampton assume a árdua tarefa de equivaler-se à sombra que Eddie Hazel, que ainda pairava sobre o grupo. E numa versão ao vivo, ele libera toda sua emoção nas seis cordas, recebendo a bênção do autor do lendário e interminável solo de guitarra.
Quando chegamos ao fim do disco, estamos convertidos. Impossível resistir ao groove contagiante da psicodelia de Clinton, que toma o poder da nossa mente sem muito esforço. Se James Brown é o Isaac Newton no funk, descobrindo suas regras básicas e fazendo todo universo encaixar-se nelas, George Clinton é seu Albert Einstein, expandindo estas noções à medida que a consciência de si vai crescendo. E One Nation Under a Groove é sua Teoria da Relatividade, o punhado de princípios que, unidos, mudaram tudo.
Hoje quando encontro meu irmão ele faz questão de me receber com trechos do álbum, tamanho estrago que o disco pode fazer. E quando lembro que isso é só o começo, que One Nation Under a Groove é só o primeiro passo a ser dado dentro deste universo mágico chamado P-Funk, ele não duvida. Quem sente, sabe.
Texto tirado doTrabalho Sujo, blog do Alexandre Matias, com muitos textos e resenhas de música.
Através deste blog pretendo discutir idéias e temas sobre política, cultura, esporte, entretenimento e tudo aquilo que vale ser discutido, ou seja, quem debate e troca idéias não se permite alienar.